Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Se você está numa praia e enche a mão de areia.
Esse tanto de areia em relação à areia da praia é a proporção de felizardos que têm contato direto com os ensinamentos budistas.
Se você abre a mão e deixa cair a areia, os grãos que sobram são os que estão envolvidos com a escola Mahayana.
Depois de bater as mãos para tirar a areia que resta, não sobra quase nada.
Esses últimos grãos, que quase não se vê, são os estudantes do budismo Vajrayana, raros e preciosos.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.

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Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.


A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NATAL PORQUE CELEBRAMOS ? O QUE CELEBRAMOS ?



Lembrar que nosso divino Mestre Jesus, o Cristo, jamais sugeriu que comemorássemos a data de seu nascimento, em nenhuma das escrituras, canônicas, apócrifas ou gnósticas....Veja o que ele nos pediu:E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo:
"Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim." Lucas 22:19Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: "Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós." Lucas 22:20. "E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo." Genesis 14:18

O Sol realiza a cada ano uma viagem elíptica que começa no dia 25 de dezembro, e então regressa ao pólo sul; exatamente por isto vale a pena refletirmos em seu significado profundo. Nesta época começa o frio no hemisfério norte, devido exatamente ao fato de que o Sol vai se afastando para as regiões austrais e, no dia 24 de dezembro, terá atingido o ponto máximo de sua viagem na direção sul. Se o Sol não avançasse rumo ao norte do dia 25 de dezembro em diante, morreríamos de frio.
A Terra inteira se converteria em um bloco de gelo e realmente pereceriam todas as criaturas, tudo o que tem vida.Assim, vale a pena refletir sobre o acontecimento do Natal. O Cristo-Sol deve avançar para dar-nos vida, e, no equinócio da Primavera, se crucifica na Terra.É precisamente na Primavera que o Senhor deve passar por sua vida, paixão e morte, para logo ressuscitar; a Semana Santa é na Primavera no Hemisfério Norte.O Sol físico nada mais é que um símbolo do Sol Espiritual, do Cristo-Sol. Quando os antigos adoravam o Sol, quando lhe rendiam culto, não se referiam exatamente ao Sol físico; rendia-se culto ao Sol Espiritual, ao Sol da Meia-Noite, ao Cristo-Sol. Inquestionavelmente, é o Cristo-Sol quem deve guiar-nos nos Mundos Superiores de Consciência. As noites longas de inverno são fortes. Na época do Natal os dias são curtos e as noites longas.Vamos refletindo sobre tudo isto, e convém que entendamos o que é o Drama. É necessário que também em nós nasça o Cristo-Sol, ele deve nascer em nós.
Nas Escrituras se fala claramente de Belém e de um estábulo onde ele nasce; esse estábulo de Belém está dentro de cada um aqui e agora; precisamente nesse estábulo interior moram os animais do desejo, todos esses "eus " passionais que carregamos em nossa psique....Inutilmente teria Jesus nascido em Belém se não nascesse em nosso coração também. Inutilmente teria morrido e ressuscitado na Terra Santa, se não morre e ressuscita em nós também. Esta é a natureza do "Salvador".
O Cristo Íntimo deve salvar-nos, mas salvar-nos desde dentro, a todos nós. Aqueles que aguardam a vinda de Jesus de Nazaré para um futuro remoto estão equivocados; o Cristo deve vir agora de dentro, a segunda vinda do Senhor é de dentro.Por isto está escrito o que Ele disse: "Se ouvires alguém dizendo na praça pública que é Cristo, não o creiais, e se disserem "Ele está ali no Templo predicando", não o creiais". É que o Senhor não virá desta vez de fora mas de dentro, virá desde o próprio fundo de nosso coração, se nós nos prepararmos.
Paulo nos esclarece dizendo: "De sua virtude tomamos todos, graça por graça".Então, está documentado; se estudarmos cuidadosamente Paulo de Tarso, veremos que raramente alude ao Cristo histórico; cada vez que Paulo de Tarso fala sobre Jesus Cristo, refere-se ao Jesus Cristo Interior, ao Jesus Cristo Íntimo que deve surgir do fundo de nosso Espírito, de nossa Alma.
Enquanto um homem não o tenha encarnado, não se pode dizer que possua a Vida Eterna. Assim, pois, devemos ser menos dogmáticos e aprender a pensar no Cristo Íntimo, isto seria grandioso... O grande Mestre deve surgir no fundo de nossa Alma, de nosso Espírito. O mais duro para o Cristo Íntimo, após seu nascimento no coração do Homem, é precisamente o Drama Cósmico, sua Via-Crucis.No Evangelho as multidões aparecem pedindo a crucificação do Senhor; essas não são multidões de ontem, de um passado remoto, como se supõe.
Não, essas multidões estão dentro de nós mesmos, são nossos famosos "Eus"; dentro de cada pessoa moram milhares de pessoas, o "Eu do ódio", o "Eu tenho ciúmes", o "Eu sinto inveja", o "Eu da cobiça", ou seja, todos os nossos defeitos, e cada defeito é um "Eu" diferente. É claro que essas multidões que trazemos dentro de nós, que são nossos famosos "Eus", são os que gritam: "Crucifiquem-no, crucifiquem-no!".
Muita gente diz: "Acredito ser uma boa pessoa; eu não mato, não roubo, sou caridoso, não sou invejoso", ou seja, são todos cheios de virtude, perfeitos, segundo eles próprios; "ignoto", é o que tenho a dizer ante tanta perfeição.É doloroso isso? É claro, é horrível, é uma traição do tipo mais sujo que há, e não há dúvida de que as religiões se prostituíram e muitos sacerdotes traíram o Cristo Íntimo; não me refiro a nenhuma seita em particular, mas a todas as religiões do mundo.Pensem por um instante no Cristo Íntimo no mais profundo de cada um de vocês, senhor de todos os processos mentais e emocionais, lutando por salvá-los, sofrendo terrivelmente; os próprios Eus de vocês protestando contra Ele, blasfemando, colocando-lhe a coroa de espinhos, açoitando-o. Bem, esta é a crua realidade dos fatos, este é o Drama vivido interiormente.
Aqueles que supõem que pelo simples fato de morrer fisicamente alguém já tem direito à ressurreição dos Mortos são realmente dignos de compaixão; falando outra vez em estilo socrático, não apenas ignoram mas, o que é ainda pior, ignoram que ignoram.
A Ressurreição é algo pelo qual se tem de trabalhar, e trabalhar aqui e agora, e é preciso ressuscitar em carne e osso (e ao vivo). A Imortalidade deve-se conseguí-la agora mesmo, pessoalmente; assim se deve considerar todo o Mistério Crístico.
Todo o Drama é em si mesmo extraordinário, maravilhoso, e se inicia realmente com o Natal do Coração. Mas o que é que o Cristo Íntimo tem de decapitar em nós? Simplesmente deve degolar o Ego, o Eu, o Si Mesmo. A seguir vêm os feitos milagrosos do grande Mestre. Caminhava sobre as águas, sobre as Águas da Vida tem de caminhar o Cristo Íntimo.
Abrir a visão dos que não vêem, predicando a palavra para que vejam a luz; abrir os ouvidos dos que não querem ouvir, para que escutem a palavra. Há que compreender tudo isto de forma mais íntima, mais profunda; isto não corresponde a um passado remoto, é para ser vivido dentro de nós mesmos aqui e agora. Se começamos a amadurecer um pouquinho, saberemos apreciar melhor a mensagem que o Grande Mestre Jesus, o Cristo trouxe à Terra.
Aquele que ressuscita se transforma radicalmente, se converte num Deus-Homem, é um Hierofante da estatura de um Hermes, Zoroastro, Krishna um Buda.Mas é necessário fazer a Grande Obra. Realmente, não se poderia entender os quatro Evangelhos se não se estudasse Alquimia e Cabala, porque são alquimistas e cabalistas, isto é óbvio. Os judeus tinham três livros sagrados. O primeiro é o corpo da doutrina, a Bíblia. O segundo é a alma da doutrina, o Talmud, no qual está a alma judaica. E o terceiro é o espírito da doutrina, o Zohar, onde está toda a Cabala dos rabinos.A Bíblia, o corpo da doutrina, está escrita sob chave. Se queremos estudar a Bíblia "compaginando versículos", procedemos de forma ignorante, empírica e absurda.
Prova disto é que todas as seitas mortas que, até a época atual, se nutriram da Bíblia interpretada de forma empírica, não puderam entrar em acordo. Se existem milhares de seitas baseadas na Bíblia, quer dizer que nenhuma delas a compreendeu.Se quisermos saber algo sobre o Cristo, sobre o Filho do Homem, devemos estudar a Árvore da Vida...
Comecei a pesquisar os ensinamentos internos do cristianismo primitivo por estar convencido de que Mestre Jesus não poderia ter omitido de suas instruções uma metodologia para o caminho espiritual, à semelhança dos métodos conhecidos nas principais tradições orientais. Essas tradições têm atraído milhares de cristãos sinceros mas desiludidos com o receituário do cristianismo tradicional.
Como o misticismo cristão é muito rico e a literatura existente muito extensa, o foco deste trabalho foi direcionado para o ponto central dos ensinamentos de Jesus, ou seja, a busca do Reino de Deus. O mais surpreendente, como será visto a seguir, é que a essência dos ensinamentos mais profundos de Jesus sempre esteve expressa na Bíblia e em outros documentos sem ser devidamente percebida.É como se as jóias mais preciosas da mensagem bíblica estivessem escondidas debaixo de nossos olhos sob a aparência de coisas sem maior importância.
Dentre essas preciosidades negligenciadas do misticismo cristão poderíamos mencionar:"Eu e o Pai somos Um,"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará,"Já não sou eu que vivo mas é Cristo que vive em mim,""Quem não nascer de novo não poderá entrar no Reino dos Céus,""Vinde a mim as criancinhas,""Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto."Esses exemplos e muitos outros evidenciam que os ensinamentos misticos de Jesus foram preservados em dois segmentos: no primeiro, encontram-se as proposições, instruções e acontecimentos da vida do Salvador, que estão descritos na Bíblia e em diversos documentos apócrifos; no outro, estão os detalhamentos dessas instruções, com as explicações de suas razões e as técnicas e métodos para o aprimoramento da vida espiritual.
Essas instruções e explanações que não se encontram na Bíblia ou nos documentos apócrifos, foram passadas de boca a ouvido, naquilo que se chama de tradição oral, ou mesmo por intermédio de outros métodos que serão abordados posteriormente.Quando buscamos sintonia com o Mestre em nossas meditações, depois de algum tempo, a confusão inicial cede lugar à simplicidade essencial da mensagem divina, facilitando-nos a tarefa de desenterrar a tradição interna que desconhecíamos. Os objetivos da mensagem salvadora de Jesus começam a aclarar-se, seus métodos de transmissão de instruções fazem-se presentes, e seus ensinamentos surgem como jóias preciosas escondidas sob o véu da alegoria.Vivemos na ilusão da separatividade, alimentados pelo egoísmo e pelo orgulho, pensando que criamos de forma separada e independente alguma coisa.
A realidade, no entanto, é que cada ser humano é tão somente uma célula no grande organismo da humanidade.Como tal, a mente de cada um nada mais é do que um aspecto da mente universal, também chamada de inconsciente coletivo ou mente divina. Dentro da mente divina, a verdade está eternamente presente em sua forma essencial, embora seja apresentada de diferentes maneiras, pelos inumeráveis aspectos individuais desse grande Todo.Verifiquei que, quanto mais procurava estudar e meditar sobre os ensinamentos de Jesus, mais livros e idéias sobre o assunto iam aparecendo. Percebi que muitas outras almas já haviam decifrado e interpretado boa parte dos ensinamentos do Salvador. Minha tarefa, portanto, foi grandemente facilitada. Como é natural, minhas deficiências literárias, intelectuais e espirituais explicam as falhas que serão encontradas ao longo do texto.
O cristão dedicado e sincero, que procura seguir a orientação do Mestre de tomar a sua cruz e segui-lo, pode se questionar como é possível que o entusiasmo da cristandade dos três primeiros séculos, que seguia Jesus com amor e fervor apesar das perseguições implacáveis que ceifaram a vida de milhares de mártires naqueles tempos, possa ter arrefecido e se transformado, para grande parte daqueles que se dizem cristãos, numa mera afiliação religiosa pró-forma sem o envolvimento de seu coração. As causas dessa mudança qualitativa da religiosidade do cristão são complexas, mas podem ser em boa parte imputadas ao fato de que a maioria das igrejas atuais distanciaram-se dos ideais originais, retornando ao comportamento de obediência a rituais externos e a práticas religiosas mecânicas que Jesus havia tão duramente criticado nos fariseus e levitas.
São poucos os cristãos no mundo de hoje que procuram realmente entender os ensinamentos de Jesus e, um menor número ainda, seguir o Mestre.
Com o passar dos séculos, a mensagem central do Mestre Jesus foi progressivamente desvirtuada e acabou sendo esquecida.Porém, se meditarmos profundamente sobre a essência dos ensinamentos de Jesus, deixando de lado nossas idéias pré concebidas, chegaremos à conclusão de que somos o próprio filho pródigo e que algum dia retornaremos à Casa do Pai, que é o Reino dos Céus, voltando ao estágio de pureza prístina original de um Filho de Deus, tornando-nos, então, um Cristo e podendo dizer, por experiência própria, que "Eu e o Pai somos um" (Jo 10:30).
Paulo demonstra estar em sintonia com essa realidade ao dizer: "Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim" (Gl 2:20). Esse entendimento do potencial ilimitado do homem e o conhecimento da herança divina podem ser obtidos através do estudo e da vivência do lado místico de nossa tradição, que permaneceu esquecido e negligenciado por tantos séculos.O primeiro passo para usufruirmos a herança divina é a decisão de reivindicá-la. Para isso temos que nos desvencilhar dos condicionamentos limitativos impostos por muitos séculos de apatia intelectual e de ausência do exercício da vontade. A verdade sempre esteve ao nosso alcance, mas, por várias razões, deixamos escapar a oportunidade de percebê-la.
Podemos, no entanto, reverter esta situação porque o momento atual é extremamente propício para o despertar espiritual. Felizmente, os ensinamentos místicos da tradição cristã não foram totalmente perdidos. Eles podem ser recuperados, compreendidos e, se devidamente vivenciados, podem mudar a nossa vida, permitindo que alcancemos "O estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4:13).
O primeiro passo neste estudo dos ensinamentos de Jesus é deixar claro que o cristianismo, em sua essência última, não é uma instituição mas sim uma convicção interior.
Essa convicção, a verdadeira fé, deve guiar a conduta de seus seguidores rumo à meta final, o Reino, deixando um rastro de boas obras ao longo do caminho trilhado.Nesta virada do terceiro milênio, estamos vivendo um momento extremamente propício para tornar conhecidas as coisas ocultas. Por isso esforçamo-nos para fazer com que os ensinamentos de Jesus entesourados em documentos raros, ao alcance apenas de um limitado círculo de estudiosos, sejam postos à disposição dos cristãos sinceros que ainda não conhecem a inteireza de sua mensagem.
As estruturas religiosas foram induzidas a alargar seus horizontes para abranger outros grupos e outras etnias. Em virtude da invasão chinesa, que forçou um êxodo de grandes proporções da comunidade monástica tibetana, o budismo tibetano passou a ser conhecido e praticado por centenas de milhares de pessoas em quase todo mundo ocidental, quebrando um milênio de isolamento no Tibete. O sofrimento do povo tibetano foi transmutado em benefício dos buscadores da verdade em todo o mundo, com a tradução das obras dos mestres budistas daquele país e o estabelecimento de centros de ensino do Dharma em vários países do oriente e do ocidente.Os cultos de praticamente todas as igrejas cristãs tradicionais, antes e depois da Reforma, baseiam-se num acirramento do aspecto emocional do homem. As liturgias, cânticos, romarias e atos devocionais baseiam-se numa fé emotiva e cega. A questão da verdadeira fé é de grande importância e será examinada posteriormente, pois ela é um dos instrumentos fundamentais do processo transformador cristão. Mas a emoção é apenas um dos aspectos interiores do homem.

O caminho que leva ao Reino dos Céus requer a integração de todos os aspectos do ser humano. Isso significa que a emotividade religiosa tem que abrir espaço para a razão, a fim de que as duas, emoção e razão, possam ser integradas e transcendidas, no seu devido tempo, pela intuição.
Isso só ocorre quando o Cristo interior tem condições de despertar no âmago de nossos corações e, progressivamente, assenhorar-se do comando de nossas vidas. Esse processo de integração, ou ecumenismo interior, é a essência dos ensinamentos internos de Jesus. Assim como o aumento da intensidade das energias espirituais neste século se fez sentir ao nível das idéias, dos movimentos e das instituições existentes, com mais razão ainda se fez sentir na alma das pessoas. Milhões de indivíduos em todo mundo passaram a sentir o chamado do alto. Esse chamado, sempre sutil, procura por diversos meios fazer com que o homem entenda que sua meta é o Reino e que, para atingi-la, torna-se necessário um progressivo desapego do mundo material. A forma como os homens geralmente sentem esse chamado é através da insatisfação com sua vida, mesmo quando estão aparentemente fazendo as coisas certas e vivendo uma vida ética. Essa divina insatisfação deslancha um processo de busca, que, inicialmente, é confuso, pois o homem não consegue identificar exatamente o que está procurando. Busca livros e outras formas de auto-ajuda, dentro e fora de sua tradição; procura ouvir todo tipo de palestra sobre temas espirituais, enfim; procura por todos os meios saciar sua terrível sede da verdade.Muitos dos que batem às portas das igrejas voltam desapontados com o receituário prescrito pelos seus sacerdotes e pastores.

Podemos identificar três áreas principais de insatisfação com a ortodoxia: os dogmas, a conceituação do homem como pecador e de Deus como justiceiro e, finalmente, as práticas espirituais sugeridas.

Os dogmas de fé sempre constituíram-se em obstáculos para o crescente segmento pensante da cristandade. Enquanto o domínio da Igreja de Roma era total sobre seus fiéis, o medo era geralmente suficiente para manter os fiéis e até mesmo os intelectuais em linha.


Porém, neste último século, com os grandes avanços na educação das massas e a liberdade de pensamento exercida sem as antigas inibições religiosas, o conflito entre dogma e razão vem levando um número crescente de cristãos a assumir uma posição de coerência com seus sentimentos mais íntimos. Infelizmente, isto tem também levado muitos a rechaçarem, juntamente com os dogmas, toda a doutrina cristã e os ensinamentos corretos.


A segunda área de conflito com a doutrina ortodoxa já era sentida de forma latente há muitos séculos, como uma repulsa instintiva ao conceito do Deus justiceiro apresentado pelo Antigo Testamento, em sua interpretação literal, que foi encampado pela ortodoxia cristã.Conceber Deus como um Ser sujeito a ataques de fúria que precisam ser aplacados por diversas formas de sacrifícios e holocaustos fere a consciência daqueles que não se recusam a pensar e constitui-se numa verdadeira heresia. A máxima heresia nesse sentido é a proposição de que o Filho de Deus foi oferecido em sacrifício para propiciar o perdão de Deus pelos pecados dos homens, conhecida como doutrina da expiação vicária.


Felizmente, em nosso século, com os avanços da psicologia moderna e o entendimento do lado sombra do ser humano, o cristão começou a entender porque sempre se sentiu incomodado por sua caracterização como 'vil pecador. Jung mostrou que as negatividades inerentes ao nosso processo de aprendizado terreno devem ser entendidas e superadas pela compreensão e amor e não pelo temor de um Deus implacável que castiga nossas falhas e fraquezas com os tormentos do fogo eterno.


Finalmente, muitos dos cristãos que ainda se mantêm fiéis à Igreja mostram seu descontentamento com as práticas espirituais tradicionais da ortodoxia e, em alguns casos, com o significado deturpado dado a elas. A missa, o terço, as romarias e as outras práticas disponíveis aos leigos contrastam com as práticas de outras tradições que, aos poucos, se tornaram conhecidas no Ocidente.

Esse descontentamento não se restringe aos católicos mas é sentido, também pelos fiéis das seitas evangélicas e protestantes com sua conhecida inflexibilidade em questões doutrinárias.

Se por um lado existe uma natural curiosidade por parte de todo cristão em conhecer os ensinamentos internos de sua tradição, devemos estar preparados para o fato de que esses ensinamentos nem sempre estarão de acordo com nossas idéias tradicionais.


Na verdade, parte dos conceitos ortodoxos deverão ser modificados e, em alguns casos, até mesmo abandonados, à medida que adquirimos um entendimento mais sólido do lado místico dos ensinamentos de Jesus. Esse é o processo natural de amadurecimento de todo indivíduo. As noções que governam a atitude das crianças em seus primeiros anos de interação com o mundo exterior, dão geralmente lugar a conceitos mais abrangentes e complexos quando o jovem adulto está suficientemente amadurecido em sua capacidade intelectual e emocional.


Um processo semelhante ocorre em nossa vida espiritual. Para que o devoto possa crescer espiritualmente, ele deve aprender a entender o sentido místico subjacente às doutrinas anteriormente aceitas literalmente como dogmas de fé.Deve estar disposto a investigar a simbologia bíblica.


Essa disposição implica numa atitude de flexibilidade e tolerância para com idéias e argumentos diferentes dos aceitos até então. O verdadeiro estudioso deve submeter todo conceito e argumento, tanto tradicional como não-ortodoxo, ao crivo da razão e, a seguir, à avaliação do coração. O devoto que adotar essa postura espiritualmente sadia estará chamando em seu auxílio o Cristo interior, que derramará suas bênçãos na forma de inspiração para a compreensão mais profunda das verdades transformadoras de nossa tradição.


Com isso ele sentirá uma profunda alegria ao efetuar uma leitura crítica, que lhe permitirá construir paulatinamente, e de forma consciente, o arcabouço doutrinário e prático de sua transformação espiritual.Isso significa que o leitor deve adotar a postura do cientista que, ao iniciar um novo projeto de pesquisa, adota uma série de hipóteses de trabalho, que serão investigadas e testadas.


Caso essas hipóteses facilitem o avanço da pesquisa e sejam confirmadas por testes posteriores, então, e só então, poderão ser promovidas de hipóteses a premissas para a implementação da parte prática que permitirá a conclusão do trabalho.Essa atitude "científica", apesar de atraente e lógica, é difícil de ser adotada na prática. Todos nós interagimos com o mundo a partir de um grande número de condicionamentos, a maior parte dos quais inconscientes.Nossa mente racional pode estar disposta a considerar uma determinada linha de raciocínio, porém, nossos sentimentos, que são governados pelo inconsciente, usurpam muitas vezes a atribuição da razão e rejeitam os argumentos lógicos tão logo percebem que esses podem ameaçar a segurança de nossa estrutura de valores.Isso explica a natureza intrinsecamente conservadora de todo ser humano.

Resistimos à mudança porque toda mudança implica numa revolução interior que demanda um compromisso inabalável com a verdade. Esse compromisso implica em humildade para aceitar a possibilidade de que alguns de nossos mais estimados conceitos foram construídos sobre a areia e, finalmente, uma coragem extraordinária para enfrentar a resistência inicial de nosso ego orgulhoso e inseguro.


Os meandros da mente são muitas vezes desconcertantes para o iniciante. Um profundo estudioso da matéria escreveu:

"A mente formal assemelha-se a um ditador de um estado autoritário. Tal dirigente não pode, não ousa, tolerar qualquer interferência de outros no seu despotismo ou sugestão de controle sobre ele, porque se isso prosperasse a sua ditadura eventualmente terminaria.


No que concerne à manutenção de seu sistema e ao controle das mentes cegas de seus membros, a ortodoxia religiosa estreita e defensiva está precisamente na mesma posição. Todo dogmatismo em assuntos religiosos surge do medo e desse impulso para o poder e sua preservação.


"Para o estudante de misticismo, toda e qualquer proposição doutrinária ou filosófica deve ser tomada como hipótese de trabalho da mente concreta, até que ele alcance o estado místico que lhe permita conhecer diretamente a verdade.Quando em profunda contemplação ele passar a comungar com a Luz, então, e só então, poderá saber com toda certeza as verdades que transcendem a mente intelectiva e que pertencem ao âmbito do que chamamos de intuição.

É esse conhecimento que os antigos chamavam de gnosis, o conhecimento direto da verdade que é alcançado com a iluminação, e que gera uma fé inabalável.


O importante são os ensinamentos transformadores, que poderíamos chamar de metodologia para a transformação do homem velho no homem novo. Quando tivermos nascido de novo, iluminados pelo Cristo interior, estaremos capacitados a reavaliar nossas premissas anteriores para, então, estabelecer nossa fundamentação filosófica com base na Verdade e não mais em hipóteses.


O estudante que estabelecer como meta a sua transformação interior, não se deixando limitar ou intimidar por argumentos filosóficos ou teológicos, poderá deixar para mais tarde as decisões doutrinárias, quando estiver capacitado pela iluminação transformadora a pronunciar-se sobre esses pontos de forma definitiva.

O Mestre deve ter tido isso em mente quando nos disse:"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8:32).


Observamos que o Caminho, como tudo na vida, apresenta uma periódica alternância de ciclos. Na primeira etapa a criança tem uma atitude passiva para com a vida, aceitando a orientação de seus superiores. O adulto, ao contrário, para ser bem sucedido, deve assumir uma atitude ativa, buscando sua liberdade para decidir sobre o que julga ser melhor para seus interesses. Na última etapa, o futuro sábio deve mais uma vez retornar à passividade, aguardando com paciência, humildade e perseverança a chegada da Graça, que trará a iluminação.

Palavras do Mestre:"nada há de oculto que não venha a ser manifesto, e nada em segredo que não venha à luz do dia" (Mc 4:22).O método para alcançar o Reino dos Céus, que foi descrito por Jesus como a Porta Estreita e o Caminho Apertado.


Em sua essência, o método poderia ser resumido no que a ortodoxia chamou de 'arrependimento', mas que no original grego era metanoia, que tinha um significado bem mais amplo, que era o de mudança dos estados mentais que levam à mudança de consciência pela superação dos condicionamentos e da ignorância anterior.


Esse conceito é basicamente psicológico e oferece um paralelo com o enfoque da tradição budista de transformação da mente. Ainda nesta parte são abordados os primeiros passos no caminho espiritual, incluindo o despertar para a realidade última da vida, a eterna busca da felicidade e o papel da aspiração ardente.


Finalmente, são examinadas as regras do caminho espiritual, a fundação da verdadeira fé. Dentre essas regras são discutidas a unidade de todas as coisas, a natureza cíclica da manifestação, o objetivo do processo de manifestação, o papel do livre arbítrio e da lei de causa e efeito e a importância do conhecimento de si mesmo.Dentre elas destacam-se a integração entre a natureza superior e a inferior do homem, semelhante ao processo de individuação descrito por Jung, como necessária para que ocorra o verdadeiro crescimento espiritual.

Verifica-se que o amor e a verdade são os elementos integradores mais importantes no processo.


De interesse especial para o devoto são os indícios de que a transformação está ocorrendo e está levando-o progressivamente à união com o Supremo Bem, a meta de todo esforço.Um fato de especial interesse para o devoto é que a vida do Cristo, pode ser vista como uma alegoria do caminho acelerado, em que os marcos de seu nascimento, batismo, transfiguração, morte e ressurreição e, finalmente, a ascensão representam as cinco grandes iniciações.

BOAS FESTAS , FELIZ NATAL DO SEU CORAÇÃO, QUE O TEU CRISTO INTERNO, POSSA SE TORNAR CADA DIA MAIS PRESENTE, ATIVO E DESPERTO EM VOCÊ.*A propósito, Mestre Jesus, não nasceu dia 25/12.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Drama milenar do Cristo e do Anti-Cristo


O Drama milenar do Cristo e do Anti-Cristo

"A Luz brilha nas trevas, mas as trevas não a reconhecem. Em nós e no mundo reinam duas naturezas opostas."

No cenário da humanidade histórica o Cristo é representado pelo EU espiritual, ou Alma do homem, que o grande Mestre chama de “Pai em nós”,“a Luz do mundo”, “o Cristo interno”, “o Reino de Deus”, “o Tesouro oculto”, “a Pérola preciosa”, “ a Água viva”.

O Anti-Cristo, por seu turno aparece, na história do homem e do gênero humano, na forma do Ego material-mental-emocional, que assume milhares de formas e feitios. O Eu crístico e o Ego anti-crístico, agem em duas dimensões diametralmente opostas. O Anti-Cristo só conhece “os reinos do mundo e sua gloria” e promete dá-los em recompensas aos seus adoradores e servidores, porque são dele, creação do príncipe deste mundo, que é o poder das trevas na linguagem do Cristo.


"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon. " Mestre Jesus, o Cristo(Mateus 6.24)


O Cristo porém, afirma que “o meu Reino não é deste mundo”, não é do caráter deste mundo que , “jaz no maligno”, que é “dominado pelo príncipe deste mundo”. Sendo que este mundo é governado pelo Anti-Cristo, como ele mesmo afirma e como o Cristo confirma, não é de se estranhar que o príncipe deste mundo, não tolere nos seus domínios um intruso com o Cristo, cujo Reino não é deste mundo, embora esteja no mundo; é natural que o Anti-Cristo considere o Cristo como um indesejável, subversivo, e o hostilize, ora aberta, ora ocultamente, de acordo com a estratégia que lhe pareça ser mais eficiente na época.


Devemos viver no mundo sem ser do mundo.Vivemos na terra de um inimigo, que o Mestre Jesus, o Cristo chama "o príncipe deste mundo". (João 16:11) .

Nos primeiros tempos prevalecia a hostilidade aberta e violenta; mais tarde, a traição hipócrita revezou com a luta declarada; hoje em dia, predomina uma terceira estratégia, a tentativa de degradar o Cristo ao nível dos “cristãos” ou pseudos-cristãos. A tendência é fazer Cristo à imagem e semelhança dos “cristãos”, já que estes não tem a coragem de subir às alturas daquele. Fazer descer Cristo ao nosso nível condiz muito mais com o comodismo e o menor esforço dos que não querem sublimar-se ao nível dele. Em livros, filmes, e teatros, do alto das cátedras universitárias e dos púlpitos das igrejas se proclamam um pseudo-Cristo profano, horripilante, caricatura do Cristo do Evangelho e da realidade. E o que é há de mais repugnante é que são precisamente sacerdotes, pastores de igrejas cristãs, (*e muitos “místicos” de ocasião) que, de preferência, promovem essa deturpação do Cristo.


Violência, traição , deturpação, são estas as armas prediletas com que o Anti-Cristo luta contra a intrusão do Cristo em seus domínios terrestres. Aparentemente, o Cristo é sempre derrotado pelo Anti-Cristo, sempre crucificado, morto, e sepultado, desce até os infernos, na realidade, porém o Cristo sempre ressuscita, mesmo de túmulos fechados, sigilados e guardado por seus inimigos. É proibido ressuscitar, mas Ele sempre ressuscita.......


Os seus verdadeiros amigos o encontram sempre glorioso, por toda a parte, em todos os tempos. O drama milenar do Cristo e do Anti-Cristo continua, e todo homem acompanha ou este ou aquele grupo, por seu modo de pensar, de falar, de viver e mais ainda, pelo seu modo de ser. Hastearam a bandeira do Cristo sobre o quartel-general do Anti-Cristo.


Advertimos ao leitor que não confunda Fé com crença. Fé em latim fides, quer dizer fidelidade, harmonia entre a alma humana e o espírito de Deus ou do Cristo. Essa atitude de alta fidelidade é redenção, salvação, santificação, mas não tem nada que ver com crer ou crença. Infelizmente o substantivo fides não tem verbo derivado do mesmo radical, e os tradutores latinos do texto grego empregaram o verbo credere que em português deu crer.


Em grego o substantivo Pistis, correspondente ao latim fides, tem o verbo pisteuein, que poderíamos traduzir por fidelizar, ou ter fé. Mas, se dissermos crer em vez de ter fé, adulteramos profundamente o sentido. Crer, crença é algo incerto e vago, como quando dizemos: creio que vai chover, creio que fulano morreu. Crer em Deus, crer no Cristo, não é o mesmo que ter Fé, ou Fidelidade com Deus ou o Cristo. Quem tem Fé, Fides, Fidelidade com o Cristo, estabelece perfeita sintonia de pensamentos, palavras e obras entre si e o Cristo. Fidelizar ou ter Fé não é um superficial ato transitório, mas sim uma profunda e permanente atitude de todo o nosso ser, que é antes um estado de ser, do que um ato de fazer.


Aceitar Cristo é fácil, viver o Cristo isto é um problema de imensa gravidade.

Sem esse encontro consigo mesmo, nenhum homem realizará o seu encontro com Deus.


Huberto Rodhen (editado)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ORAÇÃO PERMANENTE



Muitas pessoas precisam de fatores externos para encontrarem Deus dentro de si. Outras vivem um vasto período de análise intelectual sem se permitirem um momento se quer, de intuição espiritual.
Nós não podemos chegar à verdadeira experiência de Deus somente por meio da análise mental. Isto é apenas uma preliminar que deve ser ultrapassada para poder se alcançar uma certeza espiritual.
A análise mental é como um grande labirinto sem saída.
Muitas pessoas ficam presas a métodos. Os grandes mestres não estavam preocupados com grandes métodos espirituais. O maior dos terapeutas dizia somente para que se orasse sempre. Sempre quer dizer orar 24 horas por dia, durante 365 dias por ano.
As pessoas confundem oração com reza, pensam que oração e meditação é um tipo de ato externo. Os mestres não falam de atos, falam de atitude. O que é atitude? Atitude é o modo de ser, não é agir, não é fazer alguma coisa, é ter a consciência do Ser, a consciência da Presença de Deus. Isso não significa pensar em Deus.
Não adianta nada ficar pensando em Deus por que isso é apenas um ato. As pessoas não sabem distinguir entre pensar e conscientizar.
Mas o que é conscientizar? Conscientização é um estado permanente da consciência.
Pensar é uma sucessão de atos transitórios. O pensamento é sucessivo e analítico.
A consciência nada tem haver com análise, com sucessividade. Ela é um estado simultâneo, permanente do nosso ser espiritual, do nosso Eu. Eu e consciência são a mesma coisa. Ego e inteligência são outra coisa.
A inteligência pensa, a consciência conscientiza, de maneira que, orar sempre não é pensar, não é falar, é ter a consciência do seu Ser.
Naturalmente que quem se identifica com o seu ego intelectual não pode conscientizar.
Agora, aquele que já descobriu a sua alma, o se Eu espiritual, pode perfeitamente conscientizar a Presença de Deus.O evangelho diz: "Eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai". Isto é conscientizar a Presença de Deus.
Não podemos pensar em Deus durante as 24 horas do dia, somente se não fizermos mais nada fora disto, suspender todo o trabalho profissional e pensar em Deus, mas isso não é possível.
Agora, conscientizar a Presença de Deus é perfeitamente compatível com qualquer trabalho. Podemos trabalhar em qualquer profissão, dentro de uma consciência da Presença de Deus.
Conscientização é uma coisa muito parecida com respirar. Se alguém dissesse: "Você tem que respirar sempre e nunca deixar de respirar, por que se você deixar de respirar você morrerá em cinco minutos!" Isso é natural e todo mundo o sabe! Mas se a pessoa dissesse: "Eu não posso respirar sempre por que tenho que trabalhar!"
Mas que bobagem é essa? Ora, é a mesma bobagem que estão cometendo quanto a pratica espiritual.Dizer que não podem conscientizar a Presença de Deus por que tem que trabalhar numa fábrica ou tocar um tipo de negócio.
A respiração impede o nosso trabalho? Em absoluto, pois ninguém se preocupa com a respiração, durante as suas atividades do dia. As pessoas vão dormir tranqüilamente e continuam a respirar.
A Oração Permanente de que fala o grande mestre, é uma respiração da alma e nada mais. Assim como o corpo respira constantemente para poder viver, assim a alma deve respirar constantemente para poder viver. Quem não respira espiritualmente, morre espiritualmente.
Quem não tem a consciência da Presença de Deus, não vive espiritualmente, seu viver não tem qualidade.Duas coisas são necessárias para podermos viver fisicamente: comer e respirar.Podemos deixar de nos alimentar por vários dias, através de jejuns, e não morrer, mas não podemos ficar sem respirar. Em cinco minutos, a falta de oxigênio nos mata. O oxigênio do ar é vida para o nosso corpo. Das comidas, extraímos as calorias. As calorias não são tão necessárias quanto o oxigênio.
Os mestres exigem que oremos sempre e não nunca deixemos de orar. Na nossa linguagem, podemos traduzir esta exigência por:"Tende sempre a consciência permanente da Presença de Deus", mas nunca pensando em Deus como uma pessoa.
Deus é a vida Universal do Cosmos. Esta Vida Universal nos alimenta quando vivemos dentro da consciência cósmica da Presença de Deus. Para isto, não se faz necessário pensar. É um estado de consciência.
Os grandes mestres não recomendam uma meditação intermitente, uma hora por dia, eles exigem uma meditação permanente, 24 horas por dia. Isso não no sentido de um ato, mas sim num sentido de um estado. Não no sentido de um processo analítico de pensamento, mas sim, no sentido de uma consciência simultânea e permanente.
Isto para os principiantes é difícil de compreender, mas, se você se habituar a este estado de consciência, não a uma ato de pensamento, você irá verificar que a oração permanente ou o estado permanente da Presença de Deus, não impede nenhum trabalho, pelo contrário, torna todos os trabalhos mais fáceis.
Quando alguém se habituou a viver na consciência da Presença de Deus, ele verifica que os seus trabalhos outrora antipáticos se tornam simpáticos, outrora odiados, se tornam até amados. Ele pouco a pouco descobre que o trabalhar não é dever compulsório, mas sim, um querer espontâneo. Quando alguém passa do maldito dever para o bendito querer, então está tudo resolvido, por que o grosso da humanidade só trabalha por um maldito dever. Elas dizem que infelizmente tem que trabalhar para poder viver e sustentar a si e a sua família. Quando o trabalho é um maldito dever é um trabalho antipático.
Quando o trabalho se transforma num bendito querer então o trabalho fica com gosto.Todos os grandes iniciados trabalhavam muito; nenhum deles foi preguiçoso. Nenhum deles arranjou aposentadoria permanente para não trabalhar mais. Todos trabalhavam, mas, os verdadeiros iniciados trabalhavam por um bendito querer e não por um maldito dever.
Um dos mais modernos iniciado, escreveu o maravilhoso livro A Arte de Curar pelo espírito, diz: "na primeira metade de minha vida, eu trabalhava para viver. Na segunda metade da minha vida, eu vivo para trabalhar". Note bem como ele inverteu o programa: primeiro ele trabalhava para viver, o maldito dever de trabalhar.
Com o suor do teu rosto, ganharás o teu pão. Isto é dos não iniciados.
Ele dizia que trabalhava para viver, mas que depois que entrou na iniciação espiritual, passou a viver para trabalhar. Todos nós, sem exceção, podemos chegar a este ponto. Isto vai depender do estado de consciência da pessoa, pois o trabalho é o mesmo. O que pode ser diferente é o motivo pelo qual se trabalha: ou por dever ou por querer. Dever é desagradável, querer é agradável. O dever nos faz escravos, o querer nos liberta, nos torna servidores.Quem faz o que deve é escravo. Quem não faz o que deve é um mal escravo.Quem faz por querer, faz com alegria, boa vontade, entusiasmo e amor e por isso, é livre e feliz.
A Oração permanente não impossibilita o trabalho profissional, muito pelo contrário, qualifica-o, torna-o gostoso e agradável.
A Baghavad Gita recomenda: Trabalhar intensamente, mas renuncie a cada instante aos frutos do teu trabalho, não trabalhar por causa do resultado, mas por causa da autorealização.No Evangelho diz o nazareno: "Quando tiverdes feito tudo o que devíeis fazer, dizeis: agora somos servos inúteis, cumprimos a nossa obrigação, nenhuma recompensa merecemos por isso!" Não é trabalhar por recompensa, seja recompensa terrestre ou celeste, mas sim, por amor a sua autorealização, ao aperfeiçoamento do seu espírito, da sua alma, isto é um trabalho bendito!

Todos os grandes mestres recomendam aos seus discípulos que tenham duas asas para voar. Você já viu algum avião voar com uma só asa? Nenhum inseto voa com uma asa.
Uma asa só, por mais bela e forte que seja, não serve. As duas asas que os grandes mestres recomendam são: 1. Orai sempre e nunca deixeis de orar. 2. Quem não renunciar a tudo que tem, não pode ser meu discípulo. A primeira asa é muito simpática, mas a segunda, para os não iniciados, é muito antipática. Por que entendem que renunciar como uma coisa muito dolorosa.
Eles logo compreendem por coisas materiais como dinheiro, casa, automóvel e outras coisas mais. Isso não é muito importante. Muito mais necessário é renunciar a si mesmo, que é muito mais importante do que renunciar a objetos.Mas, o que vem a ser renunciar a si mesmo? Quem não conhece a natureza humana não pode compreender estas palavras. Para esta pessoa, renunciar a si mesmo parece com suicidar-se. Mas isto não resolve nada, só piora a situação.
Enquanto a pessoa se identifica com o seu ego, não renunciou a seu ego. Somente quando descobre que não é o seu ego físico-mental-emocional, o seu invólucro humano, que isto ele tem, mas que isso ele não é, que ele é o seu espírito, a sua alma, a luz do mundo, a pérola preciosa. Então, ele renunciou.
Renunciar é o descobrimento da verdade sobre si mesmo! Quem não entrou no autoconhecimento, não renunciou! Renunciou a que? Aqui não se trata de renunciar a objetos externos, impessoais, trata-se de renunciar a um objeto pessoal, interno, chamado ego.
Dentro de nós existe uma ilusão de nos identificarmos com o nosso ego humano e é justamente a isso que devemos renunciar. Mas como renunciar a esta ilusão? Uma ilusão só pode ser combatida pela verdade.
Ilusão é escuridão, verdade é luz! É possível combater a escuridão a não ser pela luz? A ilusão de que eu sou o meu ego é uma treva, a verdade de que eu sou a minha alma é uma luz. Só podemos combater a ilusão de que somos um ego, pela ação da luz do autoconhecimento. Luz é presença, treva é ausência. Onde há 100% de presença há o de ausência.
O que os mestres recomendam é puro autoconhecimento e isto, cada um deve fazer. Cada um precisa responder satisfatoriamente a pergunta: Quem sou eu? Quando o homem chega a conclusão de que é o espírito de Deus em forma individual, então, está liberto de toda ilusão. Deus é Espírito Universal.Eu sou o espírito de Deus em formal individual. Eu sou uma emanação espiritual da Divindade Universal.
Então, a segunda asa é a renúncia. Quando se fala em renúncia, quase todo mundo se choca e pensa que se trata de uma renuncia a nível material externo. Pensam que renunciar é jogar tudo fora, perder tudo, ficar com nada. Isso não é verdade, pois a renúncia não se refere a coisas materiais, mas sim, mentais. A nossa falsa mentalidade ego é que deve ser renunciada.
Se alguém renunciar a ilusão da sua mentalidade errada, então ele é completamente livre. Só então ele é um discípulo dos grandes mestres. Se alguém renunciou a sua identificação com o seu ego e depois olhar para os seus bens materiais lá fora, será que ele tem dificuldades em renunciar a estes bens? Não tem nenhuma dificuldades!
A dificuldade é a renuncia interna e não a renuncia externa, pois isto é uma conseqüência de um transbordamento que pode ser constatado na vida de todos os grandes homens da história. Os inexperientes pensam que seja difícil a renuncia aos bens materiais.
Os iniciados sabem que a renuncia aos bens materiais é uma simples brincadeira. É coisa tão fácil como beber um copo d'água, pois o que é realmente difícil é renunciar ao seu ego mental, não ao seu ego material. No nosso século Mahatma Gandhi e Albert Shuawaseir fizeram a grande renuncia material colocando todos os seus bens materiais a serviço da humanidade.
As coisas materiais nunca foram nossas, isso é pura ilusão. Nosso foi o nosso ego mental e esse é muito nosso, pois é um objeto pessoal. Os bens externos são bens impessoais. Renunciar as coisas impessoais não é muito difícil, agora, recusar as coisas pessoais, aí sim é difícil! Quem passou pela maior aventura da renuncia pessoal, faz brincando a renuncia material por que isto é apenas uma conseqüência! Então, todos os grandes mestres exigem que voemos com as duas asas, que são a asa da oração e a asa da renúncia.
O engraçado é que muitos estão dispostos a criar a primeira asa da oração, mas quando se deparam com a segunda asa da renúncia, então retrocedem temerosos e tentam voar apenas com uma das asas. O resultado é que não conseguem voar!
Mas aquele que se habituou a oração, a consciência, não acha difícil a renuncia mental por que se ele já está convencido de que ele é a alma, de que ele é o espírito, ele também com a maior facilidade renuncia a ilusão de que ele seja o ego, por que se ele é o Eu, ele não pode ser o ego.
Uma coisa é a conseqüência da outra, de maneira que propriamente não são duas coisas; parecem ser duas coisas, oração permanente e renuncia total, mas no fundo são uma coisa só. Por que aquele que já fez a oração permanente, também já fez a renuncia do seu ego, por que a oração permanente é incompatível com a identificação com o ego. O ego de fato não é o Eu. Logo as duas asas quase se identificam.
Oração permanente e renuncia total, no fundo são duas asas, mas logo chegamos a conclusão de que podemos voar com uma asa só, contanto que as duas asas sejam identificadas apenas numa. Então, tudo virá como que um "helicóptero" no final, por que o helicóptero não tem duas asas. O avião precisa de duas asas para voar, mas o helicóptero não tem nenhuma asa e por isso ele pode subir em linha vertical. O avião precisa de uma enorme linha horizontal para subir. Quem descobriu que oração é renúncia e que renuncia é oração identificou as duas asas do avião numa só e pode subir na vertical como um helicóptero.

Esta é a grande verdade descoberta pelos grandes mestres.
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!
Quem não tem asas tem que rastejar. Então, o principal está em criarmos asas para podermos voar. Uma minhoca não voa e se ela vê uma águia voando nas alturas, acha uma bobagem. Quem é minhoca, não pode compreender a liberdade de ser águia, prefere continuar rastejando, comendo húmus por debaixo da terra da sua ignorância. Mas, quem já não é minhoca e já tem consciência espiritual de águia, não se contenta com uma vida debaixo da terra, quer alçar vôo à luz do sol.
Isso é uma questão de desenvolver a consciência. A nossa evolução vai a espaços mínimos em espaços máximos. Precisamos muito tempo para dar um passo na evolução ascensional. Rastejar na horizontal é fácil por que isso não exige esforço nenhum. Deixar-se cair para baixo ainda é mais fácil. Involução é para baixo, estagnação é na horizontal e evolução é na vertical. Temos apenas estas três possibilidades. Involução é regresso. Estagnação, rotina. Evolução, para cima. A única difícil é a evolução. A estagnação é inércia, é ficar sempre no mesmo plano, empurrando a vida com a barriga.

Meus pais viveram assim, meus avós viveram assim, eu vou viver assim e os meus filhos e netos também vão viver assim. Isso é estagnação e quase todo mundo gosta da estagnação, ou se preferir, normóse. O que os outros fizeram, eu vou fazer também!
Deixa como está para ver com vai ficar isso! O ego adora uma estagnação, pois a mesma não exige esforço, é comodismo, é inércia horizontal, é ir adiante, mas nunca ir para cima! Para cima já é esforço. Mais fácil ainda é regredir, ir para baixo, involução ainda é mais fácil do que a estagnação. E muitos gostam disso!
Quem pensa está na horizontal. Quem não pensa vai abaixo da horizontal.
Quem conscientiza vai para cima, vai para as alturas.
Quem pensa fica só na horizontal, fica sempre na mesmice de milênios atrás. Não sai da rotina.
O grosso da humanidade prefere o rotineiro. Para eles, o principal é continuar na normóse da horizontalidade.Toda evolução exige esforço e o ego não gosta de esforço, por que ele é amigo da lei da inércia e do menor esforço.
Quem nunca saiu da consciência do ego, não vai sair da horizontalidade, se satisfaz com tudo aquilo que os seus antepassados fizeram e que ele espera que os filhos também o façam. Pronto!
Isto continua na horizontal.Existem uns poucos, uma pequena elite que se animam a sair da horizontal para a vertical. Eu digo para a vertical, mas isso não é possível em pulo só. Ninguém pode dar um pulo de 0 para 90º.
Entre o 0 da horizontal e o 90 da vertical está o nosso grande problema.
Temos que fazer um trabalho de desenvolvimento ascensional de 0 a 90. Do crer a pessoa pode cair para o descrer. Quem chegou à experiência espiritual do seu Eu Divino está definitivamente garantido.
Do saber a pessoa nunca mais pode cair para o não-saber. A autorealização não vem de fora, ela vem da conscientização da nossa realidade espiritual. Quem se conscientizou como sendo o Espírito de Deus, não pode saber mais se identificar com o seu pequenino ego humano.
A pessoa pode ter a crença que for, pode crer quanto quiser, mas por nenhuma crença poderá estar segura, por que do crer existe a possibilidade de um regresso para o descrer.
A pessoa só pode estar absolutamente segura a partir da experiência pessoal de Deus, quando experimenta em si mesma: "Eu e o pais somos um".
Somente um ângulo reto pode retificar a nossa vida. Retificação é autorealização.
Será que podemos chegar a retificação na vida presente? Sim, podemos! Não foram muitos que conseguiram esta retificação, do tipo Paulo de Tarso, Mahatma Gandhi, Francisco de Assis, Albert Shuaisteser e outros. Os grandes retificados, os grandes místicos são aqueles que tiveram a experiência pessoal de Deus, não a crença de Deus, mas a experiência de Deus e através dela, chegaram à absoluta certeza de que nunca mais poderiam recair ao padrão anterior de pensamento, sentimento e ações.
Da experiência não a regresso para a inexperiência. Da crença há regresso para a descrença. Por isso, a crença não garante a nossa autorealização.
A crença é um caminho para a experiência, mas muitas vezes, não se chega até lá. Quem para na crença não pode se sentir muito seguro. A crença pode ser como uma boa vontade, mas não é muito sabedoria.
É preciso muito mais que boa vontade, boa vontade ainda é crença. É preciso sabedoria, que é fruto direto da experiência.
Somente aquele que chegou a experiência vertical de Deus, pode ter a absoluta certeza de que não vai mais recair. A meditação é o instrumento pelo qual buscamos por 100% da consciência da realidade espiritual que somos.
É por meio da meditação que podemos não mais nos iludir com dúvidas ou incertezas.
É pela verdadeira meditação, que podemos chegar à certeza da nossa identidade essencial com o Espírito de Deus.
Huberto Rodhen

*Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental. A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.


































sexta-feira, 29 de julho de 2011

ESCOLA NEOPLATÔNICA

"cognoscetis veritatem et veritas liberabit vos;
veritas praeponderare semper."
Esta famosa escola, que floresceu em Alexandria, não surgiu repentinamente, tendo sido precedida por um longo desenvolvimento. Amônio declarou que o movimento "datava dos tempos de Hermes, que trouxe sua sabedoria da Índia".




A filosofia neoplatônica tomou os ensinos de Pitágoras e Platão e recebeu muita inspiração das Escolas de Mistério estabelecidas na Grécia e Egito. O principal objetivo dos neoplatônicos era "reconciliar todas as religiões, seitas e nações sob um sistema comum de ética fundamentada em verdades eternas".


Os eminentes filósofos professavam que as várias fés derivavam-se da mesma fonte, a arcaica Religião Sabedoria revelada à humanidade primitiva por instrutores divinos, mas que no curso do tempo as crenças modificaram e velaram a mensagem original.


A tendência unificante dos neoplatônicos fora antecipada pelo filósofo judeu Filon, que viveu em Alexandria entre 30 a.C. e 40 d.C. Ele tentou estabelecer paralelos entre a bíblia mosaica e a filosofia platônica por meio de uma interpretação alegórica das escrituras, declarando que as narrativas do livro sagrado foram redigidas numa linguagem simbólica ocultando um significado mais profundo, que tinha que ser descoberto. Sob o fundamento de tais buscas Filon foi chamado o "Pai do Neoplatonismo".


O sistema de Alexandria foi a última efulgência da antiga sabedoria grega; sete séculos após Platão houve o florescimento da sublime filosofia. Amônio Saccas, o fundador do sistema eclético, que viveu entre 175 e 240 d.C., nasceu de pais cristãos; mas renunciou à sua religião nativa e voltou-se à filosofia pagã. Pelo fato de ter encontrado a sabedoria divina em seu próprio interior, foi chamado "Theodidaktos" ou "ensinado por Deus"; mas ele preferia o termo "Phi´alethes", ou "amante da verdade". Seus discípulos eram também conhecidos como "Filaleteus". Não deixou escritos, ensinando oralmente, e seus pupilos foram submetidos ao voto de segredo, como de costume na Escolas de Mistério. Não obstante, ele fez uma "distinta tentativa de beneficiar o mundo através do ensinamento daquelas partes da Ciência Secreta que lhe eram permitidas ser reveladas por seus guardiães diretos daqueles tempos".
E lemos também que:


"Nenhum cristão ortodoxo jamais igualou, muito menos ultrapassou, na prática das virtudes e ética cristãs, ou na beleza de sua natureza moral, a Amônio, o “pervertido” da cristandade".


Somente algumas palavras podem ser ditas aqui sobre os mais eminentes neoplatônicos.


O maior entre eles foi Plotino (205-270 d.C.), o discípulo direto de Amônio Saccas, com o qual ele permaneceu onze anos. Naqueles dias participou em uma expedição à Ásia na esperança de alcançar a Índia, mas não foi bem sucedido. Seguiu para Roma, onde despendeu o resto de sua vida ensinando e escrevendo. Seu principal trabalho, as Eneadas, incorporam suas idéias teosóficas.




Plotino combinou uma das maiores capacidades intelectuais com a profunda iluminação mística; e sua vida foi baseada na autodisciplina e purificação. Sua intensa aspiração espiritual resultou no êxtase, uma sublime condição de existência absorta na Vida Divina, o Samadhi da filosofia hindu. Seu discípulo Porfírio relata que Plotino gozou tal experiência em seis ocasiões durante sua vida. Seus ensinamentos tiveram uma duradoura e profunda influência não somente no pensamento filosófico dos séculos posteriores, mas também na teologia cristã.


Plotino desenvolveu a concepção de uma Fonte transcendente, chamada por ele de o Uno ou o Bem, e apontou o caminho para o espírito humano retornar ao Uno, o mais elevado Ser.


O discípulo mais bem conhecido de Plotino foi Porfírio (233-304 d.C.), nascido na Síria. Ele foi para Roma, atraído pela reputação de Plotino, que o introduziu ao estudo da filosofia neoplatônica. Porfírio escreveu uma biografia de Plotino, bem como uma "Vida de Pitágoras", sendo renomado por seu trabalho sobre a abstinência do alimento animal. Ele foi um forte oponente do cristianismo e um defensor do pensamento independente. Do seu trabalho Contra os Cristãos, em 15 livros, restam apenas fragmentos.


Porfírio também experimentou o "sublime êxtase, em cujo estado coisas divinas e os mistérios da natureza nos são revelados"; e ele declara que "somente através da mais alta pureza e castidade nos aproximaremos de Deus". Ele descreveu um esquema dos Planetas Divinos, chamado "A Árvore de Porfírio", análoga à árvore sefirotal da Cabala.


Seu maior pupilo foi Jâmblico (250-330 d.C.), que posteriormente estabeleceu sua própria escola na Síria. Seus escritos metafísicos estão perdidos, mas suas idéias são conhecidas devido ao seu tratado "Sobre os Mistérios Egípcios". Ele é especialmente famoso por ter praticado a Teurgia (trabalho divino) ou a Magia Sagrada. Jâmblico ensinou que existe uma faculdade da mente humana, por meio da qual
"somos capacitados a alcançar a união com inteligências superiores, sermos transportados além das cenas deste mundo, e partilhar a vida superior e poderes peculiares dos seres celestiais".



Quando a encarnação é temporária, durante misteriosos transes ou êxtases, o qual Plotino definiu como a libertação da mente de sua consciência finita, tornando-se una e identificada com o Infinito, tal sublime condição é deveras fugaz... Em casos excepcionais, contudo, o mistério torna-se completo... O indivíduo torna-se divino na plena acepção do termo, pois que seu Deus pessoal transformou-o em seu tabernáculo permanente por toda a vida, “o templo de Deus”, como afirma Paulo".
Os eruditos crêem que Jâmblico foi um espírita, um médium no sentido popular, o que é claramente falso. Ele opunha-se definidamente a tal prática, sendo os fenômenos físicos produzidos, como afirmara, por demônios perversos que enganavam os homens. Mas para exercitar a Divina Teurgia, são necessárias uma "alta moralidade e uma Alma Casta".


A "Magia", diz Jâmblico, "é uma ciência nobre e sublime, Divina e exaltada entre todas as outras". Para os filósofos antigos, a magia integrava cada ciência, física e metafísica; ela é sinônima de ocultismo, Religião-Sabedoria. Mas "A Verdadeira Magia, a teurgia de Jâmblico, é por sua vez idêntica à Gnosis de Pitágoras e com o êxtase divino dos Filaleteus".


Alguns padres cristãos foram estudantes da escola de Amônio Saccas; os mais famosos são Clemente de Alexandria, Orígenes e Sinésio, que foram instruídos também nos Mistérios Egípcios. Eles consideravam a Bíblia e a Cabala como livros secretos e velados, travestidos com roupagens alegóricas, que deveriam ser interpretadas com o objetivo de encontrar-se os significados ocultos que jazem sob os textos abertos. Aplicando este método às escrituras, eles procuraram seguir seu precursor, Filon, "o Judeu".



Clemente de Alexandria (aproximadamente 150-215 d.C.), nasceu em Atenas de pais pagãos, mas abraçou a nova fé e tornou-se "um dos mais inteligentes e ilustrados dos padres primitivos". Ele declarou que os livros mosaicos bem como os evangelhos tinham que ser lidos com a chave da simbologia e do esoterismo.


Ele salientou a necessidade do segredo para tais ensinamentos; em seu trabalho Stromata (miscelânea) ele declarou: "Os Mistérios da Fé não se destinam a serem divulgados para todos... requisita-se que se oculte em um mistério a sabedoria propalada". Embora ele tenha sido instruído profundamente na filosofia neoplatônica, decidiu voltar-se ao cristianismo.












"Clemente de Alexandria, um convertido na aparência, um ardente neoplatônico e o mesmo pagão em espírito filosoficamente, tornou-se o instrutor dos ignotos Bispos cristãos. Por assim dizer, o convertido juntou as duas mitologias externas, a velha e a nova, e enquanto dava a mistura às massas, manteve as verdades sagradas para si mesmo."










Orígenes (185-254 d.C.), um dos mais distintos pupilos de Amônio, nasceu numa família cristã, mas logo sentiu-se atraído para a elevada filosofia de Alexandria. Ele trabalhou por vinte e oito anos na cidade da família, estudando, escrevendo e ensinando. Posteriormente surgiram dificuldades com relação às autoridades da Igreja em Alexandria, o que o forçou a seguir para o Egito. Partiu para a Cesarea (Palestina), onde reuniu ao seu redor muitos discípulos. Dos muitos trabalhos que redigiu, somente alguns poucos fragmentos foram preservados; o fragmento mais bem conhecido é o panfleto Contra Celsum.
Como um "padre" do cristianismo primitivo, ele teve que contraditar o escrito de Kelsos (Celso), um neoplatônico, que atacara a fé cristã, declarando-a errônea e adaptada somente às pessoas ignorantes.
Orígenes replicou respondendo que o Cristianismo possuía dois aspectos: um ensinamento exotérico e outro esotérico, e que, devido à incapacidade das massas para compreender o sentido mais profundo das escrituras, eles poderiam ser alimentados apenas com as cascas do fruto espiritual.


As interpretações de Orígenes dos dogmas cristãos baseavam-se na mais pura Teosofia; ele compreendeu as histórias bíblicas como sendo alegorias ingênuas em sua maioria. Suas explanações filosóficas dos evangelhos, que ele considerou como transcrições das Iniciações espirituais, e sua aberta aderência ao grande princípio da reencarnação, foram julgadas "heréticas" pela igreja ortodoxa que tinha perdido o aspecto esotérico da religião. Desta forma, trezentos anos após a morte de Orígenes, seus ensinos foram condenados pelo Concílio Eclesiástico de Constantinopla, em 553, sob o reino do imperador Justiniano, quando este decreto foi promulgado:


"Aquele que mantiver a crença na doutrina mítica da preexistência da alma e a conseqüente e maravilhosa opinião de seu retorno, que seja anátema".



Dentre os discípulos de Orígenes, os mais destacados foram Longino, um homem renomado por sua vasta instrução, e Sinésio, o bispo de Ptolemïs. Este último tinha uma grande admiração por sua instrutora, Hipátia; fragmentos de suas cartas entusiásticas a esta maravilhosa sacerdotisa da filosofia foram preservados. A despeito da sua função cristã, ele foi um fervoroso neoplatônico.


Sinésio tinha Hipátia como sua tutora, e esta é causa por que o achamos a confessar com toda sinceridade suas opiniões e profissões de fé:


“O público nada mais quer do que ser enganado... E com relação a minha pessoa, portanto, serei um filósofo em meu âmago, mas devo ser um sacerdote com o povo”.









Hipátia foi instrutora na Academia de Alexandria, onde ela expôs as doutrinas de Platão e Plotino. Graças a sua erudição, sabedoria e virtude ela atraiu uma grande audiência de estudantes sensíveis, o que desagradava as autoridades cristãs.
Hipátia havia sido instruída em todos os segredos da teurgia e podia, portanto, explicar os "milagres" cristãos. Assim, foi considerada como um perigo para a expansão da igreja, e por instigação de Cirilo, bispo de Alexandria, a jovem e inocente iniciada foi cruelmente assassinada por uma turba de linchadores cristãos. (Cirilo foi posteriormente canonizado como um dos primitivos "santos" cristãos!).Com a morte de Hipátia (em 415 d.C.) chegou ao fim a escola neoplatônica de Alexandria.



"A escola neoplatônica foi bem sucedida, poderosa e próspera por um longo tempo... O sistema floresceu por alguns séculos e atraiu seguidores para as fileiras entre os mais hábeis e mais cultos dentre os homens daquele período; Hipátia, a instrutora do bispo de Sinésio, foi o ornamento da escola, até o dia quando foi assassinada..."


Após o triste evento, a filosofia alexandrina tomou seu assento em Atenas; por volta do início do quinto século, a Academia de Platão transformou-se em neoplatônica. Sua mais importante figura foi Proclo (410-485 d.C.), chamado "Diadochos" (que significa "sucessor", no caso, de Platão na liderança da Academia). Ele escreveu um grande número de trabalhos filosóficos além de tratados sobre matemática, astronomia, gramática e outros temas."Ele elaborou toda a teosofia e teurgia de seus predecessores em um sistema completo."



Ele ensinou que todas as coisas são penetradas por um princípio espiritual e que um conhecimento profundo da lei natural é a base da magia. Em seu livro Teologia de Platão, ele descreve a gradação dos Mistérios e alude à Iniciação Final, chamada Epopteia, evocada por Platão no Fedon.









A filosofia teosófica de Proclo foi a principal fonte de inspiração para Dionísio, o Areopagita, ao qual freqüentemente se refere como Pseudo-Dionísio, um neoplatônico cristão que viveu por volta do ano 500 d.C., cujos escritos tornaram-se de decisiva importância para a teologia, bem como para o pensamento e cultura européia.



O último representante do neoplatonismo e chefe da Academia ateniana foi Damascius, que escreveu muitos livros. Seu principal trabalho remanescente é intitulado Problemas e Soluções sobre o Primeiro Princípio, onde ele trata da união mística da alma humana com a Vida Divina. Damascius ainda estava em seu cargo quando o imperador Justiniano fechou a Academia em 529 d.C.


Este foi, no mundo externo, o fim da gloriosa Escola Neoplatônica; contudo, sua esplêndida mensagem sobreviveu por intermédio de canais secretos, chegando às vezes à ribalta com os defensores do livre pensamento...


"Conhecereis a Verdade, e a Verdade os libertará."



"A Verdade prevalece sempre"

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Agostinho - Maniqueus - Gnosis

Agostinho nunca foi santo. Há uma ‘piada’ sobre ele que diz que ele ‘virou santo’ de tanto que sua mãe rezou para ele não ir para o inferno. Ele virou santo porque, sendo ‘diabólico’ demais, fez sua mãe rezar a vida toda por ele. Assim se fez o santo.Também virou santo por ter abandonado a mãe e a namorada grávida.E a mãe rezava pela pobre alma do filho.

Ainda jovem agostinho interessou-se pelos ensinamentos Maniqueus. E se associou a eles no Egito.Os grupos maniqueus, seguindo o molde da escola de Pitágoras e dos Essênios, dividiam-se em três níveis. Contam os relatos que Agostinho nunca passou do primeiro nível e, dado sua ambição desenfreada que não aceitava não participar do segundo, foi convidado a se retirar do grupo.

Nessa mesma época um dos padres da Igreja Católica primitiva o convidou para exercer um alto cargo nessa instituição. O preço a pagar, relevar o que sabia sobre os maniqueus e escrever contra eles. Foi o que Agostinho fez. Sua ambição gratificou-se com o convite de exercer um ‘alto cargo’. Assim, ele aceitou. E passou a ser um dos combatentes aos gnósticos de mani.

Mani foi um preservador da tradição gnóstica. Com a morte de Mestre Jesus, o Cristo, os discípulos se separaram em dois grupos, e fugiram. Um, como bem sabemos, o maior, seguiu para o Egito (onde escolas gnósticas floresceram nas décadas seguintes), seguindo depois para o porto de Marselha, na França. Tal é o motivo de Maria Madalena ser tão venerada na França, e Tiago ter seu famoso ‘caminho’. Tal é o motivo das historias britânicas estarem estritamente relacionadas a José de Arimatéia e assim por diante.

Do outro lado temos o grupo de Tomé, Simão o Mago, Matheus... que sobe para as regiões da Síria, onde pequenos núcleos de buscadores da gnosis serão formados. Décadas depois a Síria estará entre as regiões visitadas por Apolônio de Tyana e o gnóstico Paulo.

Aliás, a Síria sempre foi objeto de grande interesse espiritual, séculos depois é para a Síria que os Templários se dirigem em busca dos Mistérios, e é igualmente para a Síria que Christian Rosenkrantz, o pseudônimo do fundador dos Rosacruzes, se dirige, e lá encontra o seu ‘livro secreto’, e um ‘augusta fraternidade’.
Coincidência ou não, é impossível ignorar a importância dessa região, algo, sem dúvida, devia haver lá.Então, esse segundo grupo de discípulos se dirige para lá. Há relatos que sugerem que Tomé teria passado um tempo lá e retornado para a Índia (como indica o Hino da Perola, que é simbólico, mas usa de base a historia de um príncipe que veio do Oriente). Curiosamente esse ‘Hino da Pérola’ (Ou ‘Hino da veste de glória’) vai ser divulgado a partir de escolas na Síria.

Entre a ‘coleção’ de textos divulgados pela escola da Síria, está o dito Hino, e também os escritos de Tomé, cópias do Evangelho de Tomé se preservaram graças a esses gnósticos antigos.Além do Evangelho de Tomé, temos o ‘Livro de Tomé’ redigido por Matheus enquanto Jesus conversava com Tomé, segundo consta o próprio livro. Esses textos são divulgados mais tarde principalmente por um gnóstico chamado Bardesanes, na Síria. Bardesanes não é nada menos que o avô de Mani.

Portanto é nesse contexto gnóstico de Hinos da veste de glória e Evangelho de Tomé que Mani, o Profeta da Luz, é educado. Mani, jovem e inspirado, ignorou ingenuamente o perigo que vinha do oeste e ensinou abertamente; logo, os atentos olhos da oposição, a Igreja que se formava em Roma, viram em Mani um problema. Assim o maniqueísmo passou a ser combatido. Seu ensinamento profundo e espiritual atraia muitas pessoas, como o fez com Agostinho. Com isso, a Igreja viu em Agostinho a possibilidade de um crítico que esteve entre os maniqueus.


Mas o que ensinam esses maniqueus que rejeitaram a ânsia por poder de Agostinho e foram tão perseguidos? Ensinam:

• A fonte do Bem está na 'região da Luz'.

• O Rei da Luz é a Árvore da Vida. Eu assimilei a Lei da Luz. Eu sou Mani, o Apóstolo de Jesus, o Amigo da Luz.

• A Mente-Luz (Cristo) é o que desperta aqueles que dormem.




• No homem em quem a Mente-Luz está, sua é a Sabedoria.

• A Mente-Luz (a Mente Iluminada) é o Sol dos corações, a Senda dos que buscam, o Pórtico dos tesouros da Vida.

• Bem-aventurado é aquele que foi iniciado nesta Gnosis Divina.

• Eu encontrei a Terra da Luz. Eu fiz meu caminho para a Cidade dos Deuses.

• Eu tornei minha alma limpa – sou um servo de Deus [eu sou um Nazareno].

• Vocês são filhos do Dia e filhos da Luz. Jesus tem me auxiliado e ele poderá auxiliar vocês. Ele poderá dar-nos sua Compaixão.

• De tempos em tempos a Sabedoria envia os Mensageiros de Deus. Em idades após idades estes Mensageiros têm sido enviados pelo eterno rei da Luz [Zrwan]: Seth, Zoroastro, Buddha, Christos. As primitivas religiões foram verdadeiras enquanto puros líderes estavam nelas.

• A presente revelação, esta profecia desta última idade, veio para a Babilônia através de mim, Mani, para as outras escolas e para as outras heresias. Para cada uma delas eu mostrei que a sua própria sabedoria e suas escrituras é a verdade a qual eu desvelei e mostrei ao mundo.

• Há duas fontes do que vem à existência: Deus e a Matéria, Luz e a Escuridão, Bem e o Mal. A Luz é a árvore que dá bons frutos. A Matéria é uma árvore que dá maus frutos.

• Cristo é o Pai de todos os Mensageiros, é o Terapeuta das Almas – sua medicina são os seus preceitos.

• Meus pensamentos buscam teus segredos, minha intuição aspira os teus Misterios. Ó Senda da Verdade, vista-me em tua veste.

• Meu Senhor tinha indicado o grau dos Perfeitos e separou-os daqueles que estão no mundo. Ele deve tornar-se puro, ser frugal na dieta (não poluir com carne e sangue), jejuar.

Mestre Jesus, o Cristo proclamou um código de ética, fragmentos de textos de Mani sim, Mani era um verdadeiro gnóstico. O “Santo” Agostinho, um traidor.

Que mal há em ensinamento tão belo?

O mal de que, aos olhos da Igreja, nega a necessidade de intermediários para se alcançar o reino dos céus, e assim inutiliza a instituição Romana.

O mal de um ensinamento que considera “Seth, Zoroastro, Buddha, Christos” irmãos em sabedoria.

O mal de continuar o ensinamento gnóstico de que o deus criador da matéria é apenas o demiurgo, um ‘deus’ arrogante. E não a luz celeste, que está muito além. Na Unidade invisível e inefável.

Assim, Agostinho cumpriu sua função, e os combateu.Enquanto isso outra batalha era travada. Agostinho escrevia tratados e tratados sobre o que é deus, seus atributos e qualidades (como se alguém pudesse definir a “natureza de deus”). Paginas e páginas de deus é isso, deus é aquilo. A teologia afirmativa. A teologia dogmática.

Em contrapartida temos os neoplatônicos. Almas gnósticas que se revestiram de ‘filósofos’ pois aos olhos da igreja os filósofos não seriam atacados. Assim, Proclo, Pseudo Dionísio, Plotino... ensinavam gnosticismo revestido de linguagem platônica. (bem, não era Platão um iniciado?)

Em contrapartida temos os curtos e profundos tratados desses neoplatônicos que ensinam que Deus não pode ser conceituado, apenas vivenciado, que ensinam tudo que deus ‘não é’, e não seus atributos e qualidades. (por isso foram chamados de teólogos negativos, por ensinarem o que não é deus, e deus não é conceituação)


Deixemos Plotino¹ e Jâmblico² ensinar:

“O Uno é todas as coisas e nenhuma delas.A Unidade é uma fonte sem origem.Nos planos sutis cada ser constitui uma parte do Todo. Retira-te em ti mesmo e contempla. A contemplação é o fim da ação. Jamais olho algum contemplará o Sol sem tornar-se semelhante ao Sol, nem alma alguma verá a Beleza sem ser bela. Que todo ser se torne divino e belo se quer contemplar o Uno e a Beleza.A beleza da alma é a virtude.Há uma beleza de ordem superior, não visível aos olhos corporais, mas somente manifesta através dos olhos superiores da alma. Sem um despertar da letargia natural não é possível para alguém aplicar-se aos belos e nobres estudos, nem aprender o mais elevado.


É necessário uma preparação: reflexão sobre as virtudes (elas despertam nosso desejo para o bem). E também o uso de máximas (penetrar no seu conteúdo).Sabedoria é diferente de conhecimento. A Sabedoria ultrapassa o intelecto (através da intuição contempla).



A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo. Tudo o que existe procede da Causa primeira. Todo o múltiplo participa de alguma maneira da Unidade. O Bem é idêntico ao Uno. Quão diferente isto era dos tratados e tratados de Agostinho. E seus ataques aos gnósticos.








Pelágius³, um outro gnóstico (se pudermos chamar assim) também foi extremamente prejudicado por Agostinho. Este é Pelagius, um cristão-celta. Um cristão que havia bebido dos ensinamentos que chegaram à Bretanha com os outros discípulos. Pelágius ensinava que não havia pecado original (idéia muito recorrente naquele ‘início de Idade Média).


Que Adão e Eva eram símbolos de como a humanidade ganhou a liberdade comendo da arvore da Gnosis. Pelágius enfatizava o livre arbítrio. Até poderia se dizer por influência da cultura celta que misturou-se com os primeiros gnósticos que lá chegaram. Essa tradição que enfatiza muito a questão do livre arbítrio e vê homens e mulheres como iguais.


Pelagius ensina e admira o cristianismo, mas diz que não só os cristãos são bons pois; " Se só os cristãos fossem bons, Deus não o seria, pois estaria negando ao resto da humanidade a liberdade de escolher o que é bom. Encontramos muitos pagãos bons e virtuosos.”Que pecado eram as palavras de Pelágius ao ver da Igreja de Roma!E a coisa só piorava. Pelágius era um homem extremamente culto, falava o grego e o latim, e viajava muito. Por um tempo estabeleceu-se em Roma, na mesma época em que Agostinho estava lá.

E para a tristeza de Agostinho, o ensinamento acessível e compreensível de Pelagius atraia mais estudantes do que as ‘teologias’ de Agostinho. Pelagius tinha se tornado mais popular que o próprio Agostinho. E isso não poderia passar em branco.Pelagius foi duramente perseguido e combatido por suas ideias nao se enquadrarem nos dogmas.Pelagius retorna à Gales, e, curiosiamente outro Agostinho, uns 200 anos depois, foi enviado pelo papa Gregório para a Bretanha com a missão de ‘converter os pagãos da Bretanha’. (e provavelmente destruir o cristianismo-celta e os resquicios da doutrina pelagiana)
Mal sabiam os católicos (ou não queriam saber) que a Bretanha já era cristã muito antes das regiões da Ásia e Roma serem cristãs.Pois os discípulos do Mestre Jesus, o Cristo ali haviam desembarcado com seu ensinamento gnóstico. Essa história de ‘o cristianismo chegou na Bretanha com Agostinho’ é história ‘para inglês ver’. Agostinho (o outro) chegou à Bretanha para destruir o cristianismo celta. Para destruir o cristianismo gnóstico. E parece que essa destruição foi levada bem a sério. Agostinho se uniu a um rei Saxão do sul da ilha e passou a influenciá-lo fortemente. Assim, a pedido de Agostinho, o mosteiro de Bagor, de monges cristãos-celtas, no norte de Gales, foi totalmente destruído, seus mais de 2 mil monges assassinados.Esse era o cristianismo chegando à Ilha da Bretanha.
O cristianismo que condenava as mulheres daquela região, tão acostumadas a viverem em igualdade e exercerem sacerdócio também, à uma vida submissa.O cristianismo dogmático de Agostinho (o primeiro) chegava ao refúgio celta dos primeiros gnósticos.Nas palavras de uma historiadora: “Há uma tradição em Gales que afirma que nos primeiros anos do séc I d.c. chegaram lá certos refugiados da Judéia.Esses refugiados foram recebidos por Arviragus (Caracatus), rei dos Bretões do Oeste e dos Silures. Eles foram temporariamente instalados em um colégio druídico. Arviragus lhes doou terras para construírem suas ‘eclésias’.
Não é necessário discorrer sobre a presença cristã pré-agostinho naquela região. As evidências são inúmeras. Assim, termino com exemplos do ensinamento de Pelagius (esse “herético”), para que possam novamente comparar e ver o que esse ‘santo’ agostinho combateu:"Pelagianismo".
Deus implantou em cada um a capacidade de atingir o mais elevado nível de virtude.Temos a capacidade de não agirmos compulsoriamente, nem de sermos levados pelos nossos desejos e quereres imediatos como são os animais.
Gostaríamos de ter apenas boas e amáveis emoções em nossos corações, e que os desejos maus fossem banidos, que tivéssemos as retas palavras sempre em nossos lábios e nunca pronunciar palavras maledicentes ou rudes. Que agíssemos sempre gentilmente e generosamente, nunca maltratando os outros.Mas se nossas emoções fossem sempre boas, palavras sempre corretas, ações sempre gentis, então nunca poderíamos aprender a diferença entre o bem e o mal.
Portanto, agradeçamos a deus que nos deu a capacidade de agir erroneamente e por essa razão deu-nos a liberdade de escolher o reto.Vamos inspecionar a nós mesmos com cuidado, observando nossas emoções que agitam nossos corações e os pensamentos que correm em nossas mentes.Vamos aprender a bondade do coração do próprio coração e a bondade da mente dela própria. A consciência é uma santidade natural. É o juiz das ações e segue a lei interior escrita por Deus na alma.
A história (alegórica) de Adão e Eva é na verdade a história de como a raça humana ganhou sua liberdade: por comer o fruto da arvore do conhecimento, Adão e Eva tornaram-se seres humanos maduros e responsáveis por suas ações.
A sociedade humana é como uma teia de aranha. Se você puxa um pequeno fio da teia, o formato de toda ela muda. Se más ações cessarem, o coração e a alma mudarão eventualmente. A pessoa não mais terá pensamentos nem emoções ruins, e ao contrario, sentirá amor e compaixão para com os outros.
Quando seguimos os passos de Cristo, o caminho vai se tornando difícil e irregular. No começo alcançamos muitas virtudes que são fáceis para nós, mas depois devemos obter outras que são muito mais difíceis. Seremos tentados a retroceder, mas isso significaria darmos as costas para Cristo.Uma vez começado o caminho, devemos continuar até atingirmos o fim que é o paraíso.
Não é preciso muito para ver que a santidade está entre aqueles combatidos por esse falso santo.

Que belos ensinamentos os de mani, dos neoplatônicos e de Pelagius!!! Seu ‘defeito’ , serem semelhantes aos ensinamentos dos primitivos gnósticos.
E Simão o Mago, o discípulo de Jesus mais odiado pela Igreja (que criou histórias para desqualificá-lo) era chamado por ela própria de “Pai dos Gnósticos”.E a discípula que a igreja fez tanto esforço em queimar, Madalena, era uma das mais admiradas e respeitadas nos círculos gnósticos.
Enquanto isso Temos esse “Santo” que virou santo de tanto a mãe rezar para ele não queimar no inferno (que coisas horríveis deve ter feito!) Que traiu os maniqueus por questões de orgulho e poder. Que escreveu inúmeras páginas sobre o que é Deus (como se ele fosse capaz de dizer), destruindo a contemplação mistica. Que causou indiretamente a morte de milhares de monges cristão-celtas e a ruína do cristianismo gnóstico na Bretanha.
Muitas palavras de Agostinho são belas, mas há coisas mais belas para se ler. O ‘santo’ Agostinho tem em suas costas o titulo de traidor...
1) - Plotino, (205- 270), Natural de Licopólis, Egito, foi discípulo de Amônio Sacas por 11 anos e mestre de Porfírio, que nos legou seus ensinamentos em seis livros de nove capítulos cada chamados de As Enéadas.
2) - Jâmblico, nasceu em Cálcia, na Síria, em meados do século III. Estudou a magia dos caldeus, a filosofia de Pitágoras, de Platão, de Aristótelese de Plotino.Ao tomar contato com o Neoplatonismo, viajou para Roma para estudar com Porfírio.
3) Pélagius, monge bretão, 350- 423. Nasceu na Grã-Bretanha. Estabeleceu-se em Roma por volta de 405, depois viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça, Da natureza e Do livre-arbítrio