Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.

A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa e Crística, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.


Os Cristãos Gnósticos constituíram, nos primeiros anos dessa nossa era, uma comunidade fechada, iniciática, que guardou os aspectos esotéricos dos evangelhos, principalmente das parábolas do Mestre Jesus, o Cristo, apresentando um cristianismo muito mais profundo e filosófico do que daqueles cristãos que ficaram conhecidos como a ortodoxia.
Os primeiros gnósticos foram os discípulos mais internos, próximos, avançados do Mestre Jesus também chamados Ophitas: Simão (o Mago), Madalena, João, Tiago, Mateus, Marta, Tomé, Filipe, Salomé. Entre os gnósticos havia a participação ativa e não discriminada de mulheres. Outros que seguiram essa linhagem de ensinamento: Mani, Cerintho, Paulo, Menander, Saturnilo, Silas/Silvanus, Priscila, Euphrates, Marcion, Amônio Saccas, Basílides, Valentino, Carpócrates, Bardesanes, Monoimus, Cerdo, Theodotus/Panteno, Ptolomeu, Heracleon, Philon, Hipatia, Porfírio, Jâmblico, Clemente, Orígenes, Proclo, Dionísio Areopagita.

Gnosticismo: Movimento que originou-se na Ásia Menor, difundindo-se da região do Irã à Gália, exercendo a sua maior influência sobre o cristianismo. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo. Utilizando-se dos ensinamentos mais avançados e internos de Mestre Jesus, espalhou-se entre os séculos I a.C. e III d.C., especialmente pela Galiléia, Síria, Egito, Armênia e regiões da Grécia e Palestina. Havia uma ampla difusão destes textos naquelas regiões e essa visão de mundo era bastante disseminada. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo

"Herege", em grego selecionador, heresia vem do grego haíresis e significa escolha, seleção. Hereges eram chamados antigamente os cristãos (gnósticos) que selecionavam a verdade do meio dos erros, os outros aceitavam cegamente tudo, verdades e erros, como bem ensinou o Apóstolo Gnóstico Paulo: "Examinai tudo e ficai com que é bom"

A Falsa gnose de samael saw:
http://anubysp.blogspot.com.br/2013/04/a-falsa-gnose-de-samael.html





segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tratado de Reintegração dos Seres - Martinez de Pasqually


Como todos os esoterismos, a doutrina Martinista, tal como foi definida por Martinez de Pasqually em seu "Tratado da Reintegração dos Seres", recorreu necessariamente ao exoterismo para expressar as verdades metafísicas, pouco compreensíveis e difíceis de expressar em razão de sua natureza.
É assim que a doutrina Martinista encontra-se relacionada de maneira integral com a Tradição Ocidental e, muito especialmente, com a corrente Judaíca-Cristã.Com respeito ao problema da Causa Primeira (Deus), o Martinismo faz suas, as conclusões a que haviam chegado os teólogos cristãos e os Cabalistas hebreus, pelo menos no que diz respeito aos princípios sobre os quais estão de acordo e tem estado sempre as diversas escolas: ternário Divino, pessoas Divinas, emanações, etc..
Quanto ao resto, é mais particularmente gnóstica (ainda que apresentando esta tese sob uma forma diferente das escolas conhecidas com esta denominação), já que faz presente, em princípio, a necessidade igual de Conhecimento e de Fé e a circunstância de que a Graça deve, para operar completamente, ser completada com ação, com a inteligência e com a compreensão e a liberdade do Homem.


Por estes diversos motivos é que Martinez de Pasqually apresentou o esoterismo de sua Escola sob o aspecto da tradição judaica-cristã. Esta lenda, cujo autor certamente foi o Mestre, baseou-se em documetnos tradicionais, propriedade de sua família, depois que um de seus avós, membro do tribunal da inquisição, os havia colhido dos hereges árabes e judeus, na Espanha. O conjunto destes documentos, era formado por manuscritos em latim, cópias de originais árabes, derivados mesmo, de clavículas hebraicas.

Seja como for, iremos tentar aqui apresentar um resumo do "Tratado da Reintegração dos Seres", obra tão rara como pouco clara para quem não esteja perfeitamente ao corrente das tradições gerais em que se inspirou:
O Mundo, considerado como um "domínio material", submetido a nossos sentidos e as "regiões espirituais" do Invisível, não constituem a obra de Deus, considerado como o Absoluto. É o próprio Evangelho de São João que nos assinala:
"No princípio (quer dizer, no começo dos Tempos, ou seja, daqueles períodos em que se manifestam os seres relativos), era o Verbo" (o Logos, a Palavra Divina)."O Verbo estava com Deus ..." (expressão literal mais apropriada)."O Verbo era Deus ... (não Deus com maiúscula. O texto grego não levava artigo. O Verbo é pois, um dos"Elohim", quer dizer: um dos filhos de Deus ( ); esta palavra "Elohim" significa em hebreu "Eles, os deuses" assim também o assinala e sublima o Abade Loisy, em seu "Quarto Evangelho").



"Todas as coisas foram feitas por ele; e sem ele nada do que foi feito se fez" ... (São João 1, 3).É a este Logos que a Cabala denomina Adam Kadmon; (de acordo com todas as tradições religiosas da antigüidade); ele cria os seres inferiores por meio de sua palavra, designando-os, nomeando-os, chamando-os (entende-se à "vida real e manifestada"):"E Adão colocou nome em todos os animais e aves dos Céus e em todos os animais do campo; mas para o Homem, não achou ajuda que fosse idônea para ele..." (Gênesis: 2, 20).Estes "animais dos campos", estas "aves dos Céus" não são os seres comuns que conhecemos com estes nomes. Com um sentido esotérico denomina-se, dessa maneira, às criaturas que são inferiores ao Homem-Arquétipo e que povoam os "planos" ou mundos do Invisível, regiões espirituais às quais já fizemos alusões anteriormente.Com respeito a esta criação, Deus serve-se de um intermediário. Isto nos confirma o Capítulo 1º do Gênesis (1, 2, 3), que nos diz: "A Terra (a matéria primordial, o Caos) era informe e vazia e o Espírito de Deus movia-se sobre as Águas" (o nous Egípcio, ou seja, o elemento mais sutil desta Matéria). O Termo "Espírito de Deus" está escrito com maiúscula, designando-se dessa maneira um Espírito diferente de Deus; de nenhuma maneira se alude desta forma a Deus, o que constituiria um absurdo, pois, Deus é necessariamente, em si mesmo, espírito. O Gênesis não nos diz que "Deus se movia sobre as Águas..."É por isso que, mais adiante, nos diz que "Deus, o Eterno, tomou, pois, o Homem e o colocou no Jardim do Éden, para que o cultivasse e o cuidasse..." (Gênesis 2, 15).
O dito Jardim é um símbolo que significa o Conhecimento Divino, acessível aos seres relativos. Com efeito, a Cabala, ou tradição secreta, pode ser designada, com freqüência, como o "Jardim" místico. Em hebreu jardim ou campo se pronuncia guineth, palavra formada pelas três letras seguintes: d, b, , (Gimel, Num, Tau ou Tav) e que constituem as iniciais das três ciências secundárias que são as chaves da Cabala: a Gematria, o Notaricon e a Temurah.
O Homem Primitivo, referido pelo Gênesis em seu relato exclusivamente simbólico, não é um ser de carne, semelhante em sua forma a nós, mas um espírito emanado de Deus, composto de uma "forma" (à qual o Gênesis chama "Corpo" porém, semelhante ao "Corpo Glorioso" que definiram os teólogos, criado pelo Deus eterno, e composto, por outra parte, por uma centelha animadora, que é integralmente Divina, já que o Gênesis nos dia que foi o Alento mesmo de Deus.
Nosso Homem-Arquétipo, é pois, semi-Divino. Por uma parte saiu da Matéria Primordial (do Caos composto de Terra e de Água, para falar simbolicamente), no que diz respeito a sua "forma"; por outro lado, é uma emanação de Deus, já que é o alento Divino que o anima (o dito alento provém de Deus mesmo).Adão e o Verbo Criador são parecidos, uma vez que o Homem-Arquétipo continua, no simbólico Jardim do Éden, a obra começada pelo Espírito de Deus.
Em conseqüência, este Verbo Criador e o Verbo Redentor são diferentes.É indiscutível que o Cristo (a quem Martinez denomina O Reparador) é Deus por sua origem e homem por sua encarnação. A teologia o demonstrou. Porém, assim como o menino de dez anos e o ancião serão mais tarde um só e mesmo ser (embora com características e aspectos diferentes) ... existe entre eles absoluta continuidade de consciência, apesar de não existir semelhança no aspecto ou em suas reações inferiores.Da mesma maneira, a alma que animou um corpo humano em uma encarnação, será idêntica a si mesma vinte séculos depois animando outro, embora sejam duas manifestações diferentes. Essa identidade existe, mesmo que as manifestações sejam diametralmente opostas, em razão da manifestação exilatória, conhecida pelo vocábulo "Carma".

Paralelamente a Adam Kadmon (o Homem Arquétipo ou Cósmico), existiam outros seres gerados em sua criação anterior; diferentes por sua natureza e pelo plano em que habitavam, tinham relação com a que nos explica a tradição contida no Gênesis. Esta Criação anterior se denomina Angélica, à qual também se referem outras Tradições e teologias. Trata-se de duas criações diferentes que estão subentendidas pelo Gênesis em seu primeiro versículo:
"No começo, Deus criou o Céu e a Terra". Imediatamente o Gênesis deixa de lado a primeira Criação (sobre a qual parece que Moisés não possuía maiores conhecimentos) e passa a referir-se à segunda:
"A Terra era informe e vazia, as Trevas cobriram a superfície do abismo ..." (Gênesis 1, 2).
Outros elementos da Tradição Judaica-Cristã nos ensinam que os seres desta criação primitiva (simboliza pelo Céu), quer dizer, os Anjos, dividiram-se em duas categorias, os Anjos fiéis e os Anjos rebeldes, depois de uma prova feita por Deus.Isto nem sempre foi bem compreendido. Deus, princípio de infinita perfeição, não poderia tentar os Anjos depois de sua emanação, nem afastá-los depois de sua involução. Muito pelo contrário, certas entidades, uma vez chegadas ao fim da Missão para a qual Deus as havia emanado (quer dizer, uma vez liberadas, ou seja, dotadas de livre arbítrio, necessariamente) recusaram reintegrar-se no Absoluto, conforme correspondia com o plano Divino, fonte do Soberano Bem. Em conseqüência, preferiram o momentâneo, perecível e ilusório em relação ao Ser Eterno, real e imperecível. Preferiram viver fora de Deus antes que reabsorver-se Nele e beneficiar-se, desta maneira, com suas perfeições infinitas. Portanto são estas entidades as que se afastaram momentaneamente de Deus, em virtude de um ato livre, ainda que errado.
Não foi o Absoluto que as afastou injustamente, nem foi o Absoluto a causa de seu exílio. Disto se conclui que o retorno posterior e sua redenção são possíveis quando essas entidades caídas quiseram voltar e seguir o caminho da Divindade.Porém, enquanto não se realiza este retorno à Luz, à Verdade Imanente devido às suas atitudes egocêntricas, esses seres permanecem: rebeldes (em relação à oferta Divina primitiva e permanente); extraviados (uma vez que saíram do curso de seu legítimo destino); perversos (já que vivem fora do Soberano Bem) e, em conseqüência, atolados no mal.Toda coisa corrompida tende, por sua natureza, a corromper o que é são. E isto ocorre com maior razão no domínio dos seres espirituais do que no reino dos corpos materiais, uma vez que naqueles misturam-se a inveja (ou consciência, apesar de tudo, de uma real inferioridade), o orgulho (ou vontade de dizer a última palavra) e a inteligência (diminuída, porém operando em proporção máxima em seus erros).É por isso que a Tradição nos ensina que o conjunto dos seres espirituais perversos (ou Egrégoras do Mal) sentiu ciúmes do ser perfeito, o Adam Kadmon, superior a eles e imagem de Deus, do qual pretendiam subtrair-se estas entidades caídas.Estas entidades atuaram, pois, sobre Adam Kadmon, incitando-o a passar para além dos limites de suas possibilidades naturais.
Ser místico por sua natureza, meio espiritual e meio formal, no qual se interpenetravam mutuamente Forma e Espírito, o Homem-Arquétipo devia conservar uma certa harmonia, um equilíbrio necessário no lugar onde Deus o havia colocado. Devia zelar pela manutenção desta condição e trabalhar no sentido de continuar a empresa deste Espírito de Deus, do qual era reflexo, o dirigente, o celeste ...
O Adam Kadmon estava destinado a desempenhar este papel de Arquiteto do Universo; embora fosse um Universo mais sutil do que o nosso, tratava-se daquele Reino que não é deste mundo e do qual falam os Evangelhos.
Sob a influência das Entidades metafísicas perversas, o Homem-Arquétipo transformou-se em um Demiurgo independente. Renovando sua falta, modificou e perturbou as leis que tinha obrigação de conservar e observar. Pretendeu, de maneira rebelde, fazer-se por sua vez, criador e igualar-se por suas obras a Deus. Porém, seu único êxito foi modificar seu destino primitivo.
Aqui nos deparamos com duas lendas paralelas e idênticas a de Lucifer, o primeiro dos Anjos e a de Adam, o primeiro dos Homens. Pode ser desta Tradição que derive o costume de consagrar aos deuses ou a Deus as primícias de uma colheita ou o primeiro dos animais de um rebanho. É indubitável que na história simbólica da Humanidade, e conforme nos refere o Gênesis, todos os primogênitos: Caim, Cham, Israel, Esaú, etc., estão misteriosamente marcados com um destino contrário.
Enquanto Deus, em suas infinitas possibilidades pode conseguir qualquer coisa do Nada, o Homem, criatura limitada em suas possibilidades, o que pode fazer é modificar o que já existe, sem poder extrair coisa alguma do Nada.O Homem-Arquétipo, desejando criar seres espirituais, da mesma maneira como Deus havia criado os Anjos, não fez mais do que objetivar seus próprios conceitos. Desejoso de proporcionar-lhes corpo, não pode fazer outra coisa que integrá-los na Matéria mais densa e grosseira.
Querendo animar o Caos (as Trevas Exteriores), da mesma maneira como Deus havia animado o mundo metafísico que primitivamente lhe havia confiado, nada mais fez do que afundar-se em areia movediça.Com efeito, Deus sendo, no sentido mais absoluto da palavra "Sou o que sou", disse a Moisés sobre o Sinai, deve ser preexistente ao Nada. Para criar a matéria primitiva, Deus simplesmente separou uma parte de suas infinitas perfeições de uma porção de sua essência infinita. Esta retirada parcial da perfeição espiritual mais absoluta conduziu, inevitavelmente, à reação traduzida em uma imperfeição material e relativa. Isto explica porque a Criação, qualquer que seja, não pode jamais ser perfeição.
É necessariamente imperfeita pelo fato dela não ser de Deus.Imitando o Absoluto, Adam Kadmon pretendeu, pois, criar sua matéria primordial. Por tratar-se de um alquimista inexperiente, encontramos aqui a origem de sua Queda.
O Homem-Arquétipo é um ser andrógino. Nos diz o Gênesis (Cap. 1, 27 e 28): “E criou; homem e mulher os criou”. É este elemento feminino, que Adam vai jogar fora de si mesmo. É o lado esquerdo, feminino, passivo, lunar, tenebroso, material o qual ao separar-se do lado direito, masculino, ativo, solar, luminoso, espiritual, dará nascimento à Eva.
A Mulher-Arquétipo foi, pois, extraída de um dos lados do Andrógino e não de uma de suas costelas ... (Todas as religiões antigas conheceram um ser Divino, original, que era masculino e feminino).Assim nos expressa o Gênesis (Cap. 2, 23 e 24):“E disse Adam: Isto é agora osso dos meus ossos e carne de minha carne (ele conserva o Espírito, a alma), esta será chamada Mulher, em hebraico Isha porque do homem foi tirada, em hebraico Ish.”É nesta matéria nova, na Eva do Gênesis, a mulher simbólica, a quem Adão penetra para criar a Vida. O Homem-Arquétipo degradou-se, pois ao tentar igualar-se a Deus.
Seu novo mundo ou domínio foi chamado Mundo Hylico pela Gnosis, nosso universo material, mundo cheio de imperfeições e de males. O pouco de bom que nele existe provém das antigas perfeições do Homem-Arquétipo. Uma vez que se dividiu em dois seres diferentes, a soma das ditas perfeições originais não pode ser total em cada um deles ... daí, pois a Queda.Aqui en­contramos a razão pela qual os antigos cultos haviam deificado a Natureza, que é a Mãe de tudo o que é.
Porém, com respeito a tudo o que é “abaixo dos Céus” ..., Isis, Eva, Demeter, Rhea, Cybeles, não são mais do que símbolos da Natureza material emanada de Adam Kadmon, personificadas pelas Virgens Negras, símbolos da Matéria Prima.A essência superior de Adam Kadmon, integrada no seio da nova Matéria, é o Enxofre, expressão alquímica que designa a alma do mundo. A segunda essência, o mediador plástico, aquele que constituía a forma de Adam, seu duplo superior, sobreveio do Mercúrio, outra expressão alquímica que designa o Astral dos ocultistas, o plano intermediário. A Maté­ria, saída do Caos segundo é o Sal alquímico, o suporte, o receptáculo, a prisão.
Paralelamente, podemos dizer que Adam é o Enxofre, que Eva é o Sal e que o Caim do Gênesis é o Mercúrio desta trindade simbólica, termos que a Alquimia também co­nhece com as denominações de Rei, da Rainha e do Servidor dos Sábios...É possível conceber, então, porque em todos os seus graus a Matéria Universal seja algo vivo, como o admite a antiga e a moderna química e como, em suas manifestações, pode ser mais ou menos consciente e inteligente.Através dos quatro mundos da Natureza: mineral, vegetal, animal, hominal (entre os quais não existe nenhuma solução de continuidade), está o Homem-Arquétipo, o Adam Kadmon, a inteligência Demiúrgica primitiva, manifesta, dispersa, disseminada, aprisio­nada. Daí aquele revestimento de “peles de animal” que se refere o Gênesis: E Deus deu ao homem e sua mulher túnicas de pele e os revestiu”... (3, 21).
Este novo universo Divino, igualmente o refúgio das Entidades caídas, que se refugiaram nele para esconderem-se ainda mais do Absoluto, na quimérica esperança de esca­par das leis Eternas, presentes em tudo.Tais entidades caídas têm, pois, um interesse primordial em que o Homem, dis­perso, mas presente em todas as partes da Matéria, que constitui o Universo visível, continue organizando e animando este domínio, que mais adiante será de propriedade deles.
Como a alma do Homem-Arquétipo ficou aprisionada na Matéria Universal, também assim a alma do homem individual se encontra prisioneira de seu corpo material.A Força, a Sabedoria, a Beleza que se manifestam ainda neste mundo material, constituem os esforços do Homem-Arquétipo para voltar a ser o que era antes de sua Queda.
As qualidades contrárias constituem a manifestação das Entidades caídas, manifestações desti­nadas a manter o clima que desejaram criar para subsistir, tal qual o quiseram, quando delibe­radamente interromperam seu retorno até o Absoluto.Porém, o Homem-Arquétipo não voltará a tomar posse de seu primitivo Es­plendor e de sua liberdade, senão separando-se da matéria que o absorve por toda parte. Para ele, é necessário que todas as células que o formam, quer dizer, os homens individualmente considerados, possam depois de sua morte natural, reconstituir o Arquétipo, reintegrando-se definitivamente nele e escapando, desta maneira, ao ciclo das reencarnações.
Então, os microcosmos farão o Macrocosmo, os Homens individuais, reflexos materiais do Arquétipo, são pois, igualmente, reflexos Divinos (mesmo que inferiores alguns escalões). Da mesma maneira, o Arquétipo é, também, o reflexo de Deus, do primitivo Verbo Criador ou Logos, do Espírito de Deus do qual fala o Gênesis.
É correto referir-se a ele, então, como o Grande Arquiteto do Universo. Todo o culto de adoração dirigido a este último é, pois, um culto satânico, já que é dirigido ao Homem e não ao Absoluto. É por isso que a Maçonaria o invoca, porém, sem adorá-lo.Para escapar ao ciclo das reencarnações neste mundo infernal, (in-ferno: lugar inferior) é necessário que o Homem-individual se liberte de tudo que o atrai para a Matéria e se desprenda, desta forma, de escravidão a que é submetido pelas sensações materiais.
Ainda as­sim, é preciso elevar-se moralmente. Contra esta tendência para a perfeição lutam as Entidades caídas, tentando-o de mil maneiras, com o propósito de atrai-lo ao seio de Mundo invisível e manter oculta a influência que exercem sobre ele.É contra elas que deve lutar o Homem-individual, desmascarando-as e expul­sando-as da esfera de sua existência. Isto se consegue, de uma parte, mediante a Iniciação que o une aos elementos do Arquétipo já reunidos e reintegrados, o que exotericamente se designa com o nome de Comunhão com os Santos; e, por outra parte, através do conhecimento liber­tador, que lhe ensina os meios de apresentar a libertação pessoal definitiva e da Humanidade enceguecida, valendo-se do trabalho pessoal.
Então, quando houver esta libertação individual, dar-se-á a grande libertação coletiva, aquela que por si só permitirá a reconstituição do Arquétipo e logo sua reintegração no seio da Divindade, da qual emanou primitivamente.Abandonado por si mesmo por seu animador, o Mundo da matéria dissolver-se-á, ao ficar sem a vida, harmonia e direção do Arquétipo. Sob a pressão naturalmente anárquica das Entidades caídas, esta desagregação das partes do Todo irá se acelerando. Então, o Uni­verso terá chegado ao seu fim; este será o fim do mundo, anunciado pelas tradições universais.“Da mesma maneira que um livro cuja leitura termina, terminarão o Céu e a Terra...”
A Essência Divina recuperará, então, gradualmente, o acesso àquelas regiões próprias de sua essência e das quais se havia separado primitivamente. As ilusões momentâ­neas chamadas com os nomes de criaturas, seres, mundos, desaparecerão. Porque Deus é o Todo e o Todo está em Deus, ainda que o Todo não seja Deus!
O Absoluto nada extraiu de um Nada ilusório, que não poderia existir fora D'Ele sem ser Ele próprio.Só este desprendimento da essência Divina é que permitiu a Criação dos Mun­dos Angélicos, materiais, etc., assim como é o desprendimento ou retratação desta mesma es­sência que permitiu a emanação dos Seres espirituais.
Desta maneira, realizar-se-á a simbólica Vitória do Bem sobre o Mal, da Luz sobre as Trevas, pelo simples retorno das coisas até o Divino, mediante uma reassimilação dos seres, purificados e regenerados.



Tal é o desenvolvimento esotérico da Grande Obra Universal.Martinez de Pasqually consignou suas teorias iluministas através de graus, em número de nove, em sua Ordem dos Elus Cohen. O sistema deste Rito, combina com as teorias expostas no Tratado da Reinte­gração abrangendo a criação do primeiro homem, seu castigo e as penas do corpo, da alma e do espírito daquele que estava em prova. O propósito a que se propõe a Iniciação é regenerar o homem, reintegrando-o em sua essência primitiva e nos direitos que perdeu por sua queda.





Divide-se em duas partes.Na primeira, o candidato não é, aos olhos daquele que o inicia, mais que um composto de barro e lama e não recebe a vida senão com a condição de não provar do fruto da Árvore da Ciência.O Neófito promete cumpri-lo, porém, sente-se seduzido, quebra sua palavra e por isso é castigado e lançado nas chamas. No entanto, se por meio de trabalhos úteis e de uma vida exemplar e virtuosa, repara sua falta, renasce para uma vida nova.Na segunda parte, o candidato se encontra animado de um sopro Divino, está apto para conhecer os segredos mais ocultos da natureza, a Cabala, a alta quí­mica e a Ciência dos seres incorpóreos lhe são muito familiares.

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