Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.

A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo

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Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Budismo Tibetano Vajrayana e algumas recomendações.

Rinpoche e Lama são títulos no Budismo tibetano.
Cada um desses títulos quer dizer uma coisa em particular.
Todo Rinpoche é um Lama. Nem todo Rinpoche ou Lama é um monge.
Nem todo monge é Lama, muito menos Rinpoche.
Rinpoche significa "precioso", e é alguém que é um professor do dharma por várias vidas.
Lamas são professores, e monges são pessoas que tomam certos votos.
Rinpoches são tulkus entronizados, isto é, que passaram pelo treinamento e recebem seus bens e alunos da vida passada.
Como uma pessoa vem a ser chamada de Lama varia bastante, algumas tradições exigem que certos pré-requisitos sejam completados (um retiro de 3 anos), outras apenas uma nomeação por parte do professor é suficiente.
Monge vem de "monos", que quer dizer "sozinho". O caminho monástico implica o celibato e uma série de outros votos que visam simplificar a vida do praticante.
Algumas pessoas conseguem se manter imparciais perante seus objetos de desejo, estas talvez não precisem tomar votos monásticos.
Outras pessoas seriam incapazes de manter os votos monásticos, mesmo que não sejam isentas, então essas praticam o que conseguem praticar.
Os professores em todas as formas de budismo podem ser monges ou não.
Nem todo monge é um professor, nem todo professor é um monge.
Um Lama é um professor do budismo tibetano que demonstrou realização em pelo menos alguma prática e tem, por isso, uma qualificação muito maior em ensinar sobre aquilo. Seu ensinamento é, portanto, considerado muito mais efetivo.
Todos no budismo praticam para se tornarem budas, sejam monges ou não.
Nós consideramos Lamas aqueles que são exemplos consumados da prática, e monges aqueles que seguem os votos.
Ser monge facilita, mas não garante, progresso espiritual. Também ajuda, mas não garante que a pessoa se torne um professor.
O único caminho para se tornar um exemplo, é se tornar um exemplo: fazendo boa prática.
Não devemos buscar um título, mas nos tornar um bom exemplo.
É importante assinalar que praticar para obter um título é materialismo espiritual.
Pratica-se para revelar as qualidades, e atingir o estado de Buda para benefício de todos os seres.
Alguns grandes bodisatvas permanecem praticantes secretos, sem título algum, sem reconhecimento algum, sem nenhum tipo de reconhecimento público, ou mesmo fama mundana, por toda sua vida.
Quem tomamos como Guru/Lama ou amigo espiritual, ou quem pode nos ensinar o dharma, depende exclusivamente de nós mesmos. Se vemos alguém como um Buda ou quase Buda, ele é um Lama/Guru.
Quando ela é capaz de dizer "entre o Buda e essa pessoa, para mim não faz diferença" então ela encontrou um Lama.
A iluminação é exatamente o poder de autorreconhecimento da iluminação em outras palavras, a única diferença entre seres sencientes comuns como nós e os Budas é que eles reconheceram sua verdadeira natureza, e nós vivemos no auto-engano das aflições mentais, em particular a crença e apego a um eu.
Estar livre do samsara é bastante anterior à iluminação.
Iluminação é estar livre de samsara e nirvana. Para se encontrar livre do samsara basta não possuir aflições mentais, ou qualquer das forças latentes que produziriam aflições. Em geral há um reconhecimento quando isso ocorre, e este é o estado de Arhat, não iluminação.
Se a palavra Lama for interpretada como "compaixão superior", todos os Lamas que fazem jus ao título seriam Bodisatvas. É claro que os alunos, de toda forma, não devem vê-lo apenas como um bodisatva, mas como um Buda.
Se não houver um Buda ensinando, não há ensinamento do Vajrayana.

Como se comportar diante de um Lama no Budismo Tibetano, no templo ou sala de instruções, ainda que muitas das sugestões sejam poucas observadas no ocidente.
“A respeito do Lama, há muitas diferentes recomendações tradicionais.
Quando o Lama entrar manter-se de pé até que ele se sente. Para todos aqueles que tem votos de refugio recomenda-se que se faça as prostrações.
Aguardem sua chegada de pé nunca sentado, ao constatar sua presença adote postura de reverência (palmas mãos unidas e leve cabeça levemente curvada) e não obstruam o caminho; quando ele vem, abrimos espaço.
Dizemos: não caminhe na frente do Lama, não bloqueie o caminho ou fique conversando e bloqueando a passagem.
Visitantes e pessoas que não tem refugio pede-se que demonstrem atitude de respeito ao Lama permanecendo em pé até que o Lama tenha sentado.
Se adentrar a sala depois do Lama faça as prostrações.
Não coloque os textos litúrgicos, livros budistas, fotos das Deidades, fotos de Lamas no chão. Preces, textos e livros do Dharma são considerados sagrados. Não devem nunca ficar no chão ou sob objetos.
Deve-se tirar os sapatos para entrar no templo, não se deve pular as mesinhas, não se deve apontar os pés em direção ao Lama, altar e objetos sagrados.
Sempre sente-se abaixo da altura do assento do Lama, exceto pessoas que tenham restrições físicas.
Falar ou teclar no celular, nem pensar.
Não devemos interromper a fala do Lama, jamais se ausentar do templo ou da sala de instruções, sem autorização com o Lama instruindo. Não dar as costas para o altar ao sair da sala.
Perguntas referentes ao ensinamentos devem ser feitas somente ao final de cada prática se o Lama abrir a palavra a perguntas.
Devemos nos dirigir ao Lama com gentileza, respeito e atitude adequada.
Devem-se evitar algumas atitudes tradicionais da nossa cultura como: abraçar, beijar, fazer brincadeiras de humor, questionamentos fora de assuntos relacionados ao Dharma.
Evitar fazer comentários sobre outros Lamas, Escolas, Tradições e Religiões; falar de política ou criticar qualquer pessoa ou atividades. Lembre-se é um lugar de silencio, recolhimento, praticas altruístas, meditação e estudos.
Respeitar o silêncio do outro e sua privacidade. Nos intervalos o Templo pode ser usado para meditação, praticas pessoais e estudos individuais. Não permaneçam dentro para conversas, dormir, fazer uso da Internet ou fotos.
Claro que tudo isso faz sentido como uma forma de respeito à origem dos ensinamentos.
Se os consideramos importantes, é natural que revelemos sem descuidos essa conexão.
Esse é o ponto.
É natural que entendamos que os Lamas são fonte de refúgio.
Por isso é fundamental que não diminuamos o Lama, no sentido de pensar que temos coisas mais importantes ou dispersão na mente, e deixemos de dar atenção a esse fato.
Todas as atenções ao Lama têm esta origem.
Estas são as recomendações básicas em uma sala ou convívio.”
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos sagrados!