Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Se você está numa praia e enche a mão de areia.
Esse tanto de areia em relação à areia da praia é a proporção de felizardos que têm contato direto com os ensinamentos budistas.
Se você abre a mão e deixa cair a areia, os grãos que sobram são os que estão envolvidos com a escola Mahayana.
Depois de bater as mãos para tirar a areia que resta, não sobra quase nada.
Esses últimos grãos, que quase não se vê, são os estudantes do budismo Vajrayana, raros e preciosos.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.

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Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.


A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

AGOSTINHO - MANIQUEUS - GNOSIS


Agostinho nunca foi santo. Há uma ‘piada’ sobre ele que diz que ele ‘virou santo’ de tanto que sua mãe rezou para ele não ir para o inferno. Ele virou santo porque, sendo ‘diabólico’ demais, fez sua mãe rezar a vida toda por ele. Assim se fez o santo.Também virou santo por ter abandonado a mãe e a namorada grávida.E a mãe rezava pela pobre alma do filho.
Ainda jovem agostinho interessou-se pelos ensinamentos Maniqueus. E se associou a eles no Egito.Os grupos maniqueus, seguindo o molde da escola de Pitágoras e dos Essênios, dividiam-se em três níveis. Contam os relatos que Agostinho nunca passou do primeiro nível e, dado sua ambição desenfreada que não aceitava não participar do segundo, foi convidado a se retirar do grupo.

Nessa mesma época um dos padres da Igreja Católica primitiva o convidou para exercer um alto cargo nessa instituição. O preço a pagar, relevar o que sabia sobre os maniqueus e escrever contra eles. Foi o que Agostinho fez. Sua ambição gratificou-se com o convite de exercer um ‘alto cargo’. Assim, ele aceitou. E passou a ser um dos combatentes aos gnósticos de mani.
Mani foi um preservador da tradição gnóstica. Com a morte de Mestre Jesus, o Cristo, os discípulos se separaram em dois grupos, e fugiram. Um, como bem sabemos, o maior, seguiu para o Egito (onde escolas gnósticas floresceram nas décadas seguintes), seguindo depois para o porto de Marselha, na França. Tal é o motivo de Maria Madalena ser tão venerada na França, e Tiago ter seu famoso ‘caminho’. Tal é o motivo das historias britânicas estarem estritamente relacionadas a José de Arimatéia e assim por diante.
Do outro lado temos o grupo de Tomé, Simão o Mago, Matheus... que sobe para as regiões da Síria, onde pequenos núcleos de buscadores da gnosis serão formados. Décadas depois a Síria estará entre as regiões visitadas por Apolônio de Tyana e o gnóstico Paulo.
Aliás, a Síria sempre foi objeto de grande interesse espiritual, séculos depois é para a Síria que os Templários se dirigem em busca dos Mistérios, e é igualmente para a Síria que Christian Rosenkrantz, o pseudônimo do fundador dos rosacruzes, se dirige, e lá encontra o seu ‘livro secreto’, e um ‘augusta fraternidade’.

Coincidência ou não, é impossível ignorar a importância dessa região, algo, sem dúvida, devia haver lá.Então, esse segundo grupo de discípulos se dirige para lá. Há relatos que sugerem que Tomé teria passado um tempo lá e retornado para a Índia (como indica o Hino da Perola, que é simbólico, mas usa de base a historia de um príncipe que veio do Oriente). Curiosamente esse ‘Hino da Pérola’ (Ou ‘Hino da veste de glória’) vai ser divulgado a partir de escolas na Síria.

Entre a ‘coleção’ de textos divulgados pela escola da Síria, está o dito Hino, e também os escritos de Tomé, cópias do Evangelho de Tomé se preservaram graças a esses gnósticos antigos.Além do Evangelho de Tomé, temos o ‘Livro de Tomé’ redigido por Matheus enquanto Jesus conversava com Tomé, segundo consta o próprio livro. Esses textos são divulgados mais tarde principalmente por um gnóstico chamado Bardesanes, na Síria. Bardesanes não é nada menos que o avô de Mani.
Portanto é nesse contexto gnóstico de Hinos da veste de glória e Evangelho de Tomé que Mani, o Profeta da Luz, é educado. Mani, jovem e inspirado, ignorou ingenuamente o perigo que vinha do oeste e ensinou abertamente; logo, os atentos olhos da oposição, a Igreja que se formava em Roma, viram em Mani um problema. Assim o maniqueísmo passou a ser combatido. Seu ensinamento profundo e espiritual atraia muitas pessoas, como o fez com Agostinho. Com isso, a Igreja viu em Agostinho a possibilidade de um crítico que esteve entre os maniqueus.
Mas o que ensinam esses maniqueus que rejeitaram a ânsia por poder de Agostinho e foram tão perseguidos? Ensinam:
• A fonte do Bem está na 'região da Luz'.
• O Rei da Luz é a Árvore da Vida. Eu assimilei a Lei da Luz. Eu sou Mani, o Apóstolo de Jesus, o Amigo da Luz.
• A Mente-Luz (Cristo) é o que desperta aqueles que dormem.

• No homem em quem a Mente-Luz está, sua é a Sabedoria.
• A Mente-Luz (a Mente Iluminada) é o Sol dos corações, a Senda dos que buscam, o Pórtico dos tesouros da Vida.
• Bem-aventurado é aquele que foi iniciado nesta Gnosis Divina.
• Eu encontrei a Terra da Luz. Eu fiz meu caminho para a Cidade dos Deuses.
• Eu tornei minha alma limpa – sou um servo de Deus [eu sou um Nazareno].
• Vocês são filhos do Dia e filhos da Luz. Jesus tem me auxiliado e ele poderá auxiliar vocês. Ele poderá dar-nos sua Compaixão.
• De tempos em tempos a Sabedoria envia os Mensageiros de Deus. Em idades após idades estes Mensageiros têm sido enviados pelo eterno rei da Luz [Zrwan]: Seth, Zoroastro, Buddha, Christos. As primitivas religiões foram verdadeiras enquanto puros líderes estavam nelas.
• A presente revelação, esta profecia desta última idade, veio para a Babilônia através de mim, Mani, para as outras escolas e para as outras heresias. Para cada uma delas eu mostrei que a sua própria sabedoria e suas escrituras é a verdade a qual eu desvelei e mostrei ao mundo.
• Há duas fontes do que vem à existência: Deus e a Matéria, Luz e a Escuridão, Bem e o Mal. A Luz é a árvore que dá bons frutos. A Matéria é uma árvore que dá maus frutos.
• Cristo é o Pai de todos os Mensageiros, é o Terapeuta das Almas – sua medicina são os seus preceitos.
• Meus pensamentos buscam teus segredos, minha intuição aspira os teus Misterios. Ó Senda da Verdade, vista-me em tua veste.
• Meu Senhor tinha indicado o grau dos Perfeitos e separou-os daqueles que estão no mundo. Ele deve tornar-se puro, ser frugal na dieta (não poluir com carne e sangue), jejuar.
Mestre Jesus, o Cristo proclamou um código de ética, fragmentos de textos de Mani sim, Mani era um verdadeiro gnóstico. O “Santo” Agostinho, um traidor.
Que mal há em ensinamento tão belo?
O mal de que, aos olhos da Igreja, nega a necessidade de intermediários para se alcançar o reino dos céus, e assim inutiliza a instituição Romana.
O mal de um ensinamento que considera “Seth, Zoroastro, Buddha, Christos” irmãos em sabedoria.
O mal de continuar o ensinamento gnóstico de que o deus criador da matéria é apenas o demiurgo, um ‘deus’ arrogante. E não a luz celeste, que está muito além. Na Unidade invisível e inefável.
Assim, Agostinho cumpriu sua função, e os combateu.Enquanto isso outra batalha era travada. Agostinho escrevia tratados e tratados sobre o que é deus, seus atributos e qualidades (como se alguém pudesse definir a “natureza de deus”). Paginas e páginas de deus é isso, deus é aquilo. A teologia afirmativa. A teologia dogmática.
Em contrapartida temos os neoplatônicos. Almas gnósticas que se revestiram de ‘filósofos’ pois aos olhos da igreja os filósofos não seriam atacados. Assim, Proclo, Pseudo Dionísio, Plotino... ensinavam gnosticismo revestido de linguagem platônica. (bem, não era Platão um iniciado?)
Em contrapartida temos os curtos e profundos tratados desses neoplatônicos que ensinam que Deus não pode ser conceituado, apenas vivenciado, que ensinam tudo que deus ‘não é’, e não seus atributos e qualidades. (por isso foram chamados de teólogos negativos, por ensinarem o que não é deus, e deus não é conceituação)

Deixemos Plotino¹ e Jâmblico² ensinar:
“O Uno é todas as coisas e nenhuma delas.A Unidade é uma fonte sem origem.Nos planos sutis cada ser constitui uma parte do Todo. Retira-te em ti mesmo e contempla. A contemplação é o fim da ação. Jamais olho algum contemplará o Sol sem tornar-se semelhante ao Sol, nem alma alguma verá a Beleza sem ser bela. Que todo ser se torne divino e belo se quer contemplar o Uno e a Beleza.A beleza da alma é a virtude.Há uma beleza de ordem superior, não visível aos olhos corporais, mas somente manifesta através dos olhos superiores da alma. Sem um despertar da letargia natural não é possível para alguém aplicar-se aos belos e nobres estudos, nem aprender o mais elevado. É necessário uma preparação: reflexão sobre as virtudes (elas despertam nosso desejo para o bem). E também o uso de máximas (penetrar no seu conteúdo).Sabedoria é diferente de conhecimento. A Sabedoria ultrapassa o intelecto (através da intuição contempla).
A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo. Tudo o que existe procede da Causa primeira. Todo o múltiplo participa de alguma maneira da Unidade. O Bem é idêntico ao Uno. Quão diferente isto era dos tratados e tratados de Agostinho. E seus ataques aos gnósticos.


Pelágius³, um outro gnóstico (se pudermos chamar assim) também foi extremamente prejudicado por Agostinho. Este é Pelagius, um cristão-celta. Um cristão que havia bebido dos ensinamentos que chegaram à Bretanha com os outros discípulos. Pelágius ensinava que não havia pecado original (idéia muito recorrente naquele ‘início de Idade Média).

Que Adão e Eva eram símbolos de como a humanidade ganhou a liberdade comendo da arvore da Gnosis. Pelágius enfatizava o livre arbítrio. Até poderia se dizer por influência da cultura celta que misturou-se com os primeiros gnósticos que lá chegaram. Essa tradição que enfatiza muito a questão do livre arbítrio e vê homens e mulheres como iguais.
Pelagius ensina e admira o cristianismo, mas diz que não só os cristãos são bons pois; " Se só os cristãos fossem bons, Deus não o seria, pois estaria negando ao resto da humanidade a liberdade de escolher o que é bom. Encontramos muitos pagãos bons e virtuosos.”Que pecado eram as palavras de Pelágius ao ver da Igreja de Roma!E a coisa só piorava. Pelágius era um homem extremamente culto, falava o grego e o latim, e viajava muito. Por um tempo estabeleceu-se em Roma, na mesma época em que Agostinho estava lá.
E para a tristeza de Agostinho, o ensinamento acessível e compreensível de Pelagius atraia mais estudantes do que as ‘teologias’ de Agostinho. Pelagius tinha se tornado mais popular que o próprio Agostinho. E isso não poderia passar em branco.Pelagius foi duramente perseguido e combatido por suas ideias nao se enquadrarem nos dogmas.Pelagius retorna à Gales, e, curiosiamente outro Agostinho, uns 200 anos depois, foi enviado pelo papa Gregório para a Bretanha com a missão de ‘converter os pagãos da Bretanha’. (e provavelmente destruir o cristianismo-celta e os resquicios da doutrina pelagiana)
Mal sabiam os católicos (ou não queriam saber) que a Bretanha já era cristã muito antes das regiões da Ásia e Roma serem cristãs.Pois os discípulos do Mestre Jesus, o Cristo ali haviam desembarcado com seu ensinamento gnóstico. Essa história de ‘o cristianismo chegou na Bretanha com Agostinho’ é história ‘para inglês ver’. Agostinho (o outro) chegou à Bretanha para destruir o cristianismo celta. Para destruir o cristianismo gnóstico. E parece que essa destruição foi levada bem a sério. Agostinho se uniu a um rei Saxão do sul da ilha e passou a influenciá-lo fortemente. Assim, a pedido de Agostinho, o mosteiro de Bagor, de monges cristãos-celtas, no norte de Gales, foi totalmente destruído, seus mais de 2 mil monges assassinados.Esse era o cristianismo chegando à Ilha da Bretanha.
O cristianismo que condenava as mulheres daquela região, tão acostumadas a viverem em igualdade e exercerem sacerdócio também, à uma vida submissa.O cristianismo dogmático de Agostinho (o primeiro) chegava ao refúgio celta dos primeiros gnósticos.Nas palavras de uma historiadora: “Há uma tradição em Gales que afirma que nos primeiros anos do séc I d.c. chegaram lá certos refugiados da Judéia.Esses refugiados foram recebidos por Arviragus (Caracatus), rei dos Bretões do Oeste e dos Silures. Eles foram temporariamente instalados em um colégio druídico. Arviragus lhes doou terras para construírem suas ‘eclésias’.
Não é necessário discorrer sobre a presença cristã pré-agostinho naquela região. As evidências são inúmeras. Assim, termino com exemplos do ensinamento de Pelagius (esse “herético”), para que possam novamente comparar e ver o que esse ‘santo’ agostinho combateu:"Pelagianismo".
Deus implantou em cada um a capacidade de atingir o mais elevado nível de virtude.Temos a capacidade de não agirmos compulsoriamente, nem de sermos levados pelos nossos desejos e quereres imediatos como são os animais.
Gostaríamos de ter apenas boas e amáveis emoções em nossos corações, e que os desejos maus fossem banidos, que tivéssemos as retas palavras sempre em nossos lábios e nunca pronunciar palavras maledicentes ou rudes. Que agíssemos sempre gentilmente e generosamente, nunca maltratando os outros.Mas se nossas emoções fossem sempre boas, palavras sempre corretas, ações sempre gentis, então nunca poderíamos aprender a diferença entre o bem e o mal.
Portanto, agradeçamos a deus que nos deu a capacidade de agir erroneamente e por essa razão deu-nos a liberdade de escolher o reto.Vamos inspecionar a nós mesmos com cuidado, observando nossas emoções que agitam nossos corações e os pensamentos que correm em nossas mentes.Vamos aprender a bondade do coração do próprio coração e a bondade da mente dela própria. A consciência é uma santidade natural. É o juiz das ações e segue a lei interior escrita por Deus na alma.
A história (alegórica) de Adão e Eva é na verdade a história de como a raça humana ganhou sua liberdade: por comer o fruto da arvore do conhecimento, Adão e Eva tornaram-se seres humanos maduros e responsáveis por suas ações.
A sociedade humana é como uma teia de aranha. Se você puxa um pequeno fio da teia, o formato de toda ela muda. Se más ações cessarem, o coração e a alma mudarão eventualmente. A pessoa não mais terá pensamentos nem emoções ruins, e ao contrario, sentirá amor e compaixão para com os outros.
Quando seguimos os passos de Cristo, o caminho vai se tornando difícil e irregular. No começo alcançamos muitas virtudes que são fáceis para nós, mas depois devemos obter outras que são muito mais difíceis. Seremos tentados a retroceder, mas isso significaria darmos as costas para Cristo.Uma vez começado o caminho, devemos continuar até atingirmos o fim que é o paraíso.
Não é preciso muito para ver que a santidade está entre aqueles combatidos por esse falso santo. Que belos ensinamentos os de mani, dos neoplatônicos e de Pelagius!!! Seu ‘defeito’ , serem semelhantes aos ensinamentos dos primitivos gnósticos.
E Simão o Mago, o discípulo de Jesus mais odiado pela Igreja (que criou histórias para desqualificá-lo) era chamado por ela própria de “Pai dos Gnósticos”.E a discípula que a igreja fez tanto esforço em queimar, Madalena, era uma das mais admiradas e respeitadas nos círculos gnósticos.
Enquanto isso Temos esse “Santo” que virou santo de tanto a mãe rezar para ele não queimar no inferno (que coisas horríveis deve ter feito!) Que traiu os maniqueus por questões de orgulho e poder. Que escreveu inúmeras páginas sobre o que é Deus (como se ele fosse capaz de dizer), destruindo a contemplação mistica. Que causou indiretamente a morte de milhares de monges cristão-celtas e a ruína do cristianismo gnóstico na Bretanha.
Muitas palavras de Agostinho são belas, mas há coisas mais belas para se ler. O ‘santo’ Agostinho tem em suas costas o titulo de traidor...
1) - Plotino, (205- 270), Natural de Licopólis, Egito, foi discípulo de Amônio Sacas por 11 anos e mestre de Porfírio, que nos legou seus ensinamentos em seis livros de nove capítulos cada chamados de As Enéadas.
2) - Jâmblico, nasceu em Cálcia, na Síria, em meados do século III. Estudou a magia dos caldeus, a filosofia de Pitágoras, de Platão, de Aristótelese de Plotino.Ao tomar contato com o Neoplatonismo, viajou para Roma para estudar com Porfírio.
3) Pélagius, monge bretão, 350- 423. Nasceu na Grã-Bretanha. Estabeleceu-se em Roma por volta de 405, depois viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça, Da natureza e Do livre-arbítrio.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tratado de Reintegração dos Seres - Martinez de Pasqually


Como todos os esoterismos, a doutrina Martinista, tal como foi definida por Martinez de Pasqually em seu "Tratado da Reintegração dos Seres", recorreu necessariamente ao exoterismo para expressar as verdades metafísicas, pouco compreensíveis e difíceis de expressar em razão de sua natureza.
É assim que a doutrina Martinista encontra-se relacionada de maneira integral com a Tradição Ocidental e, muito especialmente, com a corrente Judaíca-Cristã.Com respeito ao problema da Causa Primeira (Deus), o Martinismo faz suas, as conclusões a que haviam chegado os teólogos cristãos e os Cabalistas hebreus, pelo menos no que diz respeito aos princípios sobre os quais estão de acordo e tem estado sempre as diversas escolas: ternário Divino, pessoas Divinas, emanações, etc..
Quanto ao resto, é mais particularmente gnóstica (ainda que apresentando esta tese sob uma forma diferente das escolas conhecidas com esta denominação), já que faz presente, em princípio, a necessidade igual de Conhecimento e de Fé e a circunstância de que a Graça deve, para operar completamente, ser completada com ação, com a inteligência e com a compreensão e a liberdade do Homem.


Por estes diversos motivos é que Martinez de Pasqually apresentou o esoterismo de sua Escola sob o aspecto da tradição judaica-cristã. Esta lenda, cujo autor certamente foi o Mestre, baseou-se em documetnos tradicionais, propriedade de sua família, depois que um de seus avós, membro do tribunal da inquisição, os havia colhido dos hereges árabes e judeus, na Espanha. O conjunto destes documentos, era formado por manuscritos em latim, cópias de originais árabes, derivados mesmo, de clavículas hebraicas.

Seja como for, iremos tentar aqui apresentar um resumo do "Tratado da Reintegração dos Seres", obra tão rara como pouco clara para quem não esteja perfeitamente ao corrente das tradições gerais em que se inspirou:
O Mundo, considerado como um "domínio material", submetido a nossos sentidos e as "regiões espirituais" do Invisível, não constituem a obra de Deus, considerado como o Absoluto. É o próprio Evangelho de São João que nos assinala:
"No princípio (quer dizer, no começo dos Tempos, ou seja, daqueles períodos em que se manifestam os seres relativos), era o Verbo" (o Logos, a Palavra Divina)."O Verbo estava com Deus ..." (expressão literal mais apropriada)."O Verbo era Deus ... (não Deus com maiúscula. O texto grego não levava artigo. O Verbo é pois, um dos"Elohim", quer dizer: um dos filhos de Deus ( ); esta palavra "Elohim" significa em hebreu "Eles, os deuses" assim também o assinala e sublima o Abade Loisy, em seu "Quarto Evangelho").



"Todas as coisas foram feitas por ele; e sem ele nada do que foi feito se fez" ... (São João 1, 3).É a este Logos que a Cabala denomina Adam Kadmon; (de acordo com todas as tradições religiosas da antigüidade); ele cria os seres inferiores por meio de sua palavra, designando-os, nomeando-os, chamando-os (entende-se à "vida real e manifestada"):"E Adão colocou nome em todos os animais e aves dos Céus e em todos os animais do campo; mas para o Homem, não achou ajuda que fosse idônea para ele..." (Gênesis: 2, 20).Estes "animais dos campos", estas "aves dos Céus" não são os seres comuns que conhecemos com estes nomes. Com um sentido esotérico denomina-se, dessa maneira, às criaturas que são inferiores ao Homem-Arquétipo e que povoam os "planos" ou mundos do Invisível, regiões espirituais às quais já fizemos alusões anteriormente.Com respeito a esta criação, Deus serve-se de um intermediário. Isto nos confirma o Capítulo 1º do Gênesis (1, 2, 3), que nos diz: "A Terra (a matéria primordial, o Caos) era informe e vazia e o Espírito de Deus movia-se sobre as Águas" (o nous Egípcio, ou seja, o elemento mais sutil desta Matéria). O Termo "Espírito de Deus" está escrito com maiúscula, designando-se dessa maneira um Espírito diferente de Deus; de nenhuma maneira se alude desta forma a Deus, o que constituiria um absurdo, pois, Deus é necessariamente, em si mesmo, espírito. O Gênesis não nos diz que "Deus se movia sobre as Águas..."É por isso que, mais adiante, nos diz que "Deus, o Eterno, tomou, pois, o Homem e o colocou no Jardim do Éden, para que o cultivasse e o cuidasse..." (Gênesis 2, 15).
O dito Jardim é um símbolo que significa o Conhecimento Divino, acessível aos seres relativos. Com efeito, a Cabala, ou tradição secreta, pode ser designada, com freqüência, como o "Jardim" místico. Em hebreu jardim ou campo se pronuncia guineth, palavra formada pelas três letras seguintes: d, b, , (Gimel, Num, Tau ou Tav) e que constituem as iniciais das três ciências secundárias que são as chaves da Cabala: a Gematria, o Notaricon e a Temurah.
O Homem Primitivo, referido pelo Gênesis em seu relato exclusivamente simbólico, não é um ser de carne, semelhante em sua forma a nós, mas um espírito emanado de Deus, composto de uma "forma" (à qual o Gênesis chama "Corpo" porém, semelhante ao "Corpo Glorioso" que definiram os teólogos, criado pelo Deus eterno, e composto, por outra parte, por uma centelha animadora, que é integralmente Divina, já que o Gênesis nos dia que foi o Alento mesmo de Deus.
Nosso Homem-Arquétipo, é pois, semi-Divino. Por uma parte saiu da Matéria Primordial (do Caos composto de Terra e de Água, para falar simbolicamente), no que diz respeito a sua "forma"; por outro lado, é uma emanação de Deus, já que é o alento Divino que o anima (o dito alento provém de Deus mesmo).Adão e o Verbo Criador são parecidos, uma vez que o Homem-Arquétipo continua, no simbólico Jardim do Éden, a obra começada pelo Espírito de Deus.
Em conseqüência, este Verbo Criador e o Verbo Redentor são diferentes.É indiscutível que o Cristo (a quem Martinez denomina O Reparador) é Deus por sua origem e homem por sua encarnação. A teologia o demonstrou. Porém, assim como o menino de dez anos e o ancião serão mais tarde um só e mesmo ser (embora com características e aspectos diferentes) ... existe entre eles absoluta continuidade de consciência, apesar de não existir semelhança no aspecto ou em suas reações inferiores.Da mesma maneira, a alma que animou um corpo humano em uma encarnação, será idêntica a si mesma vinte séculos depois animando outro, embora sejam duas manifestações diferentes. Essa identidade existe, mesmo que as manifestações sejam diametralmente opostas, em razão da manifestação exilatória, conhecida pelo vocábulo "Carma".

Paralelamente a Adam Kadmon (o Homem Arquétipo ou Cósmico), existiam outros seres gerados em sua criação anterior; diferentes por sua natureza e pelo plano em que habitavam, tinham relação com a que nos explica a tradição contida no Gênesis. Esta Criação anterior se denomina Angélica, à qual também se referem outras Tradições e teologias. Trata-se de duas criações diferentes que estão subentendidas pelo Gênesis em seu primeiro versículo:
"No começo, Deus criou o Céu e a Terra". Imediatamente o Gênesis deixa de lado a primeira Criação (sobre a qual parece que Moisés não possuía maiores conhecimentos) e passa a referir-se à segunda:
"A Terra era informe e vazia, as Trevas cobriram a superfície do abismo ..." (Gênesis 1, 2).
Outros elementos da Tradição Judaica-Cristã nos ensinam que os seres desta criação primitiva (simboliza pelo Céu), quer dizer, os Anjos, dividiram-se em duas categorias, os Anjos fiéis e os Anjos rebeldes, depois de uma prova feita por Deus.Isto nem sempre foi bem compreendido. Deus, princípio de infinita perfeição, não poderia tentar os Anjos depois de sua emanação, nem afastá-los depois de sua involução. Muito pelo contrário, certas entidades, uma vez chegadas ao fim da Missão para a qual Deus as havia emanado (quer dizer, uma vez liberadas, ou seja, dotadas de livre arbítrio, necessariamente) recusaram reintegrar-se no Absoluto, conforme correspondia com o plano Divino, fonte do Soberano Bem. Em conseqüência, preferiram o momentâneo, perecível e ilusório em relação ao Ser Eterno, real e imperecível. Preferiram viver fora de Deus antes que reabsorver-se Nele e beneficiar-se, desta maneira, com suas perfeições infinitas. Portanto são estas entidades as que se afastaram momentaneamente de Deus, em virtude de um ato livre, ainda que errado.
Não foi o Absoluto que as afastou injustamente, nem foi o Absoluto a causa de seu exílio. Disto se conclui que o retorno posterior e sua redenção são possíveis quando essas entidades caídas quiseram voltar e seguir o caminho da Divindade.Porém, enquanto não se realiza este retorno à Luz, à Verdade Imanente devido às suas atitudes egocêntricas, esses seres permanecem: rebeldes (em relação à oferta Divina primitiva e permanente); extraviados (uma vez que saíram do curso de seu legítimo destino); perversos (já que vivem fora do Soberano Bem) e, em conseqüência, atolados no mal.Toda coisa corrompida tende, por sua natureza, a corromper o que é são. E isto ocorre com maior razão no domínio dos seres espirituais do que no reino dos corpos materiais, uma vez que naqueles misturam-se a inveja (ou consciência, apesar de tudo, de uma real inferioridade), o orgulho (ou vontade de dizer a última palavra) e a inteligência (diminuída, porém operando em proporção máxima em seus erros).É por isso que a Tradição nos ensina que o conjunto dos seres espirituais perversos (ou Egrégoras do Mal) sentiu ciúmes do ser perfeito, o Adam Kadmon, superior a eles e imagem de Deus, do qual pretendiam subtrair-se estas entidades caídas.Estas entidades atuaram, pois, sobre Adam Kadmon, incitando-o a passar para além dos limites de suas possibilidades naturais.
Ser místico por sua natureza, meio espiritual e meio formal, no qual se interpenetravam mutuamente Forma e Espírito, o Homem-Arquétipo devia conservar uma certa harmonia, um equilíbrio necessário no lugar onde Deus o havia colocado. Devia zelar pela manutenção desta condição e trabalhar no sentido de continuar a empresa deste Espírito de Deus, do qual era reflexo, o dirigente, o celeste ...
O Adam Kadmon estava destinado a desempenhar este papel de Arquiteto do Universo; embora fosse um Universo mais sutil do que o nosso, tratava-se daquele Reino que não é deste mundo e do qual falam os Evangelhos.
Sob a influência das Entidades metafísicas perversas, o Homem-Arquétipo transformou-se em um Demiurgo independente. Renovando sua falta, modificou e perturbou as leis que tinha obrigação de conservar e observar. Pretendeu, de maneira rebelde, fazer-se por sua vez, criador e igualar-se por suas obras a Deus. Porém, seu único êxito foi modificar seu destino primitivo.
Aqui nos deparamos com duas lendas paralelas e idênticas a de Lucifer, o primeiro dos Anjos e a de Adam, o primeiro dos Homens. Pode ser desta Tradição que derive o costume de consagrar aos deuses ou a Deus as primícias de uma colheita ou o primeiro dos animais de um rebanho. É indubitável que na história simbólica da Humanidade, e conforme nos refere o Gênesis, todos os primogênitos: Caim, Cham, Israel, Esaú, etc., estão misteriosamente marcados com um destino contrário.
Enquanto Deus, em suas infinitas possibilidades pode conseguir qualquer coisa do Nada, o Homem, criatura limitada em suas possibilidades, o que pode fazer é modificar o que já existe, sem poder extrair coisa alguma do Nada.O Homem-Arquétipo, desejando criar seres espirituais, da mesma maneira como Deus havia criado os Anjos, não fez mais do que objetivar seus próprios conceitos. Desejoso de proporcionar-lhes corpo, não pode fazer outra coisa que integrá-los na Matéria mais densa e grosseira.
Querendo animar o Caos (as Trevas Exteriores), da mesma maneira como Deus havia animado o mundo metafísico que primitivamente lhe havia confiado, nada mais fez do que afundar-se em areia movediça.Com efeito, Deus sendo, no sentido mais absoluto da palavra "Sou o que sou", disse a Moisés sobre o Sinai, deve ser preexistente ao Nada. Para criar a matéria primitiva, Deus simplesmente separou uma parte de suas infinitas perfeições de uma porção de sua essência infinita. Esta retirada parcial da perfeição espiritual mais absoluta conduziu, inevitavelmente, à reação traduzida em uma imperfeição material e relativa. Isto explica porque a Criação, qualquer que seja, não pode jamais ser perfeição.
É necessariamente imperfeita pelo fato dela não ser de Deus.Imitando o Absoluto, Adam Kadmon pretendeu, pois, criar sua matéria primordial. Por tratar-se de um alquimista inexperiente, encontramos aqui a origem de sua Queda.
O Homem-Arquétipo é um ser andrógino. Nos diz o Gênesis (Cap. 1, 27 e 28): “E criou; homem e mulher os criou”. É este elemento feminino, que Adam vai jogar fora de si mesmo. É o lado esquerdo, feminino, passivo, lunar, tenebroso, material o qual ao separar-se do lado direito, masculino, ativo, solar, luminoso, espiritual, dará nascimento à Eva.
A Mulher-Arquétipo foi, pois, extraída de um dos lados do Andrógino e não de uma de suas costelas ... (Todas as religiões antigas conheceram um ser Divino, original, que era masculino e feminino).Assim nos expressa o Gênesis (Cap. 2, 23 e 24):“E disse Adam: Isto é agora osso dos meus ossos e carne de minha carne (ele conserva o Espírito, a alma), esta será chamada Mulher, em hebraico Isha porque do homem foi tirada, em hebraico Ish.”É nesta matéria nova, na Eva do Gênesis, a mulher simbólica, a quem Adão penetra para criar a Vida. O Homem-Arquétipo degradou-se, pois ao tentar igualar-se a Deus.
Seu novo mundo ou domínio foi chamado Mundo Hylico pela Gnosis, nosso universo material, mundo cheio de imperfeições e de males. O pouco de bom que nele existe provém das antigas perfeições do Homem-Arquétipo. Uma vez que se dividiu em dois seres diferentes, a soma das ditas perfeições originais não pode ser total em cada um deles ... daí, pois a Queda.Aqui en­contramos a razão pela qual os antigos cultos haviam deificado a Natureza, que é a Mãe de tudo o que é.
Porém, com respeito a tudo o que é “abaixo dos Céus” ..., Isis, Eva, Demeter, Rhea, Cybeles, não são mais do que símbolos da Natureza material emanada de Adam Kadmon, personificadas pelas Virgens Negras, símbolos da Matéria Prima.A essência superior de Adam Kadmon, integrada no seio da nova Matéria, é o Enxofre, expressão alquímica que designa a alma do mundo. A segunda essência, o mediador plástico, aquele que constituía a forma de Adam, seu duplo superior, sobreveio do Mercúrio, outra expressão alquímica que designa o Astral dos ocultistas, o plano intermediário. A Maté­ria, saída do Caos segundo é o Sal alquímico, o suporte, o receptáculo, a prisão.
Paralelamente, podemos dizer que Adam é o Enxofre, que Eva é o Sal e que o Caim do Gênesis é o Mercúrio desta trindade simbólica, termos que a Alquimia também co­nhece com as denominações de Rei, da Rainha e do Servidor dos Sábios...É possível conceber, então, porque em todos os seus graus a Matéria Universal seja algo vivo, como o admite a antiga e a moderna química e como, em suas manifestações, pode ser mais ou menos consciente e inteligente.Através dos quatro mundos da Natureza: mineral, vegetal, animal, hominal (entre os quais não existe nenhuma solução de continuidade), está o Homem-Arquétipo, o Adam Kadmon, a inteligência Demiúrgica primitiva, manifesta, dispersa, disseminada, aprisio­nada. Daí aquele revestimento de “peles de animal” que se refere o Gênesis: E Deus deu ao homem e sua mulher túnicas de pele e os revestiu”... (3, 21).
Este novo universo Divino, igualmente o refúgio das Entidades caídas, que se refugiaram nele para esconderem-se ainda mais do Absoluto, na quimérica esperança de esca­par das leis Eternas, presentes em tudo.Tais entidades caídas têm, pois, um interesse primordial em que o Homem, dis­perso, mas presente em todas as partes da Matéria, que constitui o Universo visível, continue organizando e animando este domínio, que mais adiante será de propriedade deles.
Como a alma do Homem-Arquétipo ficou aprisionada na Matéria Universal, também assim a alma do homem individual se encontra prisioneira de seu corpo material.A Força, a Sabedoria, a Beleza que se manifestam ainda neste mundo material, constituem os esforços do Homem-Arquétipo para voltar a ser o que era antes de sua Queda.
As qualidades contrárias constituem a manifestação das Entidades caídas, manifestações desti­nadas a manter o clima que desejaram criar para subsistir, tal qual o quiseram, quando delibe­radamente interromperam seu retorno até o Absoluto.Porém, o Homem-Arquétipo não voltará a tomar posse de seu primitivo Es­plendor e de sua liberdade, senão separando-se da matéria que o absorve por toda parte. Para ele, é necessário que todas as células que o formam, quer dizer, os homens individualmente considerados, possam depois de sua morte natural, reconstituir o Arquétipo, reintegrando-se definitivamente nele e escapando, desta maneira, ao ciclo das reencarnações.
Então, os microcosmos farão o Macrocosmo, os Homens individuais, reflexos materiais do Arquétipo, são pois, igualmente, reflexos Divinos (mesmo que inferiores alguns escalões). Da mesma maneira, o Arquétipo é, também, o reflexo de Deus, do primitivo Verbo Criador ou Logos, do Espírito de Deus do qual fala o Gênesis.
É correto referir-se a ele, então, como o Grande Arquiteto do Universo. Todo o culto de adoração dirigido a este último é, pois, um culto satânico, já que é dirigido ao Homem e não ao Absoluto. É por isso que a Maçonaria o invoca, porém, sem adorá-lo.Para escapar ao ciclo das reencarnações neste mundo infernal, (in-ferno: lugar inferior) é necessário que o Homem-individual se liberte de tudo que o atrai para a Matéria e se desprenda, desta forma, de escravidão a que é submetido pelas sensações materiais.
Ainda as­sim, é preciso elevar-se moralmente. Contra esta tendência para a perfeição lutam as Entidades caídas, tentando-o de mil maneiras, com o propósito de atrai-lo ao seio de Mundo invisível e manter oculta a influência que exercem sobre ele.É contra elas que deve lutar o Homem-individual, desmascarando-as e expul­sando-as da esfera de sua existência. Isto se consegue, de uma parte, mediante a Iniciação que o une aos elementos do Arquétipo já reunidos e reintegrados, o que exotericamente se designa com o nome de Comunhão com os Santos; e, por outra parte, através do conhecimento liber­tador, que lhe ensina os meios de apresentar a libertação pessoal definitiva e da Humanidade enceguecida, valendo-se do trabalho pessoal.
Então, quando houver esta libertação individual, dar-se-á a grande libertação coletiva, aquela que por si só permitirá a reconstituição do Arquétipo e logo sua reintegração no seio da Divindade, da qual emanou primitivamente.Abandonado por si mesmo por seu animador, o Mundo da matéria dissolver-se-á, ao ficar sem a vida, harmonia e direção do Arquétipo. Sob a pressão naturalmente anárquica das Entidades caídas, esta desagregação das partes do Todo irá se acelerando. Então, o Uni­verso terá chegado ao seu fim; este será o fim do mundo, anunciado pelas tradições universais.“Da mesma maneira que um livro cuja leitura termina, terminarão o Céu e a Terra...”
A Essência Divina recuperará, então, gradualmente, o acesso àquelas regiões próprias de sua essência e das quais se havia separado primitivamente. As ilusões momentâ­neas chamadas com os nomes de criaturas, seres, mundos, desaparecerão. Porque Deus é o Todo e o Todo está em Deus, ainda que o Todo não seja Deus!
O Absoluto nada extraiu de um Nada ilusório, que não poderia existir fora D'Ele sem ser Ele próprio.Só este desprendimento da essência Divina é que permitiu a Criação dos Mun­dos Angélicos, materiais, etc., assim como é o desprendimento ou retratação desta mesma es­sência que permitiu a emanação dos Seres espirituais.
Desta maneira, realizar-se-á a simbólica Vitória do Bem sobre o Mal, da Luz sobre as Trevas, pelo simples retorno das coisas até o Divino, mediante uma reassimilação dos seres, purificados e regenerados.



Tal é o desenvolvimento esotérico da Grande Obra Universal.Martinez de Pasqually consignou suas teorias iluministas através de graus, em número de nove, em sua Ordem dos Elus Cohen. O sistema deste Rito, combina com as teorias expostas no Tratado da Reinte­gração abrangendo a criação do primeiro homem, seu castigo e as penas do corpo, da alma e do espírito daquele que estava em prova. O propósito a que se propõe a Iniciação é regenerar o homem, reintegrando-o em sua essência primitiva e nos direitos que perdeu por sua queda.





Divide-se em duas partes.Na primeira, o candidato não é, aos olhos daquele que o inicia, mais que um composto de barro e lama e não recebe a vida senão com a condição de não provar do fruto da Árvore da Ciência.O Neófito promete cumpri-lo, porém, sente-se seduzido, quebra sua palavra e por isso é castigado e lançado nas chamas. No entanto, se por meio de trabalhos úteis e de uma vida exemplar e virtuosa, repara sua falta, renasce para uma vida nova.Na segunda parte, o candidato se encontra animado de um sopro Divino, está apto para conhecer os segredos mais ocultos da natureza, a Cabala, a alta quí­mica e a Ciência dos seres incorpóreos lhe são muito familiares.