Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Se você está numa praia e enche a mão de areia.
Esse tanto de areia em relação à areia da praia é a proporção de felizardos que têm contato direto com os ensinamentos budistas.
Se você abre a mão e deixa cair a areia, os grãos que sobram são os que estão envolvidos com a escola Mahayana.
Depois de bater as mãos para tirar a areia que resta, não sobra quase nada.
Esses últimos grãos, que quase não se vê, são os estudantes do budismo Vajrayana, raros e preciosos.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.

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Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.


A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Cátaros e Catarismo


Primórdios ocultos do catarismo!Freqüentemente são agrupados sob o nome de gnósticos grupos muito diferentes, até mesmo opostos, para ter um motivo para combatê-los, exterminá-los, e sobretudo caluniá-los. Os Essênios formaram uma comunidade gnóstica de judeus piedosos que claramente se distanciaram de seus compatriotas.
Eles se diferenciavam pela pureza de seu caminho e de sua vida.
Eles se distinguiam pela completa pureza de seus costumes.
Eles aprovavam o casamento como forma de conservação do gênero humano, mas não se guiavam pelas volúpias da carne.
Condenavam os juramentos, a propriedade de bens, a alimentação carnívora e abominavam a mentira.
Eles viviam em perfeito desapego das paixões e conflitos humanos ordinários e dos bens terrenos.

Eram chamados também de Terapeutas, porque curavam os doentes.
Esta comunidade de “puros” se apresentava como a guardiã do verdadeiro sacerdócio hebraico.
Ela preparava o nascimento da nova era de luz: a era cristã.
Enviados e guiados da fraternidade dos essênios, dos “mestres da justiça”, eles representavam, por intermédio de suas vidas e atitudes, a vinda de um “novo homem”, do qual Mestre Jesus, o Cristo era o protótipo.

Para os essênios, não era possível se aproximar dos mistérios divinos senão por uma vida no Espírito, pelo amor a Deus e pelo respeito aos homens e à vida. Devido a seu modo de viver como os primeiros cristãos, os Pais da Igreja os consideram como cristãos apostólicos.A Escola de Alexandria deve ser considerada como um período de fusão das principais filosofias da Antigüidade. Um gigantesco cadinho em que as religiões e filosofias do mundo vieram se mesclar: judaísmo, platonismo, cristianismo, gnosis cristã e egípcia.

O helenismo aí revela a antiga sabedoria dos Mistérios, retirada da fonte original comum: o Egito. Ali se pode ver o magnífico paralelismo entre Fílon e Platão. Ammonius Saccas, fundador da doutrina neo-platônica, aí se tornou uma luz: pagãos e cristãos, que admirável, usavam seu nome.

Clemente de Alexandria, Orígenes e cristãos encontravam-se com pagãos como Plotino e Porfírio. Os gnósticos se ocupavam ativamente em desembaraçar a filosofia, a ciência sagrada. Eles abordavam de maneira audaciosa os maiores problemas (a existência do mal, o tempo e a eternidade, a corrupção universal e o caminho da perfeição, o homem e Deus) e pretendiam resolvê-los graças à Gnosis, a revelação interior de Deus.Isso explica por que a maioria dos padres gregos, nutridos pela Gnosis alexandrina, guardaram essa impressão de alta espiritualidade: Clemente de Alexandria, João Crisóstomo, Orígenes.
Um século depois de Agostinho, que fora maniqueu antes de ser cristão católico , Atanásio, bispo de Alexandria, professava uma doutrina da alma digna de um verdadeiro gnóstico. Tertuliano teria sido um dos primeiros fiéis da Igreja dos “puros” (catharoï); como Montanius, fundador da primeira Igreja cátara em 140; como Novat, bispo cátaro em Cartago; como Novatiano, que se tornou papa, e permaneceu papa (em 250) durante vinte anos!
Foi nesse verdadeiro cadinho espiritual alexandrino que se confrontaram a sabedoria de Hermes, o essenismo e o neoplatonismo com o cristianismo, em cujo espírito o catarismo se desenvolveu.
Desde a aurora dos tempos, os que transmitiram a sabedoria, a Gnosis, incitaram a humanidade a descobrir que um caminho de regresso à perfeição original existe e que um processo imenso e misterioso leva à verdadeira vida, a vida do homem-alma-espírito.Em verdade, de Rama, o arquidruida, até Hermes Trismegisto, de Hermes a Pitágoras, de Pitágoras a Virgílio, de Virgílio a Dante, é a mesma corrente espiritual e secular que gira. Celtismo e pitagorismo são irmãos. Druidismo e cristianismo se completam, e não é de modo algum por acaso! A essência da doutrina dos druidas é cristã em seus fundamentos puros, embora ela tenha sido elaborada antes de Cristo.

Índia, Egito, Palestina, Grécia e Alexandria;Pitágoras, Platão, Jesus; Dante, Gnosis islâmica;para finalmente aparecer na Europa com os cátaros, os templários, os rosacruzes...Uma longa corrente áurea, uma série de elos conectados uns aos outros.Mas é sempre o mesmo pensamento no trabalho, um fundamento espiritual idêntico que reencontramos sob símbolos diferentes: a Gnosis, o templo do Espírito, a Fraternidade Universal.O Mistério envolve todas as origens: a do mundo, a do cristianismo, a do homem.Cristo, ele próprio, trabalha em uma “nuvem luminosa”; e quando ele enraíza profundamente o trono divino, vemos surgir através do matagal confuso três ramos-raiz:


O ramo judeu e tradicional de São Pedro;
O ramo grego de São Paulo;
O ramo oriental, platônico e místico de São João.

A qual dessas três ramificações primitivas se ligam os cátaros, o catarismo dos Pireneus franceses, com o maniqueísmo aquitano, os templários e mais tarde os rosacruzes?Evidentemente à última, a de João, filho de Zebedeu, o discípulo bem amado do Senhor!Moisés desceu das nuvens trovejantes do Sinai portando as Tábuas da Lei. Cristo, ascendendo em sua glória, deixa ao mundo apenas seu Verbo. O Verbo se condensa em um evangelho primordial. Esse arqui-evangelho hebreu é dividido em quatro evangelhos gregos que se fragmentam em uma multiplicidade de lendas evangélicas escritas em idiomas orientais. Cada nação tem sua própria biografia de Jesus, cada grupo de fiéis modifica a imagem de Cristo de acordo com suas próprias idéias:

Para os judeus, ele é “filho de Abraão”;

Para os gregos, ele é “Filho do Homem” e suas origens remontam a Adão;

Os orientais ignoram toda sua genealogia humana e vêm nele apenas o Verbo, Filho de Deus.Cristo também tem sua mitologia. A igreja se arroga o direito de tornar proscrita essa diversidade de lendas apócrifas e considera verdadeiros apenas os quatro evangelhos: o homem, o leão, o touro e a águia. O concílio de Nicéia os declara “os únicos ortodoxos”. Mas a fonte dos quatro rios, o exemplar único e original, o arqui-evangelho, desapareceu! Gregório de Naziance, bispo greco-asiático do século IV, patriarca de Constantinopla, dizia:

“Mateus foi escrito para os hebreus;

Marcos, para os romanos;

Lucas, para os helenos;

João, para todos os povos do Universo.

”No lugar do “Verbo”, os cátaros invocavam o Paracleto.

O evangelho de João se constituía quase inteiramente sua Bíblia, onde sua história principiava.O Apocalipse de Patmos abria sua epopéia. Seu espírito tinha o temperamento da águia, símbolo de “Boanerges” (filho do trovão). Pelo apóstolo João, o “amado do Salvador”, e pelo seu evangelho, os cátaros eram não somente da mais pura linhagem evangélica, mas ainda da mais alta origem ortodoxa. Entretanto, eles ultrapassaram esse poderoso impulso até o mais alto ideal cristão. O evangelho espiritual estava ligado ao sentido da mais alta realização: o homem-espírito.

Eles não eram apenas místicos, eram também gnósticos.Seu cristianismo era uma “gnose”, um “conhecimento” dos mistérios divinos e uma pregação. Seu chefe era o Verbo que ensina. Como o Deus Salvador de Platão, ele salvava pela verdade, não pela expiação ou martírio.A razão nunca pôde explicar a coexistência simultânea do infinito e do finito, de Deus e do mundo. Se o Espírito é o Ser, a matéria é o nada. Se o Espírito é o bem, a matéria é o mal, ou seja, o não-ser. Deus, sendo o Ser infinito, a carne é apenas uma sombra, o mundo uma aparência, o destino um drama trágico, fantasmagórico!Havia gnósticos judeus e gnósticos greco-sírios. A estes últimos estava ligado o catarismo da região dos Pireneus. Eles eram gregos orientais.Greco-hindu, o catarismo rejeitava o judaísmo, os livros hebreus, as violências de Moisés, os trovões de Jeová.“Deus é Amor”.

Ele se distingue claramente do maniqueísmo persa ao rejeitar o dualismo entre o Espírito e a matéria, seu mal eterno, seus resquícios do mazdeísmo. Zoroastro lhe era tão estranho quanto Moisés.Cristão, anterior ao cristianismo do Concílio de Nicéia, o catarismo não aceita os livros judeus, nem os evangelhos judaicos, nem os símbolos da Igreja imperial, nem as pompas pagãs da teocracia romana.Ele está ligado, sobretudo, a Montanius, a Marcion, os primeiros “cátaros” (140-199), a Novat, a Novatiano (o papa cátaro).

Gnóstico, ele se separa dos outros gnósticos deixando de lado os éons, os Abraxas, os diagramas, os números cabalísticos. Ele se separa do tronco cristianismo pelo ramo-raiz de São João e forma como um neo-cristianismo mediante a elevada idéia geradora do Paracleto.“Religião do Espírito” (Mani, manas, mens, designando o pensar superior, o Espírito).

É a religião de Hermes, o Mercúrio da cultura latina.Nos ensinamentos “herméticos”, a tônica é colocada no pensamento superior que é a alma divina: somente a alma, nascida no coração, se liga ao Espírito. Ela “conhece” Deus. Ela serve a Deus pela razão esclarecida. Somente o Espírito, manifestado na Alma, salva o ser humano.
Inspirado por Alexandria, esse movimento se diferencia do neoplatonismo por rejeitar todas as mitologias e tradições órficas, homéricas e olímpicas, para se unir, por intermédio de João, a Cristo.O Evangelho de João é para ele, “o livro levado pelo anjo ao Zênite do Céu”.Ele se destaca de Francisco de Assis, bem como de Joaquim de Flore, pelos seus dogmas alexandrinos e por seu insuperável horror a Roma, dos horrendos processos da Inquisição, da morte dos hereges proclamada por Leão I em 447, da vergonhosa condenação do livre pensamento pelos grandes teólogos católicos, dos quais o modelo, sem sombra de dúvida, foi fornecido por São Tomás de Aquino.

O que eles adoravam era “Mani”, ou o Espírito Santo. Maneísmo não é sinônimo de maniqueísmo. Que trágico erro tem causado esta confusão propositada! É todo o drama cátaro!
A Occitânia ( sul da França) foi a terra do reencontro predestinada da corrente cristã de origem bogomila, introduzida no ocidente pelos mercadores “boulgres” ou búlgaros (dentre os quais Paulo, o Armênio) no século X, com a corrente pirenaica vinda da Espanha. A corrente espanhola surgiu na costa oriental do Mediterrâneo durante o século I. Ela se fortificou em Alexandria em contato com o neoplatonismo de Plotino e Orígenes.Então, essa corrente espiritual de “Mani” ganha a África do norte com Marcos de Menfis e Fausto de Milevo (ao qual se opõe Agostinho, que renegou os maníqueus, do qual não pôde penetrar os aspectos interiores).O maneísmo, em sua própria essência, é anterior ao espírito dogmático do Concílio de Nicéia.“Pode-se considerar o maneísmo aquitano, ou occitano (denominado mais tarde albigense), como uma evolução nova do cristianismo e como seu desabrochar definitivo, sua sutilização suprema e celestial.”
“Se o judaísmo é a religião do Pai (de Jeová), se o cristianismo é a religião do Filho (de Jesus), então o catarismo é a religião do Espírito (do Paracleto).Como o cristianismo se distingue do judaísmo pelo Verbo, o catarismo se distingue do cristianismo eclesiástico pelo Paracleto.”Segundo o cristianismo das igrejas, o gênero humano foi salvo pelo Filho. Acreditar nele traz a salvação.

No catarismo, a salvação provém do Paracleto, do Consolador. É ele, o Espírito Santo, que desperta a alma de seu sono ébrio na matéria e lhe dá o anseio pelo absoluto, por Deus.Ouvir a Palavra é, então, saber-se portador da centelha-de-luz do Deus verdadeiro e fazê-la crescer como a força do Filho.O catarismo, que reivindicava como sua Mãe a igreja cristã, ignorava a sinagoga judaica, que por sua vez rejeitava a Igreja cristã como sendo muito intelectual. A Igreja cristã, que se tornou católica, rejeitava a Igreja cátara como sendo muito espiritual, muito idealista...
De tal forma que a Igreja cátara, então legítima pretendente ao título de cristã, deveria, após esse desenvolvimento, sustentar o nome de “paracletiana”.
Ela é a “Igreja da Consolação”, pura e purificadora, santa e santificante, consoladora e consolada no exílio do mundo.Ela é a Consolação do Universo: ela desdenha o mundo, abomina o sangue, extingue o inferno, converte Satã, proclama a salvação universal. “Por essa sólida evolução, o catarismo pode ser considerado uma nova religião que escapou da Igreja como uma borboleta da crisálida. Essa transformação, que foi seu brilhante infortúnio no passado, deverá ser no futuro seu glorioso epitáfio.”Os primeiros “Amigos de Deus” formaram uma fraternidade igualitária, professando o sacerdócio universal. Mais tarde, as perseguições levaram os cátaros a se organizar; três degraus se formaram na igualdade primitiva: o noviciado, a perfeição e o sacerdócio. O diaconato fora elevado a episcopado e do episcopado desabrocharia o patriarcado.
A religião do Espírito consolador e purificador, tão antiga quanto a dor e o mal, que queria curar as feridas, remonta aos primeiros dias do mundo.Antes de Cristo, ela projetou seus raios sobre os brâmanes da Índia, os magos da Pérsia, os essênios do judaísmo, os gregos, sobre Pitágoras e Platão.Depois de Cristo, entre todos os gnósticos, está mais voltada ao pensamento de Platão e à moral de Pitágoras, conservando entretanto, sua pura radiação primordial no Oriente: um raio celeste e uma lâmpada grega.Aí termina sua hierarquia que, daí por diante, conserva o monopólio do patriarcado. Essa aristocracia patriarcal jamais tomou o aspecto de uma monarquia teocrática. Ela não serviu, em momento algum, aos sonhos de Manes, que envolvia o mundo todo em seu projeto de teocracia universal.
O catarismo pireneu foi, em sua essência, espiritualista demais para personificar o Paracleto em um homem: seu papa era o Espírito; seu Vaticano, o céu! Nenhuma palavra velada na Bíblia, nenhuma escritura acorrentada no Templo.
Nenhum Deus cativo no tabernáculo.
Nenhum sacerdote carcereiro de Deus.
Nenhum papa zelador do céu e do inferno.
Nenhuma servidão ou morte do Espírito!

Deus salvou duas vezes o mundo do materialismo e da corrupção, pela imensa revolução da Gnosis: os místicos, os gnósticos, os solitários dos desertos, os grandes pensadores das cavernas. Ele soergueu os cátaros, os leonistas, os espiritualistas de Narbone e da Calábria contra as crenças e dogmas não racionais.Essas eram as igrejas proscritas de São João e São Paulo.Eram os templários, os cátaros e mais tarde os rosacruzes, irmãos da Fraternidade Universal, que elevariam o templo do Espírito: a grande ‘Mani da Aquitânia. Verdadeiros pioneiros em seu tempo da Igreja do Espírito, que persistiam incansáveis em sua tarefa de “pescadores de homens”, abrindo desde a base o caminho do renascimento do Espírito, freqüentemente proscritos, perseguidos e traídos, mas jamais desencorajados.Orígenes, Marcos de Mênfis...

“Temos ainda, e após o ano 140 d.C., outros líderes espirituais: o grande Orígenes, Marcos de Mênfis (desde o ano 300), Prisciliano de Ávila, Félix de Urgel, Paulo da Armênia, Erigène da Irlanda, Lisois de Orleans. Também Nicetas de Constantinopla, que veio organizar o catarismo na região dos Pireneus em face das perseguições que ocorriam.”

O catarismo chegou ao Ocidente sob sua forma pura, com Marcos de Mênfis antes do ano 350. Seu aluno favorito, Prisciliano de Ávila, o espalhou por toda a Espanha, a Gália, a Inglaterra, a Bélgica, a Suíça, a Holanda, a Alemanha, até 382. Essa é data em que ele foi decapitado em Treves (Alemanha) por instigação de bispos católicos. Ele foi o primeiro mártir herético.Seus grandes discípulos espanhóis Elipand, arcebispo de Toledo, e Félix, bispo de Urgel (Andorra e Sabartez) que reencontramos nos caminhos que levaram Prisciliano (de 788 a 800) a Narbonne, a Ratisbonne, até Frankfurt, até Aix-la-Chapelle, continuaram sua pregação.Mais tarde, Joaquim de Flore (1132 - 1202) produziria seu “Evangelho Espiritual” que teve igualmente uma profunda influência sobre a evolução do pensamento religioso.Todos vivificaram uma corrente espiritual na qual se inspiraria o catarismo

Mestre Jesus, o Cristo - O Sermão da Montanha


Mahatma Gandhi, a Grande Alma da Índia e do Mundo, afirmou que: "se todos os livros sagrados da humanidade se perdessem, mas não O Sermão da Montanha, nada se teria perdido".

Encontramos no Sermão da Montanha o cerne dos ensinamentos do Mestre Jesus, o Cristo.

Procuremos penetrar agora na mensagem do Sermão da Montanha.
O Sermão da Montanha é demasiado extenso, cobrindo, no Evangelho de Mateus, três capítulos, para ter sido ministrado de uma só vez pelo Mestre Jesus.

Existem quatro blocos bastante delineados:

As Bem-Aventuranças, a continuação dos Ensinamentos nesse capítulo V, depois mais apresentações no capítulo VI e sua continuação no capítulo VII. Creio que aquelas instruções devem ter sido ministradas pelo Mestre Jesus ao longo de três ou mais encontros com seus discípulos, mas, para fins didáticos, o autor do Evangelho segundo Mateus preferiu apresentá-las num só bloco.

No entanto, os outros evangelistas, principalmente, os outros sinópticos, Marcos e Lucas, espalharam a maior parte desses ensinamentos ao longo de seus evangelhos. É possível, também, que parte dos ensinamentos do Mestre que faziam parte deste conjunto que veio a ser chamado de Sermão da Montanha, tenha sido perdida. Isto fica claro quando observamos certas descontinuidades no tema que está sendo apresentado, principalmente nos capítulos seis e sete de Mateus.


Um ponto que o cristão moderno raramente leva em consideração ao ler a Bíblia, é o fato de Jesus ter sido um pregador itinerante. Por isso, é muito provável que, ao visitar diferentes comunidades, ele tenha contado algumas parábolas e apresentado seus ensinamentos principais várias vezes.

Como sabemos, raramente contamos a mesma estória exatamente da mesma forma, com as mesmas palavras, ao repeti-la duas ou mais vezes. Portanto, parte das diferenças encontradas nas apresentações dos Evangelhos deve-se ao fato dos evangelistas provavelmente estarem se referindo a apresentação dos mesmos ensinamentos em diferentes ocasiões.


Vamos nos ater à versão do Sermão da Montanha em Mateus. Nele, Jesus oferece, em primeiro lugar, algumas instruções éticas para uma vida harmônica e mais feliz nesse mundo. Em segundo lugar, aos discípulos, oferece instruções espirituais para mudanças interiores que são necessárias na vida espiritual. Essas mudanças interiores eram chamadas, pelos cristãos primitivos, de metanóia, uma mudança interior na maneira de pensar.


Examinemos a primeira passagem do Sermão da Montanha que começa:


“Vendo Ele as multidões subiu a montanha. Ao sentar-se, aproximaram-se Dele os seus discípulos e pôs-se a falar e os ensinava dizendo:”


Comecemos aí: “vendo Ele as multidões”. Meus amigos, todas as escrituras sagradas devem ser lidas com muita atenção. Podemos imaginar que um observador do evento, ao descrever o fato fosse dizer: vendo a multidão que o estava acompanhado, mas não, as multidões. Nesse caso, o que está sendo relatado aqui é que o Mestre se compadeceu ao ver, com a sua visão espiritual, o sofrimento das multidões no espaço e no tempo, aquela que o seguia e outras nos mais variados lugares da terra, no seu tempo e ao longo dos séculos.

Sabendo que as multidões eram prisioneiras da ignorância, chama a si seus discípulos e passa a ensiná-los para que estes, por sua vez, possam ajudar a dissipar a escuridão que oprime essas multidões.
Procuremos examinar o texto em seus detalhes. É dito que Ele subiu à montanha. Subir à montanha, na linguagem sagrada significa elevar-se a um estado mais alto de consciência. Então, ele chamou a si os discípulos e, alçando-se a um nível mais elevado de consciência, expandiu a consciência, ou seja, a percepção de seus discípulos, para então ministrar esses ensinamentos profundos e avançados.


Mas por que Ele estava ministrando os ensinamentos a seus discípulos e não à multidão ou multidões sofredoras? A razão é bem simples. Os Mestres precisam ensinar de acordo com a capacidade daqueles que estão ouvindo. E os Mestres sabem que as pessoas estão em níveis evolutivos diferentes e são os discípulos, aqueles que já tiveram uma certa iniciação, que serão capazes de entender, de acompanhar e de se beneficiar dos ensinamentos mais elevados. Deve ficar bem claro que a iluminação não é algo homogêneo. Sabemos que tanto no plano físico como no espiritual a iluminação ocorre em diferentes intensidades. Sabemos que existem lâmpadas que dão uma intensidade de luz de 40, 60, 100 ou mais watts. Portanto, no mundo físico a iluminação ocorre em diferentes intensidades. Podemos conceber que os Mestres, seus discípulos e as pessoas em geral, também têm diferentes níveis de potencial iluminação interior.


Mas por que a diferença na intensidade da luz interior levou o Mestre a preparar seus discípulos em vez de atender diretamente a necessidade de luz, de entendimento das multidões? Usando o sistema de energia elétrica como exemplo, sabemos que a energia elétrica é gerada em altíssima voltagem, com uma potência muito forte, e que, ao sair do gerador é preciso um transformador para abaixar aquela tensão a um nível que possa ser transmitida pela rede.

Muito bem. Um Mestre, um Mensageiro do Alto, seria como um transformador da mais alta potência recebendo a energia divina diretamente da fonte e abaixando-a para um nível que possa ser transmitida pela rede existente. Então, essa energia é transmitida e captada pelos discípulos que, por sua vez, agem como transformadores, abaixando outra vez a energia para que ela possa chegar ao consumidor final, num nível que seja compatível com seus equipamentos. É por isso que os Mestres dedicam a maior parte da sua atenção, de seu ministério, para aqueles que o seguem, para seus discípulos. Fazem isto porque sabem que eles têm a capacidade para receber e o comprometimento para transmitir aquela energia da sabedoria para as multidões.


Passando agora ao conteúdo da mensagem do Mestre, vemos que em todo seu ministério, e no Sermão da Montanha, em particular, Jesus está procurando transmitir um conjunto de ensinamentos que se fundamentam em quatro pontos principais.
  • O primeiro é que o objetivo de toda a vida espiritual é alcançar o reino dos céus que, como vimos em outras ocasiões, significa voltar ao estado inicial de união com Deus.
  • O segundo ponto é que para isso, o homem deve mudar de dentro para fora. Já que ele está imerso na materialidade, está tolhido por seus condicionamentos insensatos, então ele precisa se transformar. 
  • O terceiro ponto é que todas as ações do homem na terra são regidas por uma grande lei conhecida como a lei de causa e efeito.
  • E o quarto ponto, finalmente, é que existe um grande princípio de coesão no universo. Esse princípio de coesão, de união, é conhecido por nós como Amor. Esse princípio faz com que todas as barreiras possam ser transpostas, todos os impedimentos sejam dissolvidos para a reunião, para a união final do homem com Deus.
Esses quatro princípios são apresentados de diferentes formas, sob diferentes ângulos, por Jesus, ao longo do Sermão da Montanha.As Bem-Aventuranças...As Bem-Aventuranças são ideais ou virtudes que devem ser alcançadas pelos discípulos que decidem seguir a senda que leva à iluminação plena. Representam a essência espiritual dos ensinamentos. E todas elas começam com “bem-aventurados”.
Bem-aventurado é aquele que alcançou um estado de felicidade tão profundo que, na pratica, não pode ser descrito. E esse estado de bem-aventurança é alcançado, não na nossa consciência usual da vida terrena, mas quando experimentamos a união com o Supremo Bem. Em outras palavras, ele torna-se uma realidade quando o discípulo alcança um nível suficientemente alto de consciência em que se vê unido a Deus. Então, nesse momento, ele experimenta essa imensa felicidade que é a bem-aventurança. Portanto, as bem-aventuranças são as qualidades que possibilitam os discípulos alcançar esses estados de consciência

Verificamos estes ideais são primeiramente indicados nas bem-aventuranças e apresentados em mais detalhes no restante do texto do Sermão da Montanha.
Começando, então, com a primeira bem-aventurança:

“Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus”.

Pobres em espírito no sentido ético, que tem a ver com a personalidade, é o desapego das coisas materiais, desapego também dos pensamentos e de idéias pré-concebidas. Nesse caso, o discípulo, o eu torna-se desapegado. Ainda há dualidade, ou seja, é uma pessoa que está se desapegando. Mas, o objetivo mais elevado dos ensinamentos é um sentido espiritual. E no sentido espiritual, o pobre em espírito é aquele que tem total ausência de egoísmo e orgulho, que foram substituídos pela humildade e modéstia. Então, para estes, verdadeiramente pobres em espírito, não existe mais a consciência de um eu separado. E, sendo assim, não existindo mais a consciência de um eu separado, realizou-se a união e foi alcançada a bem-aventurança. Vamos verificar ao longo de todos os evangelhos que o termo reino dos céus refere-se a um estado de consciência elevado, culminando com a unidade.

“Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra”.

Prestem atenção: Os mansos herdando a terra. Numa primeira leitura, não nos parece muito convincente essa bem-aventurança. Em nossa experiência no mundo, verificamos seguidamente que são os agressivos, os prepotentes que conseguem as coisas que querem. Então, como Jesus estaria dizendo que os mansos vão levar a terra, já que a nossa experiência mostra que são os fortes, os agressivos, que ganham as coisas do mundo. Será que Jesus estava errado ou será que há um sentido espiritual por trás disso?

Em primeiro lugar, não devemos pensar no conceito de manso, como normalmente prevalece em nossa sociedade, como sendo uma pessoa um pouco fraca, até mesmo covarde, que prefere se esconder, se encolher, em vez de lutar por seus direitos. Não. O discípulo é sempre uma pessoa forte interiormente, forte a ponto de ser capaz de enfrentar situações para manter uma conduta previamente auto-estabelecida. Então, o manso a que Jesus se referia é aquele que alcançou a ausência de eu, é aquele iluminado que entende que deve conformar-se à vontade de Deus. Ele expressa total inofensividade em sua vida. Por isso ele é manso. E, logicamente, num sentido espiritual, quem é inofensivo, quem se conforma com a vontade de Deus, pode ser confiado pelo Supremo Bem com o poder sobre as coisas do mundo, o poder sobre a manifestação. Então, nesse sentido, os mansos herdam a terra.

“Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados”.

Algumas versões da Bíblia traduzem esse versículo como, “bem-aventurados os que choram”.A idéia é praticamente a mesma. Não se trata aqui meramente da dor. A dor, pode ser uma grande instrutora, mas certamente, não é uma fonte de bem-aventurança. Então, não se trata de uma aflição pela perda dos bens, da saúde ou de um ser amado, que traz a consolação a que se refere esta bem-aventurança, a consolação do Supremo Bem. Porque somente o Supremo Bem poderia trazer bem-aventurança. Aqueles que se afligem pelas coisas do mundo, expressam seu apego pelo que foi perdido. E geralmente expressam esse apego com ressentimentos e mágoas, o que não é atitude espiritual. Verdadeiramente, a aflição que traz o consolo da bem-aventurança é a aflição pela ausência da graça divina.

O homem comum chora pela perda das coisas desse mundo, o homem espiritual se aflige pela perda do estado original de união com Deus. Nesse caso, o discípulo sente que perdeu aquilo que tinha de mais precioso: o deleite constante da Presença de Deus. A criação é, na verdade, uma saída do seio de Deus. Portanto, sua alma, tendo despertado para a realidade última, anseia voltar para o seio de Deus, para a união com o Pai Celestial. Esta é a aflição que faz com que a pessoa seja consolada com a bem-aventurança.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados”.

A leitura literal deste aforismo pode levar a enganos, pois muitos podem imaginar que Jesus estava ensinando que o homem não precisa fazer força, já que seus anseios serão atendidos por Deus. Ora, isso levaria as pessoas que assim acreditassem, a buscar uma situação de “sombra e água fresca”, como expressa o ditado popular. Nesse caso, não fariam força, não se engajariam na vida do mundo, tornando-se indolentes, verdadeiros parasitas para a família e para a sociedade. Jesus não se referia à justiça desse mundo. No sentido espiritual, o que Jesus se referia como justiça era o conhecimento divino. Os que têm fome e sede do conhecimento divino, sabem que devem buscar esse conhecimento avidamente, bater insistentemente à porta e pedir a graça de todo o coração.

São esses indivíduos que são referidos, mais adiante na Bíblia, como sendo aqueles que tomam o reino do céu pela força. Esses ativistas serão obviamente, saciados. Quando examinamos mais atentamente vemos que com o conhecimento divino, percebemos a divina justiça. A suprema justiça, estipula que a graça seja concedida, na medida em que as pessoas se esforçam para obtê-la. E ela só pode ser obtida pela mudança interior; sempre! É isso que foi expresso como fome e sede de justiça. Então, quanto mais a pessoa se engaja na busca do conhecimento divino, quanto mais se esforça, quanto mais se engaja, maiores as chances de resultados favoráveis. No início da busca interior, a graça vem como inspiração e força para continuar o processo de mudança interior. Quando essa ocorre, chega finalmente o momento em que a graça se manifesta como a presença de Deus.

“Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”.

Teremos aqui, mais uma vez, outra maneira de apresentar a lei de causa e efeito. Quem é misericordioso alcança a misericórdia. Como dissemos inicialmente, os quatro temas fundamentais serão reiterados de diferentes maneiras, pois esta era a didática do Mestre, de fazer com que estes conceitos bem diferentes daqueles pelos quais o homem do mundo vive, fossem entendidos, absorvidos e, finalmente, passassem a ser também vivenciados.

O discípulo iluminado está consciente da unidade e sente naturalmente uma profunda compaixão por todos os seres. Assim, em virtude da grande lei, ele alcança a compaixão divina. Esse aforismo oferece uma orientação prática para a vida do discípulo e também mais um exemplo da aplicação da lei de causa e efeito. A importância desta lei é tão fundamental que o Mestre menciona vários outros exemplos de sua aplicação mais adiante no Sermão da Montanha.

“Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus”.

A recompensa indicada para os puros de coração é ver a Deus. Essa é a primeira realização dos místicos que alcançam o reino dos céus. Aqueles que leram algo sobre a vida dos místicos, não só da tradição cristã, mas das tradições orientais ou mesmo dos sufis, sabem que uma das primeiras realizações dos místicos é alcançar visões interiores que eles interpretam como sendo ver a Deus. A pureza referida não é somente uma pureza moral. O sentido espiritual de pureza de coração é a completa libertação do desejo pessoal. Quando há expectativa de retorno, em que a pessoa faz alguma coisa para obter algo, existe impureza de coração. Trabalhar para obter uma vantagem é uma atitude natural em nosso mundo, mas não uma atitude espiritual. No texto desta bem-aventurança está implícito, também, o estado de união com Deus. Isto porque somente aqueles que se desapegaram inteiramente do eu, conseguem alcançar esta atitude de verdadeira pureza de coração.

“Bem-aventurados os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus”.

A paz deve ser promovida tanto no interior como no exterior. Primeiramente, a paz aparece como decorrência da transformação do indivíduo, aguçando sua mente e despertando sua intuição. Com isso ele passa a entender as leis do universo, as leis da manifestação que regem a vida do homem. O resultado deste entendimento é uma aceitação da vida como ela é e não como gostaríamos que ela fosse. Com essa aceitação vem uma profunda paz. Uma vez alcançada essa paz interior, ela naturalmente se reflete na vida exterior do indivíduo, que não mais entretém motivações, pensamentos, palavras e, principalmente, ações egoístas ou cruéis. Ele, então, está interiormente em paz e transmite esta paz àqueles que o cercam. Portanto, aqueles que estabelecem a harmonia interior e transferem essa harmonia para o seu exterior, estão agindo como Deus espera de seus filhos. Conseqüentemente, eles serão chamados filhos de Deus. Essa é sem dúvida uma grande realização porque na nossa tradição, quem é chamado de Filho de Deus? Jesus, o Cristo é o filho de Deus. Então, aqueles que são os pacíficos, os que promovem a paz, estão expressando Cristo em sua vida diária, por isso são chamados de Filhos de Deus.

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça porque deles é o reino dos céus”.

Vários autores sugerem que esta bem-aventurança continua com o texto da próxima. Como concordo com esta avaliação, vou fazer algumas apreciações das duas em conjunto. Seriam então oito bem-aventuranças em seu total.

“Bem-aventurados sois quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e regozijai-vos porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os Profetas que vieram antes de vós.”

Perseguição gera sofrimento. Sofrimento em si não salva ninguém. O que salva é a compreensão que o sofrimento pode propiciar. Isto é muito importante. Existe uma atitude quase masoquista com relação ao sofrimento em nossa tradição. O sofrimento é um instrutor, mas não leva a nenhuma bem-aventurança. As qualidades de coragem, perseverança e destemor por parte daqueles que sofrem perseguição por uma causa nobre, referidas na bem-aventurança como “por causa da justiça” e “por causa de mim” indicam que esses iluminados percebem que a verdade vale mais do que a sua vida passageira. Então o auto-sacrifício e o destemor abrem as portas do reino.

Quem busca a verdade vive de forma diferente das massas. Todos nós percebemos que existem algumas pessoas que são, vamos dizer, diferentes, e quando as observamos com atenção, verificamos que elas têm um comportamento, uma ética, e certos ideais de vida que são bastante diferentes das massas. Por isso mesmo, as massas têm uma certa desconfiança daqueles que são diferentes. Há sempre uma pressão das massas para o conformismo. Aqueles que são diferentes são tratados com desconfiança e, muitas vezes, são perseguidos. Foi isso que aconteceu com Jesus e com quase todas as grandes almas que procuram divulgar mensagens transformadoras. Esses reformadores são invariavelmente considerados subversivos pelo regime vigente e, quase sempre, são perseguidos.

Tendo concluído essas apreciações preliminares sobre as bem-aventuranças, vamos começar agora a examinar as instruções mais detalhadas. Deve ficar claro, que são algumas apreciações superficiais que não refletem a profundidade e alcance dos ensinamentos do Mestre. Os aforismos contidos nos 3 capítulos que integram o Sermão da Montanha oferecem uma imensa riqueza que poderia ser considerada e estudada muito mais longamente. O objetivo é de estimular esta leitura atenta, essa meditação, esse aprofundamento do legado de Jesus.

Mais uma vez, Jesus dirige-se a seus discípulos e diz:

“Vós sois o sal da Terra. Ora, se o sal se torna insosso, com o que o salgaremos? Para nada mais serve se não para ser lançado fora e pisado pelos homens”.

“Vós sois a luz do mundo. Não se deve esconder uma cidade situada sobre um monte, nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candelabro e assim ela brilha para todos os que estão na casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens para que vendo as vossas boas obras eles glorifiquem o vosso Pai que está nos céus”.

À medida que estudamos a Bíblia, verificamos que a linguagem de Jesus é sempre forte e vívida, procurando evocar imagens que possam ser compreendidas por aqueles que ouviam a sua palavra, principalmente, naquele tempo.

Mestre Jesus, o Cristo tendo indicado os grandes ideais do discipulado, passa a detalhar a postura esperada de seus discípulos. Os discípulos de todos os tempos são referidos como o sal da terra e a luz do mundo. Isso porque eles estão sintonizados com a sua essência última e essa é tratada por Jesus como sendo o sal que salga as massas, como sendo a luz que dissipa a escuridão. Enquanto o desenvolvimento do discípulo continua, o sal conserva o seu sabor. Porém, quando o homem externo perde ou renuncia o contato com o eu interior, o sal perde o seu sabor e, alegoricamente, para nada mais serve.

Vemos, portanto, que o discípulo é treinado a conhecer, por experiência direta, a manifestação da luz espiritual como o núcleo do seu ser. Com isso passa a saber que ele é luz. Esse tipo de linguagem calava fundo nos seus discípulos, porque a maior parte deles já tinha desenvolvido a visão espiritual ao nível de, pelo menos, poder ver a sua luz interior. Porque, como dissemos anteriormente, a iluminação ocorre em diferentes níveis. E num dos primeiros níveis, o discípulo passa a perceber a sua essência interior como luz. Jesus diz que não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. A cidade refere-se à consciência do discípulo que, quando em estado elevado, ou seja, construída, edificada sobre um monte, não pode ser escondida. Portanto, o discípulo que alcançou a iluminação deve, através do seu exemplo, fazer com que a sua luz brilhe para o benefício de toda a humanidade, glorificando desta forma, o Pai que está nos céus.
O aforismo seguinte é bastante conhecido e merece a nossa atenção:

“Não penseis que vim revogar a lei e os profetas. Não vim revogá-los mas dar-lhes pleno cumprimento. Porque em verdade vos digo que até que passem o céu e a terra não será omitido nem uma só vírgula da lei sem que tudo seja realizado. Aquele, portanto, que violar um só desses menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo, será chamado menor no reino do céu. Aquele porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no reino dos céus. Com efeito, eu vos asseguro que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no reino dos céus.”

Mestre Jesus, o Cristo diz aqui que a verdadeira tradição espiritual de seu povo, conhecida como a lei mosaica, não devia nem podia ser destruída. Sua missão era, porém, de liberar seu povo das incrustações limitadoras introduzidas na lei. Seus ensinamentos mostram que a vida espiritual demanda mais que a mera obediência a preceitos externos. Da simplicidade inicial dos dez mandamentos trazidos por Moisés do Monte Sinai, com o tempo, a Lei Mosaica foi expandida e acrescida até chegar aos seiscentos e trezes preceitos então conhecidos: “não faça isso, não faça aquilo, faça isso, faça aquilo outro”.

A vida dos judeus estava inteiramente prevista e a atitude esperada deles era obedecer, ou seja, fazer aquilo que estava sendo prescrito. Jesus, então, alerta seus discípulos, que é preciso muito mais do que meramente obedecer a preceitos externos. Eles devem desenvolver o discernimento e a compaixão. Porque aqueles que têm discernimento e compaixão, saberão retirar do âmago do seu ser, tudo aquilo que deve ser feito ou que não deve ser feito, em cada ocasião.

Tendo esclarecido que sua missão era dar “pleno cumprimento à Lei”, Mestre Jesus passa a aprofundar o entendimento da Lei. Ele mostra que não basta cercear a ação exterior. Para ser justo é preciso uma reta atitude interior. Os pensamentos e a motivação das pessoas devem estar de acordo com o espírito da lei. Precisamos estar atentos à linguagem de Jesus, que às vezes parece estranha para nós. No texto, é mencionado que não será omitida nem uma só vírgula da lei. Para seu povo que estava ouvindo em aramaico, uma língua diferente do hebraico mas que, não tendo alfabeto próprio, usava o alfabeto judaico, o “i” do nosso texto representava um “iod”, a menor letra no alfabeto hebraico. É um pequenino “i”, realmente muito pequeno. E as vírgulas mencionadas eram os sinais massoréticos, pequenos pontos ou vírgulas que dão a acentuação e a divisão das sílabas nas frases, pois as palavras em hebraico, normalmente não têm vogais, são só consoantes. Para seus ouvintes ficava claro que não seria omitido o menor detalhe da lei. Mas a que lei Jesus estava se referindo? Seriam os seiscentos e treze preceitos judaicos conhecidos então, ou a verdadeira lei espiritual que ele estava procurando resgatar? Com a continuação da pregação de Jesus fica claro que a lei em pauta era a lei divina sem os acréscimos inseridos pelos escribas.

Temos, também uma outra expressão nessa passagem que merece a nossa atenção. É a indicação que quem violar um dos menores mandamentos será chamado “menor” no reino dos céus. Porém, foi dito que o reino dos céus é um estado de consciência de união com Deus. Então, quem está num estado de consciência de união com Deus vai cometer deslizes da lei espiritual? Esse ponto merece ser considerado ainda que de forma um tanto superficial.Da mesma forma como dissemos que existem diferentes níveis de iluminação, o estado do “reino” também ocorre em diferentes níveis. O primeiro nível de união é aquele em que a consciência de vigília do homem, a consciência da personalidade que está centrada na mente concreta, consegue unir-se à mente abstrata. Com isso ocorre uma enorme expansão de consciência. É a consciência advinda da união do homem externo com o homem interno. Esse é o primeiro nível de união e é, na verdade, um pré-requisito para a Crístificação. A meu ver, essa realização expressa o nível de consciência que deve ser alcançado para que um discípulo seja aceito pelo mestre.

Temos um outro nível de união. Quando o ser exterior e o interior já estão unidos, essa união pode ser aprofundada pelo nascimento do Cristo interior. O que está sendo referido é o nascimento da intuição, representado na tradição cristã como o nascimento do Cristo. Nas tradições esotéricas, essa etapa é referida como a primeira iniciação. Um segundo nível, um nível mais elevado de união é alcançado, quando o Cristo interior se expande e é conferida a segunda iniciação. Quando o Cristo alcança a sua plenitude a pessoa é tida como realmente iluminada. Na tradição esotérica, seria alcançada a terceira iniciação.

Mas a jornada da alma ainda não terminou: um novo nível de união pode ser alcançado, a união com o espírito universal. Alcança-se, então, a redenção. Na tradição esotérica, equivaleria à quarta iniciação. Finalmente, o indivíduo alcança a meta final, a união com o Pai, Deus não manifestado, referido por alguns autores como a mônada. Na tradição cristã a alma é alçada aos céus e senta-se a direita de Deus Pai todo poderoso. Alcança-se a quinta iniciação. E é dito que existem iniciações ainda mais elevadas que expressam uniões inconcebivelmente mais sublimes.

Então, com esse primeiro entendimento dos diferentes níveis de união, podemos entender por que, no primeiro nível de estado de consciência do reino, o menor no reino dos céus, o discípulo ainda não alcançou a perfeição, ainda pode e certamente cometerá alguns deslizes, os menores dos mandamentos. Mas aquele que praticar todos os mandamentos, aquele que alcançar a perfeição, que alcançar as mais altas iniciações, os mais altos níveis de união com Deus, esse será chamado “grande” no reino dos céus.

Mestre Jesus, o Cristo também nos alerta para o que era chamado “a justiça dos escribas e fariseus”. Os escribas e fariseus eram constantemente castigados nas elocuções de Jesus, como sendo os paradigmas da hipocrisia e da falsidade. E por quê era isso? Por que Jesus usava esse termo tão forte? Porque calava fundo no coração daqueles que o ouviam, porque eles sabiam que os escribas, os fariseus, os doutores da lei os oprimiam com a insistência na observância dos mínimos detalhes daqueles seiscentos e treze preceitos. Os fariseus se vangloriavam não só de conhecê-los mas de obedecê-los. Só que obedeciam muitas vezes sem discernimento e, o que era pior, sem compaixão. Por isso, em várias passagens bíblicas, Jesus é criticado pelos escribas e fariseus, pelos doutores da lei, por fazer alguma coisa que ia contra a lei, como por exemplo, curar no sábado. Naquelas ocasiões, Jesus usava de linguagem forte para chamar atenção do povo que a compaixão deve guiar todas nossas ações. Por isso, Jesus insistia que seus discípulos deviam desenvolver o discernimento juntamente com a compaixão para determinar, em cada circunstância, o comportamento apropriado.

“Ouviste o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder no tribunal. Eu porém, vos digo. Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, terá que responder no tribunal. Aquele que chamar ao seu irmão “cretino” estará sujeito ao julgamento do Sinédrio. Aquele que lhe chamar “louco” terá de responder na geena de fogo. Portanto, se estiveres para trazer a tua oferta ou oferenda ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferenda ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e depois virás apresentar a tua oferta. Assume logo uma atitude conciliadora com o teu adversário enquanto estás com ele no caminho para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e assim sejas lançado na prisão. Em verdade vos digo, dali não sairás enquanto não pagares o último centavo”.

A velha lei, a lei mosaica, tratando de um estado anterior e inferior da consciência humana, preocupava-se com as coisas externas, as ações. Jesus vem aperfeiçoar a lei, chamando a atenção para seus aspectos mais internos. Assim, a agressão verbal e os sentimentos de cólera também são condenados. A essência da mensagem de Jesus é que o homem interno deve ser mudado. E não que o homem simplesmente deve se abster de certas ações externas. Esse mandamento, passa a expressar o respeito à vida no seu sentido mais amplo. Ele indica o ideal que é expresso nas tradições orientais como ahimsa, a inofensividade em ações, palavras, emoções e pensamentos.

Voltemos agora nossa atenção para a expressão: “aquele que chamar o seu irmão de louco terá que responder na geena de fogo”. Isso parece um castigo demasiado pesado. Vocês acham que tal castigo, por uma mera palavra insensata, é compatível com a compaixão divina? Ter que responder na geena de fogo, no inferno, pois esta era a expressão que os judeus usavam para representar o que nós, cristãos, chamamos de inferno. No entanto, assim como o reino do céu é um estado de consciência, a geena de fogo, o inferno, também é um estado de consciência, não é um lugar lá no fundo da terra onde o fogo queima por toda a eternidade. Na verdade é um estado de consciência em contraste com o reino dos céus: o reino dos céus é um estado de consciência de união que leva à bem-aventurança. O inferno é um estado de consciência de desunião, de separatividade que leva ao sofrimento. Então, é nesse sentido que devemos entender que aqueles que xingam os seus irmãos, que demonstram cólera, estão acionando forças que vão reverter contra eles, através da lei de causa e efeito, causando-lhes sofrimentos psíquicos compatíveis com a ofensa causada. Então o castigo é perfeitamente linear, estando de acordo com a justiça divina.

Verificamos também, nessa passagem, a ênfase que Mestre Jesus dá ao estado de consciência interior. "Quando alguém for levar uma oferenda ao altar e se lembrar que um irmão tem alguma coisa contra ele, deve voltar e procurar se reconciliar com o seu irmão." Os judeus davam muita ênfase aos atos de adoração, tanto nas sinagogas como no templo. Nos sábados e feriados, deviam oferecer sacrifícios, levando oferendas como gado, ovelhas, pombas, incenso, parte de sua colheita, o famoso dízimo. Portanto, levar oferendas ao altar estava muito entranhado na cultura judaica, era o elemento central do ritual de devoção. No entanto, Jesus chama atenção que se alguém estiver engajado em algum ato de devoção externa mas se lembrar que algum irmão tem algo contra si, muito mais importante do que o ato de devoção externa é a atitude de harmonia interna, de reconciliação, de amor.

“Ouviste o que foi dito: Não cometerás adultério. Eu porém vos digo, todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso, já cometeu adultério com ela em seu coração.”

Obviamente, este ensinamento também é válido para as mulheres que, em nosso mundo atual passaram a olhar para os homens com olhar libidinoso. Sabemos que o pecado não é meramente uma ação externa. Tudo aquilo que é feito no exterior começou com uma intenção, alimentada por pensamentos. Mestre Jesus está nos alertando para a necessidade de auto-domínio e de controle mental das paixões.

Esse ponto nos faz lembrar a questão da continência que é mencionada em várias tradições espirituais. Devemos ser muito cautelosos com essas prescrições. A continência certamente será uma prescrição que o discípulo avançado terá que acatar quando atingir um determinado patamar e estiver pronto para certas práticas que demandam o uso de forças interiores, como o fogo da kundalini. Nesse estágio a castidade será necessária. Antes disso será uma questão de foro íntimo de cada discípulo, sendo o mais importante a atitude sexual correta. O discípulo que está comprometido com a vida espiritual sabe o que é uma vida sexual correta. A continência, que é importantíssima para os discípulos avançados, está relacionada com outra passagem que se encontra mais adiante no evangelho de Mateus, que diz: “Há eunucos que nasceram assim; há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens e há eunucos que se fizeram eunucos por causa do reino dos céus.”

“Caso o teu olho direito te leve a pecar, arranque-o e lance-o para longe de ti, pois é preferível que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado na geena. Caso a tua mão direita te leve a pecar, corta-a e lança-a para longe de ti, pois é preferível que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo vá para a geena”.

Mestre Jesus, obviamente, estava chamando a atenção para a integridade da alma que tem que ser resguardada em todas ocasiões. E ele sempre usava linguagem metafórica que tem que ser entendida no seu sentido simbólico. Nenhum, absolutamente nenhum verdadeiro instrutor espiritual vai recomendar a auto-mutilação como método para a purificação. Logicamente então, a linguagem é simbólica. Jesus sempre nos mostra que mais importante do que a atitude externa, é a atitude interior. E o que condiciona a atitude interior? É a atitude da mente. Então, são os pensamentos maus, são as visões distorcidas, são as atitudes arraigadas, são aqueles hábitos nocivos que precisam ser arrancados. E é exatamente para isso que Jesus está chamando a atenção de seus discípulos ao usar exemplos exteriores como símbolos de coisas interiores. Se quiserem alcançar o estado de consciência do Reino, o estado de bem-aventurança de união com Deus, cortem, arranquem de dentro de si tudo aquilo que distorce a sua visão de mundo, tudo aquilo que compromete seu comportamento no mundo.

O aforismo a seguir, fala sobre o divórcio. Para minha satisfação, verifiquei que o grande estudioso da Bíblia, Geoffrey Hodson, é de opinião que as palavras do Mestre neste caso foram distorcidas, ou não foram bem registradas, pois não expressam o verdadeiro sentido de seus ensinamentos. Jesus não era um mero pregador de moral. Todos seus ensinamentos tinham uma verdade espiritual subjacente e profunda que não se encontra aqui. Portanto vamos deixa-lo de lado.

“Ouviste também o que foi dito aos antigos. Não perjurarás mas cumprirás os teus juramentos para consigo. Eu porém vos digo. Não jureis em hipótese nenhuma, nem pelo céu porque é o trono de Deus nem pela terra porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém que é a cidade do grande rei, nem jures pela tua cabeça porque não tens o poder de tornar um só cabelo branco ou preto. Seja o vosso sim, sim e o vosso não, não.”

Mestre Jesus estava atacando um hábito dos judeus da sua época de jurar. A razão para isso é que entre eles deviam dizer sempre a verdade, mas para os gentios, para os de fora, a verdade não era necessariamente obrigatória. Sabemos, no entanto, que a pessoa que em certas ocasiões costuma faltar com a verdade, ou mesmo dizer mentiras, quando querem que os outros acreditem nelas, tendem a usar juramentos na tentativa de que os outros acreditem nelas. Jesus vai ao âmago da questão condenando esse mau hábito, dizendo que devemos ter uma atitude coerente. O verdadeiro discípulo é aquele que está em busca da verdade. E se são buscadores da verdade, devem viver em consonância com a verdade. Por isso, Jesus disse que o nosso sim deve ser sim, o nosso não deve ser não e não devemos jurar em hipótese alguma, por coisa nenhuma.
Chegamos agora a um de seus ensinamentos mais difíceis.

“Ouviste o que foi dito: olho por olho e dente por dente (A lei de Talião). Eu porém vos digo: não resistais ao mal. Antes, àquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda. E àquele que quer pleitear contigo para tomar-te a túnica, deixa-lhe também a veste. E se alguém te obrigar a andar uma milha, caminha com ele duas. Dá ao que te pede e não voltes às costas ao que te pede emprestado”.

Não resistir ao mal, não retaliar é a atitude correta para quem busca a paz e a harmonia que levam ao Reino. Reiteramos mais uma vez, Jesus está passando instruções aos seus discípulos, aos discípulos de todos os tempos. Esses discípulos devem viver em consonância com uma ética elevada para alcançar a paz interior que, por sua vez, possibilite alcançar o estado de consciência do reino. Essa mesma instrução foi dada pelo Buda e por outros grandes instrutores. Todos nós sabemos que esta instrução é de muito difícil aplicação. Quem não sabe que quando nos insultam a nossa primeira reação é de responder à altura? Quando nos agridem, normalmente a nossa primeira atitude é de revidar. Jesus nos ensina, porém, que a verdadeira atitude espiritual é de não resistir ao mal. Apesar desta instrução ser dirigida aos discípulos, alguns grandes seres conseguiram que as massas seguissem esse ensinamento. Em nossa história moderna temos os exemplos de Mahatma Ghandi, na Índia, e Martin Luther King, nos Estados Unidos, que lideraram grandes movimentos populares, com base nesse preceito de resistência pacífica, conseguindo importantes mudanças, vencendo injustiças sociais em seu tempo.

E a razão para esta orientação é que tudo o que acontece na nossa vida é o resultado da grande lei de Causa e Efeito. Por isso, devemos entender que nenhum homem é, na verdade, nosso inimigo. Todos os homens que caracterizamos como amigos e inimigos, são nossos instrutores. Alguns nos instruem de maneira agradável, outros, de forma bem mais desagradável. Mas esses também, os que agem de forma agressiva para conosco. Na verdade nada ocorre por acaso. Portanto, a maneira sábia para um discípulo terminar um ciclo de agressão é não revidando o mal com o mal. O homem comum, quando se sente agredido, fica enfurecido e revida, e com isso sofre duplamente. Primeiro porque recebeu o que lhe era devido em virtude de um débito anterior mas, ao receber a quitação, revida e cria um novo débito, e, com isso, continua preso à roda do samsara, como dizem na tradição oriental, continua prisioneiro da causa e efeito. Somente através de não retaliação é que se quebra essa roda aparentemente sem fim, que é a prisão em que o homem vive nesse mundo.

Também, sob o prisma psicológico e espiritual, não resistir ao mal é uma atitude sábia porque sabemos que, cada vez que uma energia é desencadeada, se tentarmos resisti-la, ou reprimi-la, só vamos conseguir com que essa energia adquira mais força. Então, resistir ao mal, não significa somente resistir a uma pessoa que veio nos agredir. Significa também, resistir um mau pensamento, resistir uma idéia má. Então, em vez de resistir ou reprimir as energias, pensamentos, idéias, sentimentos, emoções e tudo aquilo que sabemos ser pernicioso para nós, devemos buscar a sabedoria para transmutá-las. Isso é o que os psicólogos recomendam e que os sábios ensinam.

Um detalhe curioso da passagem, só pode ser entendido com base na tradição das tropas de ocupação romanas. É dito: “se alguém te obrigar a andar uma milha, caminha com ele duas”. Na época em que a Palestina estava sob o jugo dos romanos, os soldados romanos tinham o poder de chamar qualquer pessoa para ajudá-los a carregar suas armas e pertences. E os soldados não viajavam leves. Levavam escudos, espadas, enfim tudo o que precisavam para as suas lides guerreiras. A lei romana lhes permitia chamar qualquer pessoa para ser seu carregador por uma milha. Porém, Jesus aproveita para nos ensinar que: “se acontecer algo penoso em tua vida, aproveite essa ocasião como uma lição, como uma oportunidade de praticar o desapego, adotando a atitude de pensar no interesse dos outros e não no seu próprio conforto. Mas faça isso de bom grado, simbolicamente, caminhe duas milhas”.

“Ouviste o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu porém vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Desse modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus porque ele faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos. Com efeito, se amais aos que vos amam que recompensas tendes? Não o fazem também os publicanos a mesma coisa? E se saudais apenas os vossos irmãos, o que fazeis de mais? Não fazem também os gentios a mesma coisa?”

Se examinarmos atentamente o Sermão da Montanha, vamos notar que há uma seqüência de idéias. As idéias vão sendo aprofundadas. O tema central é que não basta evitar um comportamento externo inapropriado, mas que devemos cultivar também uma atitude interior correta. O primeiro exemplo da necessidade de uma atitude interior correta além do comportamento exterior apropriado foi em algo bastante gritante, ou seja, não matar. Seguem os casos de não cometer adultério, não perjurar, não revidar, e agora, esta linha de ensinamentos culmina com algo especialmente sublime, amar os inimigos. A atitude interior agora é levada ao seu ápice. Amar os inimigos. O mesmo ensinamento também foi dado pelo Buda, que disse que o ódio não cessa com o ódio. O ódio só cessa com amor. A máxima abnegação e altruísmo são alcançados quando conseguimos perdoar e amar aos que nos perseguem e causam danos.

Esse ensinamento foi reformulado mais tarde na tradição cristã. Em virtude da paternidade divina e da fraternidade humana, devemos reconhecer que todas as pessoas são nossos irmãos potenciais em Cristo, incluindo aqueles que consideramos ou que nos consideram como inimigos. Por isso devemos trata-los sem ressentimento e sem hostilidade. Devemos entender que eles agem assim porque estão momentaneamente confusos e obscurecidos, pois ignoram a grande Lei.

Portanto, Mestre Jesus disse: “Amai os vossos inimigos e orai por eles”. Ele deixa subentendido que aqueles que nos perseguem estão fazendo isso porque desconhecem a operação da lei de causa e efeito. Por isso, o discípulo é instruído, em primeiro lugar a não revidar e não odiar, mas também, a compreender o seu comportamento insensato e orar para que ele possa mudar. Esse realmente é um estado muito elevado de consciência. Mestre Jesus está nos ensinando de forma prática que Deus é amor e que nada pode resistir ao poder do amor divino.

O discípulo avançado poderá valer-se desta instrução para utilizar a força do amor divino, que também é poder. Tenho certeza que sendo buscadores da verdade comprometidos com a vida espiritual, em algum momento da vida vocês chegaram a conclusão que era melhor tentar mandar energia positiva para a pessoa que estava querendo fazer mal a vocês.

Tomei a liberdade de efetuar uma pequena mudança na seqüência do texto e inserir nesse ponto o versículo Mt 7:12, que diz: “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas.” Essa mudança pareceu-me lícita e apropriada pois, onde se encontra no Capítulo VII, esse maravilhoso ensinamento não faz parte de uma seqüência, talvez indicando que outros ensinamentos foram omitidos ou inseridos em outra parte do texto. Por outro lado, aqui calha perfeitamente bem, pois, juntamente com o último versículo do capítulo cinco oferece uma conclusão natural para esta seqüência de ensinamentos, “portanto deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é Perfeito.” A essência de todo ensinamento ético do Mestre Jesus é conhecida como a chave de ouro, pois oferece a orientação para todo e qualquer problema de relacionamento humano: “tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas”.

A lei de causa e efeito está sendo mais uma vez expressa. Vemos aqui que Jesus está reiterando um preceito que já era conhecido dos judeus da antiguidade. Porém, antes de Jesus este preceito era formulado de forma negativa : “Não façais aos homens o que não quereis que eles vos façam.” Era apresentado de forma negativa porque a ênfase da tradição judaica era não fazer o mal. Aqueles que estudam o budismo talvez se lembrem que, quando foi perguntado ao Buda: “Mestre, o senhor poderia resumir os seus ensinamentos?”

Buda respondeu: “Cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem.” Duas etapas. A primeira etapa, é não fazer o mal. Na antigüidade os judeus pregavam não fazer aos outros o que não queriam receber dos outros. Mas Jesus vai além: Aprendam a fazer o bem. Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Tomem a iniciativa de fazer o bem. Para os discípulos que passarem a reger suas vidas por este preceito, a conclusão do capítulo não será um ideal tão distante e quase inacessível: “portanto, deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito.”

Vemos aqui que a impessoalidade, a universalidade e a inevitabilidade da lei de causa e efeito são mais uma vez reiteradas. E, o que de grande alento para todos os que procuram seguir o Mestre, a verdadeira obediência à Lei reduz progressivamente a distância que nos separa de nossa meta final.

O Mestre deixa bastante explícito que a deidade não é responsável pelos resultados das ações dos homens. Quem ajuda os outros, recebe ajuda. Quem fere, será ferido, e na mesma proporção. Percebemos, também, que a perfeição só poderá ser alcançada quando alcançarmos o estado de bem-aventurança conseqüente do estado de consciência da unidade. É muito difícil para nós imaginarmos o que significa “ser perfeito como o pai que está no céu é perfeito”. Podemos pensar em perfeição no nosso mundo com nossos parâmetros de realização. Nesse caso, poderíamos dizer que o Sena foi perfeito no automobilismo; o Pelé é perfeito no futebol e assim por diante. Mas a perfeição divina, como pode ser concebida? Será que ela pode ser alcançada por um homem no mundo? Enquanto pensarmos como homens do mundo, não alcançaremos a perfeição. Somente quando alcançarmos o estado de consciência de união com Cristo, quando experimentarmos a total identificação com Cristo, poderemos então agir no mundo como Cristo agiria no mundo se estivesse encarnado.

Porém, a verdade é que Cristo está encarnado em nós, ainda que em nossa consciência comum não o saibamos. No entanto, quando rompemos as barreiras da mente e acordamos para a nossa realidade última como expressões de Deus no mundo, então seremos perfeitos como o Pai celeste é perfeito e passaremos a agir no mundo com de acordo com a perfeição divina.

Gostaria de chamar atenção para a passagem:

“Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens para serdes vistos por eles. Do contrário não recebereis recompensas junto ao vosso Pai que está no céu.”

Entre os judeus, praticar a justiça referia-se, normalmente, a praticar boas obras. E as principais boas obras eram, dar esmolas, orar e jejuar. Jesus ensina que em nenhum desses casos devemos fazer boas obras para nos enaltecermos. Apresenta como primeiro exemplo os hipócritas que fazem soar trombetas quando dão esmolas para que todos saibam o que eles estão fazendo. Na mesma situação estão aqueles que vão orar nas esquinas ou nas sinagogas em voz alta para serem tidos como pios por seus irmãos. Ou então, jejuar desfigurando o rosto para que os outros não deixem de saber que eles estão observando o preceito do jejum. Tudo que é feito num sentido espiritual deve ser feito no foro íntimo, para Deus e não para os homens. Deus não precisa que a pessoa diga que está fazendo jejum, que está dando esmola, que está orando. Por isso a oração, principalmente, tem que ser feita em segredo.

Com relação à oração, recebemos a belíssima herança de Jesus, o Pai Nosso. Essa oração merece todo um artigo a parte. Aproveito o ensejo para apresentar uma outra versão do Pai Nosso, além daquela que chegou a nós através da bíblia em grego, traduzida para o latim e mais tarde para as línguas ocidentais vivas. Mas existe uma outra versão: a original em aramaico. Não podemos nos esquecer que Jesus pregava em aramaico. Essa versão é como está aqui:

"Fonte da manifestação, Pai-Mãe do Cosmo. Focaliza tua luz dentro de nós, torne-a útil. Estabelece teu reino de unidade agora. Que teu desejo uno atue com os nossos, tanto na plenitude da luz como em todas as formas. Dá-nos o que precisamos cada dia em pão e percepção. Solta as amarras dos erros que nos prendem, na mesma medida em que soltamos os elos que mantemos da culpa dos outros. Não deixe que coisas superficiais nos iludam mas livra-nos de tudo que nos aprisiona. De Ti nasce a Vontade que tudo governa, o Poder e a Vida para realizar a melodia que tudo embeleza e de idade em idade tudo renova. Amém.”

Quando Jesus nos alerta: “Não junteis tesouros na terra”, ele está indicando que devemos procurar os tesouros do céu, os tesouros da alma e não aquilo que é terreno. Essa é uma das muitas passagens da Bíblia que é mal compreendida. Muita gente acha que Jesus estava pregando “façam como as aves do céu e os lírios do campo, não se preocupem em absoluto com a vida no mundo, deixem que Deus dará”.

Mas Deus nos colocou neste mundo com uma série de deveres e obrigações. Devemos agir e Ele nos recompensará de acordo com o nosso esforço. O que Mestre Jesus está chamando a nossa atenção é a questão da ênfase, da prioridade. Será que todos nós, mesmo aspirantes que somos, estamos absolutamente convictos que as prioridades que damos ao nosso tempo, à nossa atenção está de acordo com a nossa aspiração espiritual? Mestre Jesus está chamando exatamente a atenção para isso. Ênfase e prioridade entre as coisas terrenas e as coisas espirituais.

“Guardai-vos dos falsos profetas porque vêem a vós disfarçados de ovelhas mas por dentro são lobos ferozes, pelos seus frutos os conhecereis. Por acaso colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos cardos? Do mesmo modo, toda árvore boa dá bons frutos mas a árvore má dá frutos ruins. Uma árvore boa não pode dar frutos ruins, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. É pelo seus frutos, portanto, que os reconhecereis”.

Esse é um dos três últimos blocos de ensinamentos que foram mantidos como parte do Sermão da Montanha. Obviamente, Jesus estava chamando a atenção para o perigo, em todas as eras, dos falsos profetas, a terminologia no tempo de Jesus; em nossos tempos seriam os falsos "pastores, bispos, profetas, gurus." Como existem muitos oferecendo-se para ser nossos guias, acenando com iniciações nessa ou naquela técnica espiritual, Jesus nos alerta, pelos frutos os conhecereis. Uma das chaves para reconhecermos os verdadeiros é a pureza de coração. Quem espera ganhar algum benefício, aqueles que pedem uma contribuição para a igreja, uma contribuição para manter o movimento. Alerta! O alarme deve estar soando. Mas, pior ainda, é quando verificamos que a vida desses não reflete aquilo que eles pregam. Demonstram uma atitude de intolerância, de desrespeito ao próximo. Esses, provavelmente são falsos pastores, bispos, profetas, gurus. “Pelos frutos os conhecereis”.

“Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos céus. Mas, sim, aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus”.

Esse é mais um ensinamento em que Jesus faz o contraste, tendo antes chamado nossa atenção para os falsos pastores, profetas, bispos e gurus, agora ele chama a atenção para os falsos discípulos. Esses são os discípulos que vivem da boca para fora, dizendo que não só estão cumprindo os mandamentos, os preceitos, os ensinamentos, mas que têm poderes, que fizeram curas, exorcizaram, que fizeram milagres.
Jesus disse que só aquele que pratica a vontade de seu pai, aquele que já se distanciou do seu pequenino eu, que está inteiramente desapegado e que escuta a voz do silêncio, esse sim é seu discípulo. Nesse caso, também, pelos frutos serão conhecidos. E quem é que precisa conhecer os frutos do discípulo? Somente o Pai celeste que vê em segredo. Portanto, nossas obras não precisam ser reconhecidas externamente pelos outros, ninguém precisa anunciar que fez isso ou fez aquilo.

E finalmente,

“Assim, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as põe em prática será comparado a um homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha. Por outro lado, todo aquele que ouve essas minhas palavras, mas não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa e ela caiu. E foi grande a sua ruína.”

Nesse caso, tanto o homem sábio como o insensato conheciam os ensinamentos do Mestre Jesus. Qual era a diferença? O insensato conhecia os ensinamentos mas não os cumpria. Os sábios não só conheciam os ensinamentos como os cumpriam. Por isso, quando caiu a chuva, sopraram os ventos e vieram as enxurradas, quando chegaram as provações que todos os discípulos têm que enfrentar, eles não estavam fortalecidos pela prática espiritual e sucumbiram. Essas provações foram representadas nos Evangelhos, pelas tentações do Mestre Jesus no deserto. Até mesmo um discípulo avançado passa por tentações, simbolizadas pelas enxurradas e os ventos.

Aquele que tem sempre os ensinamentos divinos em mente, e procura viver de acordo com eles, tem simbolicamente sua casa alicerçada na rocha. Mas os intelectuais da espiritualidade, que conhecem todos os ensinamentos, que leram um monte de livros, que falam sobre essa e aquela versão do ensinamento, mas demonstram um conhecimento meramente intelectivo, que não entrou no coração, nem se tornou uma expressão de sua vida, esses estão construindo sua casa na areia. E sempre enfrentam a ruína e sempre estão sofrendo. Esse ensinamento é especialmente importante para nós que já lemos muitos livros e ouvimos muitas palestras. Não podemos nos contentar com o mero conhecimento do ensinamento, devemos coloca-lo em prática em nossa vida. Para todo aquele que teve tantas oportunidades de conhecer os ensinamentos de grandes Mestres de diferentes tradições, é especialmente relevante uma outra passagem encontrada mais adiante no Evangelho segundo Mateus, com a qual eu gostaria de concluir.

“A quem muito foi dado, muito será exigido.”

Amém
Raul Branco (editado)

Bibliografia Gnóstica fidedigna











Elaine Pagels, professora de religião na Universidade dePrinceton e Ph.D. da Universidade de Harvard. Em Harvard ela fez parte de um grupo que estudou os rolos de Nag Hammadi, dessa experiência resultou a base para o seu primeiro livro Os Evangelhos Gnósticos, Esse livro é uma introdução aos textos de Nag Hammadi para o público leigo e é, desde o seu lançamento, um best-seller. Nos EUA, ganhou os prêmiosNational Book Critics Circle Award e National Book Award e foi escolhido pela Modern Library como um dos 100 melhores livros do século XX. Escreveu: Os Evangelhos Gnósticos, Adão, Eva e a Serpente, As Origens de Satanás, O Paulo Gnóstico, Além de Toda Crença.

Bentley Layton, Ph.D Harvard, é Professor de Estudos Religiosos e Professor do Oriente Próximo Línguas e Civilizações (copta) na Universidade de Yale (desde 1983).Autoridade reconhecida internacionalmente, em literatura gnóstica. Membro do projeto da UNESCO, CAIRO, que publicou a Biblioteca de Nag Hammadi. Formado em Harvard, "Redescoberta tardia do gnosticismo", foi o título da conferência internacional que ele apresentou na Universidade de Yale em 1980. Seus interesses encontram-se na história do cristianismo desde suas origens até o surgimento do Islã, os estudos gnósticos e copta . Seu livro mais acessível é "As Escrituras Gnósticas", que apresenta parte da literaturagnóstica enigmáticos do cristianismo. Ele apresenta suaseleção de escrituras gnósticas, os escritos de Valentino e seus seguidores, e os escritos relacionados que exibem tendências gnósticas no contexto mais amplo de cristianismoprimitivo e do judaísmo helenístico, com introduções generosas e anotações abundantes. Para os especialistas, a gramática copta de Layton é um texto padrão. Ele catalogou todos os manuscritos coptas naBiblioteca Britânica. Ele é membro do conselho da Harvard Theological Review eoJournal of Studies copta.
George Mead Robert Stowe (1863 - 1933) foi um autor, editor, tradutor, e um influente membro da SociedadeTheosophica. Se tornou o secretário pessoal de HelenaPretovna Blavatsky. Escreveu /traduziu as seguintes obras: Simon Magus (1892) Orpheus (1895/6) Pistis Sophia (1896, 1921 ed). Fragments of a Faith Forgotten, (1900) Apolloniusof Tyana 1905. from which a selection Thrice Great Hermes:Studies in Hellenistic Theosophy and Gnosis, 3 Volumes (1906), Corpus HermeticumThe Hymns of Hermes, TheGnosis of the MindThe Outer Evidence as to the Authorityand Authorship of the GospelsCommentary on the PymanderThe Synoptical Problem The Fourth Gospel Problem,Introduction to Pistis SophiaFragments of a Faith Forgotten(London and Benares, 1900; 3rd edition 1931): Introductionto MarcionGnostic John the BaptizerSelections from theMandæan John-Book (1924), Did Jesus Live 100 BC?, Addressread at H.P. Blavatsky's cremationConcerning H.P.B.Doctrine of the Subtle Body in Western Tradition
James M. Robinson, é professor Emérito de religião, na Universidade de Claremont, Califórnia. É o mais proeminente erudito do século 20, da biblioteca de Nag Hammadi. Obras:The Nag Hammadi Library in EnglishThe Gospel of Jesus, TheSayings Gospel Q in Greek and English, dentre outros….
Stephan A. HoellerPh.D. em filosofia da religião da Universidade de Innsbruck em Áustria, escritor, erudito e líder religioso. Autor de: Gnosticismo, Os Evangelhos Perdidos, A Gnose de Jung, Jung e os evangelhos perdidos.
Jakob Böhme,ou Jacob Boehme, (Alt Seidenberg, 1575 —Görlitz, 17 de Novembro de 1624) foi filósofo e místico cristão alemão,as obras que escreveu são o maior monumento de conhecimentos teogônicos (concernentes ao surgimento dos primeiros princípios em Deus) e cosmogônicos (concernentes à criação do Universo e das criaturas) da história docristianismo. Autor de: em português, A aurora nascente, A sabedoria divina, A revelação do grande mistério, Os três princípios da essência divina, Quarenta questões sobre a alma.
Plotino(ca. 205 - 270), o pai do neoplatonismo, natural deLicopólisEgito, foi discípulo de Amônio Sacas e mestre dePorfírio. A influência de Plotino e dos neoplatônicos sobre o pensamento cristão, islâmico e judaico, bem como sobre os pensadores de proa do Renascimento, foi enorme. Foramdireta ou indiretamente influenciados por ele, DionísioPseudo-Areopagita, Alberto Magno, Dante Alighieri, MestreEckhart, João da Cruz, Marsílio Ficino, Pico de la Mirandola,Giordano Bruno, Avicena, Ibn GabirolEspinosa, Leibniz. Sua Obra Magistral: Enéadas - 1ª Enéada O Homem e a Moral. 2ªEnéada O Mundo e suas Leis Físicas. 3ª Enéada O Destino e a Providência. 4ª Enéada Contém o referente à Alma. 5ªEnéada O Inteligência. 6ª Enéada O Ser e o Uno.

Hermes Trismegistus, latim: Hermes Trismegistus; em grego Ερμης ο Τρισμεγιστος, "Hermes, o três vezes grande") é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas aodeus egípcio Thoth, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas. Hermes era o autor de um conjunto de textos sagrados, "herméticos", contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia: O Corpus Hermeticum , datado entre o século I ao século III, representou a fonte de inspiração do pensamento hermético e neoplatônicorenascentista. Na época acreditava-se que o texto remontasse à antiguidade egípcia, anterior a Moisés e que nele estivesse contido também o prenúncio do cristianismo. Autor também do Livro dos Mortos, e do mais famoso texto alquímico a "Tábua de Esmeralda".
Huberto Rohden, São Ludgero, 31 de dezembro de 1893 foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo. escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênicade temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização. Propositor da filosofia univérsica, conexão do ser humano com a consciência coletiva do universo e florescimento da essência divina do indivíduo, reconhecendo que deve assumir as conseqüências dos atos e buscar a reforma íntima, sem atribuir à autoridade eclesiástica o poder de eliminar os débitos morais do fiel. Lecionou na Universidade de PrincetonAmerican University, de Washington D.C.(EUA). Alguns dos Livros: Filosofia Cósmica do Evangelho, O Sermão da Montanha, Assim Dizia o Mestre, O Triunfo da Vida sobre a Morte, O Nosso Mestre, Paulo de Tarso, O Cristo Cósmico e os Essênios, O 5o. Evangelho Segundo Tomé (tradução), O Drama Milenar do Cristo e do Anticristo, A Metafísica do Cristianismo, De Alma para Alma, dentre outros....
Raul Branco é membro da Sociedade Teosófica, economista, mora em Brasília Seu despertar espiritual ocorreu aos 49 anos, quando começou a buscar no yoga, no budismo, no vedanta e na teosofia respostas para as incessantes perguntas de seu coração. Descobriu, finalmente, que não precisava buscar longe o que estava perto, ou seja, o cristianismo primitivo pouco conhecido em nossa tradição cristã, dedica-se ao estudo da tradição cristã e do gnosticismo. É autor e ou tradutor dos seguintes Livros: Despertando a Luz Interior, Mensagens dos Mestres? Pistis Sophia, O Hino da Pérola, O Poder Transformador do Cristianismo Primitivo.
Fernando Pessoa, 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, Gnóstico, possuía ligações a Tradição, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz, havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas, no Diário de Lisboa de 4 de fevereiro de 1935, contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz". Deixa escrito o Livro Rosa Cruz.
Marvin MeyerPh.D., Claremont Graduate University, é professor de Bíblia e Estudos Cristãos e co-presidente doDepartamento de Estudos Religiosos, Chapman University. Ele também é diretor do o Albert Schweitzer Chapman UniversityInstitute.Ele é diretor do Projeto dos Textos Mágicos Coptasdo Instituto de Antiguidade e CristianismoClaremontGraduate University, membro do Seminário Jesus, e um ex-presidente da Society of Biblical Literature (Pacific Coast). Dr. Meyer é o autor de numerosos livros e artigos sobre a civilização greco-romana e religião cristã na antiguidade e da antiguidade tardia, e no Albert Schweitzer é ética de reverência pela vida. Entre seus livros mais recentes são Os Descobrimentos gnóstico (HarperCollins, 2005), Os Evangelhos Gnósticos de Jesus (HarperCollins, 2005), TheUnknown provérbios de Jesus (Shambhala, 2005), O Evangelho de Maria (HarperCollins, 2004) e Segredo Evangelhos: Ensaios
sobre Thomas eo Evangelho Secreto de Marcos (T & T ClarkInternational,2003).
Kurt Rudolph .Pesquisador do gnosticismo eMandeismo.Nascido em Dresden Rudolph estudou teologia protestante, religião , história semitas nas universidades deGreifswald e de Leipzig.Posteriormente, durante seis anos, ele foi assistente de pesquisa , enquanto ele trabalhava em paralelo para o doutorado em teologia e, assim como a história religiosa. Em 1961 ele recebeu sua habilitação em história da religião e religião comparada.Durante seu trabalho na Universidade de Leipzig , Chicago e Marburg e Santa Barbara(University of California), ele adquiriu uma reputaçãointernacional como um conhecedor do gnosticismo e maniqueísmo.Além disso, ele também ocupou-se com o Islão e questões metodológicas em estudos religiosos. Seu livros : O Mandaeans I - O Vandenhoek Mandäerproblem 1960DieMandäer II - Der Kult Vandenhoek 1961 O Mandaeans II - O culto Vandenhoek1961 TheogonieKosmogonie undAnthropogonie in den mandäischen Schriften Vandenhoeck1965, Cosmogonia teogonia, e antropogonia nos escritosMandaean Vandenhoeck 1965, Die Gnosis -Wesen undGeschichte einer spätantiken Religion Leipzig 1977, (3. Aufl.Vandenhoeck 1990), O gnosticismo - Natureza e história da religião tardo-antiga, Leipzig 1977, (3 ª ed Vandenhoeck1990), Gnosis und Spätantike Religionsgeschichte , (gesammelte AufsätzeBrill 1997, Gnosticismo e antiga história religiosa.
Platão Πλάτων, Plátōn. (Atenas, 428/427– Atenas, 348/347 a.C.) foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental.
Philo (20 aC - 50 dC), também conhecido como Filo de Alexandria ( Grego: Φίλων ὁ Ἀλεξανδρεύς), Judaeus Philo, Judaeus Filo de Alexandria, Yedidia ", Philon" e Philo o judeu, era um judeu helenista, filósofo nascido em Alexandria, Philo utilizado a alegoria para tentar fundir e harmonizar a filosofia grega com a filosofia judaica . Seu método seguiu as práticas de ambas. Sua exegese alegórica era importante para vários Cristãos, mas ele é mal compreendido dentro do judaísmo. "Os sofistas da literalidade", como ele chama os judeus literalista, "abriu os olhos arrogantes",quando ele explicou-lhes as maravilhas de sua exegese. Ele acreditava que interpretações literais da Bíblia hebraica iriam sufocar a visão da humanidade e da percepção de um Deus demasiado complexo e maravilhoso para ser entendida em termos humanos literal.
Sir Isaac Newton, foi cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, embora tenha sido também astrônomo, alquimista, filósofo natural.



Zoroastro - Zaratustra
, mais conhecido na versão grega de seu nome, Zωροάστρης (Zoroastres, Zoroastro), foi um profeta nascido na Pérsia (atual Irã), provavelmente em meados do século VII a.C. Ele foi o fundador do Masdeísmo ou Zoroastrismo. Dos 20 aos 30 anos, Zaratustra viveu quase sempre isolado, habitando no alto de uma montanha, em cavernas sagradas. Não ingeria nenhum alimento de origem animal. Em relatos, teria ido ao deserto, onde fora tentado por uma entidade maligna. Após sete anos de solidão completa, regressou ao seu povo, e com a idade de trinta anos recebeu a revelação divina por meio de sete visões ou idéias. Assim começou Zaratustra a sua missão aos trinta anos. Segundo os Masdeístas ele encontrou muita dificuldade para converter as pessoas à sua nova religião. Em dez anos de pregação teve somente um crente: o seu primo. Durante este período, o chamado de Zaratustra foi como uma voz no deserto. Ninguém o escutava. Ninguém o entendia.Foi perseguido e hostilizado pelos sacerdotes e por toda a sorte de inimigos ao longo de dez anos. Os príncipes recusaram dar-lhe apoio e proteção e encarceraram-no porque a sua nova mensagem ameaçava a tradição e causava confusão nas mentes de seus súbditos. Com 40 anos, realizou milagres e preocupava-se com a instrução do povo. Converteu o rei Vishtaspa.Logo em seguida, a corte real seguiu os passos do rei e, mais tarde, o Masdeísmo chegou a ser a religião oficial da Pérsia. Aos 77 anos de idade ele teria morrido assassinado enquanto rezava no templo, diante do fogo sagrado.
João da Cruz, foi um místico e frade carmelita espanhol, famoso por suas poesias místicas. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa. No entanto, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os Conventos Carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em Setembro de 1567 encontra-se com Teresa de Ávila, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres, surgindo posteriormente os carmelitas descalços. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de Novembro de 1568, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. "Padecer e depois morrer" era o lema do autor da "Noite escura da alma", da "Subida ao Monte Carmelo", do "Cântico Espiritual" e da "Chama de amor viva".
Teresa de Ávila, Santa Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus, foi uma mística, religiosa e escritora espanhola, famosa pela reforma que realizou na Ordem dos Carmelitas e pelas suas obras místicas. Até a chegada dos manuscritos de Santa Teresa, a igreja vivia sob os preceitos do teocentrismo. O que fez esta mulher letrada (uma raríssima exceção para a época), autodidata e visionária foi tirar Deus do centro do universo para colocá-lo no cerne da alma; em outras palavras, trouxe à tona a figura do homem moderno, que vive em busca de si mesmo e está pronto para experiências místicas. Livro da vida é o clássico mais lido pelos espanhóis depois de
Dom Quixote, de Cervantes. Em notável prefácio, escrito especialmente para esta edição, Frei Betto descreve Teresa da seguinte maneira: “Esta monja carmelita do século XVI, ao revolucionar a espiritualidade cristã, incomodou as autoridades eclesiásticas de seu tempo, a ponto de o núncio papal na Espanha, Dom Felipe Sega, denunciá-la, em 1578, como
‘mulher inquieta, errante, desobediente e contumaz’”. É uma das maiores personalidades da mística cristã de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém uma doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu.
Apolônio de Tiana (em grego: Τυανεα Απολλωνιον; Tiana, 13 de março de 2 a.C) foi um místico, filósofo neo-pitagórico e professor de origem grega. Seus ensinamentos influenciaram o pensamento científico por séculos após a sua morte. A principal fonte sobre a sua biografia é a "Vida de Apolônio", de Flávio Filóstrato, Apolônio é citado nas obras "A Vida de Pitágoras", de Porfírio, e "A Vida Pitagórica", de Jâmblico. Acredita-se ainda que ele seja o personagem "Apolo", citado na Bíblia em Atos dos Apóstolos e I Coríntios. Logo depois que saiu da sua cidade natal Ele ficou conhecido como um neo-pitagórico. Em Nínive, na Babilônia, encontrou Damis, seu inseparável e fiel discípulo. De lá ambos foram para a terra dos encantos, a Índia, e, percorreram a Mongólia e o Tibet, até que atingiram as colinas do Himalaia. Lá Apolônio deixou Damis e partiu só para um mosteiro onde Ele tornou-se o "Senhor portador dos oito poderes da Yoga", que era o mais alto Grau dos mosteiros daquela época, neste momento, dizem, uma áurea de Luz lhe emergiu a cabeça de modo permanente. Depois voltou e se encontrou com Damis e voltaram para a Grécia, onde começou a fase mais intensa de curar doentes, desde do corpo a alma, paralíticos, cegos e até ressuscitar mortos, como aconteceu com uma moça em Roma. Uma das missões de Apolônio foi a de ensinar aos seguidores de Jesus o como manipular as leis da natureza. Alguns documentos dizem, e é verdade, que Apolônio fez milagres idênticos àqueles feitos por Jesus. Também pregava e para ouvi-lo vinham pessoas de lugares distantes. Apolônio, por sua vez, ensinou como usar as leis da natureza, explicou o como eram feitos os milagres Dele e de Jesus, preparou os primeiros cristãos para disporem dos meios de curas. A um não iniciado é possível a aquisição de apenas um trabalho autêntico intitulado Nuctemeron, mas até mesmo dele existem também algumas edições falsas. O título do livro significa: “O Dia de Deus que Resplandece nas Trevas” (O Deus que está “aprisionado” em cada pessoa ainda envolvida em trevas. Isso equivale ao desabrochar da Centelha Crística em cada um, ao desenvolvimento da consciência clara do Mestre de Cada Um).Na obra Nuctemeron os ensinamentos de Apolônio são distribuídos como em um relógio em 12 horas, ou degraus, e a cada hora corresponde uma instrução especial. Os ensinamentos daquela obra são apresentados em linguagem um tanto velada. São ensinamentos de altíssimo nível.
Hans-Joachim Klimkeit foi de 1972 até sua morte, em 1999, professor de estudos religiosos comparados e diretor do Departamento de Religião Comparada na Universidade de Bonn.
e religião comparada e teologia protestante em Tübingen, Bonn e de Harvard.
Seus estudos religiosos grandes áreas de pesquisa foram os orientais maniqueísmo, do Budismo, a Gnose, e o problema orientado a fenomenologia da religião.
Hans Jonas foi um filósofo alemão.Estudou filosofia e teologia em Friburgo, Berlim e Heidelberg, e finalmente se doutorou em Marburg.escreveu abundantemente sobre Gnosticismo, pelo que é igualmente conhecido, interpretando a religião como um ponto ponto de vista existencial filosófico. Jonas foi um dos primeiros autores a escrever uma história detalhada do antigo gnosticismo.
Thomas Edward Lawrence, também conhecido como Lawrence da Arábia, Aurens ou El Aurens, foi um arqueólogo, militar, agente secreto, diplomata, escritor e místico.Tornou-se famoso pelo seu papel como oficial britânico de ligação durante a Revolta Árabe de 1916-1918. A sua fama como herói foi largamente promovida pela reportagem da revolta feita pelo viajante e jornalista americano Lowell Thomas, e ainda devido ao livro autobiográfico de Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria.