Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Se você está numa praia e enche a mão de areia.
Esse tanto de areia em relação à areia da praia é a proporção de felizardos que têm contato direto com os ensinamentos budistas.
Se você abre a mão e deixa cair a areia, os grãos que sobram são os que estão envolvidos com a escola Mahayana.
Depois de bater as mãos para tirar a areia que resta, não sobra quase nada.
Esses últimos grãos, que quase não se vê, são os estudantes do budismo Vajrayana, raros e preciosos.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.

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Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.


A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




quinta-feira, 23 de abril de 2015

QUALQUER SEMELHANÇA COM OS DIAS ATUAIS NÃO É MERA COINCIDÊNCIA

Escrituras como o Mahabharata e o Bhagavata Purana apresentam Kali Yuga como uma era de crescente degradação humana, cultural, social, material, ambiental e espiritual, sendo simbolicamente referida como Idade das Trevas porque nela as pessoas estão tão longe quanto possível de Deus.
Kali Yuga, sânscrito: कलियुग, "Idade de Kali ou Idade do Vício ou do Ferro é um período que aparece nas escrituras hindus. É a última das quatro etapas que o mundo atravessa; sendo as demais: Satya Yuga, Treta Yuga e Dwapara Yuga.

A era de Kali Yuga é também denominada a Era de Ferro. Kali Yuga iniciou no final da vida corpórea de Krishna (aproximadamente 5.100 anos atrás).
O Kali Yuga que agora reina sobre o Oriente e Ocidente.
"Haverá monarcas (governos) contemporâneos reinando sobre a terra, reis (governantes) de espírito mau e caráter violento, votados a mentira e à perversidade.
Farão matar mulheres, crianças e animais; apoderar-se-ão dos bens de seus súditos; terão um poder limitado...suas vidas serão curtas, seus desejos insaciáveis...
Gente de vários países, unindo-se a eles, seguirão o seu exemplo.
A riqueza e a piedade diminuirão dia-a-dia até que o mundo se depravará por completo...
A classe (o valor) será conferida unicamente pelos haveres, posses; a riqueza será a única fonte de devoção; a paixão o único laço de união entre os sexos; a falsidade o único fator de êxito nos litígios; e as mulheres serão usadas como objeto de satisfação puramente sensual...
A aparência externa será o único distintivo das diversas ordens de vida; a falta de honestidade o meio universal de subsistência; a fraqueza a causa da dependência; a liberdade valerá como devoção; o homem que for rico será reputado puro; o consentimento mútuo substituirá o casamento; os ricos trajes constituirão a dignidade...
Reinará o que for mais forte... o povo, não podendo suportar os pesados ônus, buscará refúgio nos vales...
Assim na Idade kali a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime de seu aniquilamento.
Quando... O fim da Idade Kali estiver perto, descerá sobre a terra uma parte daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual
Ele restabelecerá a justiça sobre a terra; e as mentes dos que viverem até o fim do Kali Yuga serão despertadas, e serão tão diáfanas como o cristal
Os homens assim transformados... serão como sementes de seres humanos, e darão nascimento a uma raça que seguirá as leis da Idade Krita (ou idade de Pureza).
Chegará então nossa tão esperada"
ERA DE LUZ.

Desejos

Até agora nossos desejos tenderam a ser muito superficiais, egoístas e imediatistas. Se tivermos que querer algo, então que seja nada menos do que a completa iluminação de todos os seres. Eis aí algo digno de ser desejado. Recordarmo-nos sempre do que verdadeiramente vale a pena querer é um importante elemento da prática espiritual.
Desejo e apego não mudam da noite para o dia. O desejo, porém, torna-se menos comum à medida que redirecionamos nossos anseios mundanos para a aspiração de fazer tudo o que está ao nosso alcance para ajudar todos os seres a encontrar felicidade permanente.
Não temos que abandonar os objetos habituais dos nossos desejos — relacionamentos, riqueza, fama — mas, na medida em que contemplamos sua impermanência, ficamos menos apegados a eles. Se temos a atitude de nos regozijar com a nossa sorte quando eles aparecem e, ao mesmo tempo, reconhecermos que não irão durar, começamos a desenvolver qualidades espirituais. Cometemos, em menor número, os atos nocivos que resultam do apego e, assim, criamos menos carma negativo; geramos mais carma favorável, aumentando gradativamente as qualidade positivas da mente.

Chagdud Tulku Rinpoche (Tibet, 12 de agosto de 1930 – Brasil, 17 de novembro de 2002)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Padmasambhava GURU PEMA SIDDHI HUNG

A profecia do século VIII do Guru Padmasambhava,
“Quando o pássaro de ferro voar e os cavalos correrem sobre rodas, o povo tibetano será espalhado como formigas em todo o mundo e o Dharma chegará à terra do Homem Vermelho.”

Guru Rinpoche(Precioso Mestre), Padmasambhava, Pema Jungne pode ser visto como o Buda do Tibet, pois é o fundador da escola Tibetana, ou tântrica, do Budismo. Para a tradição Tibetana ele foi uma emanação do Buda Amitaba. 

A sua vinda foi prevista pelo Buda Shakyamuni, e sua vida foi repleta de fatos extraordinários, desde o nascimento em uma flor de lótus, num corpo de um garoto de 8 anos, até manifestações múltiplas de si mesmo, ao mesmo tempo em lugares diversos.

A história mágica de sua vida serve de inspiração, e os fatos espetaculares nos levam além dos conceitos de nome e forma, espaço e tempo, vida e morte.
Yeshe Tsogyal foi sua consorte e discípula, escreveu sua biografia e relatou eventos paralelos a alguns da vida do Buda Shakyamuni. Guru Rinpoche nasceu milagrosamente no Reino de Uddiyana, no Noroeste da atual India, algum tempo após o 'parinirvana' do Buda.

Deu ensinamentos por um longo período a sua consorte e diversos discípulos, deixando preciosas 'jóias' para todos os seres, incluindo os 'termas', ensinamentos secretos e ocultos que estão atualmente sendo colhidos.







O Seu mantra Om Ah Hum Vajra Guru Padma Siddhi Hum e um dos mais conhecidos e poderosos do Budismo Tibetano.



GURU PEMA SIDDHI HUNG

Budismo Tibetano - Vajrayana

Devoção é parte integral de um praticante Vajrayana. Querer estar livre da ilusão implica aceitar que estamos iludidos. Se nunca abandonarmos nossas percepções ordinárias impuras do mundo e dos seres, jamais iremos irromper de nossa ilusão. …
Geralmente, quando tomamos refúgio, há uma ideia de ser inferior ao objeto de refúgio. Você, um ser patético, precisa ser salvo, e toma refúgio nesse ser tão benéfico e onipotente. O refúgio pode parecer isso, mas se você compreender a grande vastidão, então saberá que não estamos de modo algum separados. Pense que seu guru é um reflexo de sua própria natureza buda. Isso de fato te familiariza com essa ideia de grande pureza e igualdade, que é todo o propósito. Isso é incrivelmente muito importante. …
Há uma bela composição de Jigme Lingpa, uma canção para Chamar o Lama, invocar o guru a partir do coração, que claramente exemplifica que o guru não é um ser humano ordinário lá fora, tampouco é alguém que vai ditar como você deve viver sua vida. Não é assim de modo nenhum.
Trata-se de uma metáfora muito bonita e poética: o guru habita o interior de seu coração. Isso é totalmente diferente de nossa percepção ordinária, em que imaginamos que o guru é externo e separado de nós. O coração se refere à natureza buda. Como uma das infinitas manifestações da natureza buda, há fé e — como um reflexo disso — devoção. Quando pessoas devotadas enxergam através da devoção manifestada a partir de sua natureza buda, elas vêem seu guru ou companheiro espiritual.
Por favor, jamais esqueçam que em todas as práticas Vajrayana, o praticante sempre se funde com o guru, tornando-se inseparável. Isso é chamado de receber o empoderamento ou iniciação do guru.
Não esqueça a Lama; reze para ela a todo momento.
Não deixe a mente se distrair; observe a essência da sua mente.
Não esqueça a morte; persista no Dharma.
Não esqueça os seres sencientes; com compaixão dedique seu mérito a eles.
Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 – Butão, 1991)

Dzongsar Khyentse Rinpoche (1961 ~)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sua Santidade Dilgo Khyentse Rinpoche

Sua Santidade Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 ~ Butão, 1991) foi um dos maiores lamas tibetanos do século 20, sendo mestre da maioria dos lamas mais importantes hoje, incluindo S.S. Dalai Lama.
Viveu cerca de 20 anos em retiros em cavernas ou eremitérios no Tibete e, por sua vida e atividades, foi um exemplo vivo para os que se aproximavam de como seria estar frente-a-frente com um mestre como Padmasambhava, que propagou o budismo Vajrayana no Tibete no século 8.

Sendo considerado mestre em todas as diferentes linhagens tibetanas, foi o mais eminente representante contemporâneo do movimento não-sectário Rime, e também um terton (descobridor/revelador de escrituras e liturgias), preservando e propagando o budismo como poucos.


Seus principais professores foram Shechen Gyaltsap Rinpoche e Dzongsar Khyentse Chokyi Lodro.
Sua reencarnação, Khyentse Yangsi Rinpoche, nasceu no Nepal, em 1993.


"Se você, ao executar ações positivas, seguir um mestre, ouvir seus ensinamentos e colocá-los em prática, e ao abandonar ações negativas, se sentir satisfeito consigo mesmo, ou orgulhoso, e pensar: “Que boa ação eu fiz!”; esse tipo de apego é um grande defeito.
Você deve sempre estar completamente livre do apego e ver tudo como um sonho, uma ilusão.
Embora você esteja seguindo um mestre, na verdade o mestre absoluto é o dharmakaya, que é a natureza da sua própria mente.

O mestre externamente manifesto que você segue agora, ele mesmo é como um sonho. A emanação do corpo dele não é permanente e ele vai novamente deixar este mundo.

O verdadeiro mestre interior dharmakaya nunca se separa de você. Então mesmo se você, no nível relativo, segue um mestre, pratica e executa diversas ações positivas, você deve fazer isso sem nenhum apego, vendo tudo isso como ilusório por natureza."
S.S. Dilgo Khyentse Rinpoche ( Tibet, 1910 – Butão, 1991 )

Misteriosa Sabedoria thriller

É bastante comum atualmente basear o enredo de um thriller na idéia de que a posteridade do Mestre Jesus, considerado como personagem histórico, ter-se-ia perpetuado até nossos dias, em uma dinastia real, por exemplo, que seria designada como a família do Graal, os merovingios.
Inevitavelmente, a figura de Master Maria Madalena é mencionada como sendo a companheira do Mestre Jesus, o Cristo ou sua legítima esposa, hipóteses geralmente ilustradas por referências bíblicas apropriadas e por lendas da Idade Média.
Numa leitura feminista da Bíblia, Maria Madalena serve de figura de proa que se propõe corrigir a parcialidade patriarcal desse livro, de modo que freqüentemente Madalena é a personagem central nas modernas buscas do Graal, que para mudar, já não é chamado “Santo Graal”, mas “Sangreal”, ou seja, sangue real.
A revelação desse segredo remete-nos aos evangelhos gnósticos como a Pistis Sophia e O evangelho de Maria, sobretudo para mostrar que Master Maria Madalena era a bem-amada do Mestre Jesus, o Cristo.
Chegamos, assim, a um terreno delicado e não menos perigoso caso não tenhamos nenhuma idéia do processo que se desenvolve dentro de nós e à nossa volta.
Há uma profunda sabedoria que ensina que a união do homem e da mulher pode não apenas ser um símbolo, mas a chave efetiva de uma idéia espiritual superior.
Em particular o casamento, a união do Mestre Jesus e Master Maria Madalena, deve realizar-se necessariamente a fim de conduzir toda a humanidade aos mistérios libertadores, o que está em flagrante contradição com os ensinamentos da Igreja de Roma.
Nas escolas de mistérios, pelo contrário, o casamento sagrado representa a união alquímica que todo ser humano deve realizar interiormente: a união de seus aspectos masculino e feminino, anulando assim toda idéia de separação.
O Espírito divino e a alma humana devem unir-se conforme a descrição profunda dada por Johann Valentin Andreæ em sua obra prima "As núpcias alquímicas de Christian Rosenkreuz".
Segundo O Evangelho de Maria, Master Maria Madalena é a “companheira de Jesus”, isto é, a nova alma que, libertada das realidades transitórias daqui de baixo, vive em união íntima com o Espírito, seu esposo, personificado por Jesus.
Raramente os thrillers religiosos transmitem a compreensão de que o segredo do Graal, o casamento sagrado do novo ser humano, não pode se realizar no plano evolutivo da natureza comum.
De fato, essa realização supõe o despertar interior da natureza divina do homem, o que não é possível se os impulsos do sangue, fatores de extremado egocentrismo humano, não tiverem sido totalmente neutralizados, deixando assim de causar qualquer interferência.
Essa é a diferença crucial da idéia freqüentemente evocada de uma união carnal entre os Mestres Jesus e Maria, que teria dado origem a uma pretensa descendência real que se perpetuaria até nossos dias.
Nos mistérios cristãos libertadores, o “velho homem”, cada um de nós, começa morrendo na cruz deste mundo antes de ressuscitar como novo homem.
Essa verdade gnóstica crucial transforma-se em falsa verdade histórica quando fala ao homem de nosso tempo e ele permanece surdo, ou quer permanecer surdo, à exigência incontornável de se transformar e se entrega às suas fantasias.
Dizemos sem rodeios: não é possível participar desse mistério sem estar preparado para renunciar a si mesmo e a todas as ilusões.
Não existe nenhuma linhagem real que conceda a realeza interior através do nascimento.
O inverso é a verdade: somente o renascimento interior dá a realeza do Espírito.
A nova orientação da alma representa a própria taça do Graal na qual o alimento espiritual puro é recebido.
Essa é a verdadeira sabedoria oculta.
Ela não se encontra em parte alguma senão nas profundezas do próprio coração.
Não se trata, portanto, de um manuscrito amarelado retirado de uma cripta subterrânea nem de um tesouro escondido no altar de uma antiga igreja.
Quando o coração se torna receptivo à sabedoria que não está fora de nós, porém em nosso interior, os véus que pendem diante do coração são afastados.
Quem permanece silencioso interiormente será encontrado pela verdade e encontrará a verdade.
E a verdade, a sabedoria oculta, lhe retirará os véus dos olhos, abrirá sua vista e se manifestará a ele, nua e sem rodeios.
Ele descobriu e compreendeu a mensagem velada, e passa a escrever a história de sua própria vida: a total entrega de seu ser interior ao novo homem, que é o prólogo e o fim, passado e futuro, o verdadeiro personagem central desse verdadeiro thriller que ele está agora em vias de viver.
Ele é o vencedor no combate que conduz pessoalmente entre o bem e o mal, entre a Luz e as trevas.
É ele que nos faz fechar definitivamente as páginas da antiga existência e abre o livro da nova vida.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Dzongsar Khyentse Rinpoche

Jamyang Khyentse Rinpoche, ou Thubten Chökyi Gyamtso, nasceu em 1961 no Butão, sendo reconhecido por S.S. Sakya Trizin como a emanação da mente de um dos maiores mestres Dzogchen de seu tempo, Jamyang Khyentse Chökyi Lodro (1893-1959).
A linhagem Khyentse, começando com o grande Jamyang Khyentse Wangpo, sempre se caracterizou pela visão não-sectarista. Refletindo essa tradição, Dzongsar Khyentse Rinpoche estudou com professores de todas as quatro escolas do budismo tibetano. Recebeu iniciações e ensinamentos de muitos dos maiores mestres contemporâneos, incluindo S.S. Dalai Lama, S.S. o 16º Karmapa, S.S. Sakya Trizin e seus próprios avós: S.S. Dudjom Rinpoche e Sönam Zangpo. Seu mestre principal foi Dilgo Khyentse Rinpoche. Rinpoche ainda estudou com mais de 25 grandes lamas de todas as quatro escolas do budismo tibetano.
Enquanto ainda era adolescente, foi responsável por publicar muitos textos raros que estavam ameaçados de serem perdidos completamente e, nos anos 80, começou a restauração do monastério Dzongsar, no Tibete.
Dzongsar Rinpoche é famoso pela liberdade descontraída com que se move entre culturas e povos e por sua dedicação incansável em trazer a filosofia e o caminho da iluminação para qualquer pessoa com um coração aberto.
Além de supervisionar sua sede tradicional no monastério Dzongsar e seus centros de retiro no Tibet Oriental, fundou diversas faculdades e centros de retiro na Índia (em Bir e Chauntra) e no Butão. Conforme o desejo de seus mestres, Rinpoche tem viajado e ensinado pelo mundo todo, estabelecendo centros de darma na Austrália, Europa, América do Norte e Ásia.
Em 1989, S.E. Dzongsar Khyentse Rinpoche fundou a Siddharta’s Intent, uma associação de centros budistas de alcance global, cuja intenção principal é preservar os ensinamentos budistas assim como aprofundar a compreensão e consciência sobre os diversos aspectos dos ensinamentos budistas em meio a diferentes culturas e tradições.
Em 2001, Rinpoche também fundou a Khyentse Foundation, uma organização sem fins lucrativos para funcionar como “um sistema de patrocínio para instituições e indivíduos engajados na prática e estudo da sabedoria e compaixão do Buda”.
Rinpoche também fundou a Lotus Outreach, uma organização sem fins lucrativos dedicada a garantir a educação, saúde e segurança de mulheres e crianças vulneráveis nos países em desenvolvimento. Originalmente fundada como suporte para a educação de refugiados, a Lotus Outreach agora também ajuda a reabilitar sobreviventes do tráfico humano e manter estudantes em risco na escola.
Dzongsar Rinpoche também dirige o Deer Park, centros de arte e contemplação no Butão e Índia, o World Peace Vase Program — uma grande iniciativa de alcance global de S.S. Dilgo Khyentse Rinpoche — e a Siddharta School, na Austrália.
Em 2008, Rinpoche fundou a Manjugosha Edition, baseada em Berlim (Alemanha), para publicar textos budistas raros e preciosos sob encomenda.
Dzongsar Rinpoche visitou o Brasil algumas vezes, tendo realizado as consagrações rituais do Palácio da Terra Pura de Padmasambhava, no Khadro Ling (Três Coroas, RS), e do templo Odsal Ling (Cotia, SP), além de ensinamentos e palestras.
Dzongsar Khyentse Rinpoche também é cineasta; seus dois filmes principais são “A Copa” (1999) e “Traveller e Magicians” (2003). Ele estudou com o cineasta italiano Bernardo Bertolucci, após atuar como consultor (e breve coadjuvante) de seu filme “Pequeno Buda” (1993).



Também é autor dos livros “O que te faz ser budista” (2007) e “Not For Happiness” (2012).




terça-feira, 14 de abril de 2015

Sabedoria - Lama Tsering Everest

"Nossas idéias sobre nós mesmos e sobre os outros não são reais: são apenas nossos julgamentos, a partir de nossa falta de real compreensão. Neste mundo que consideramos ser real, agimos e reagimos de acordo com esses julgamentos e perpetuamos mais erros –e este é o motivo pelo qual nós e todos os outros sofremos."
Lama Tsering Everest





Não esqueça o Lama; reze para ela a todo momento.
Não deixe a mente se distrair; observe a essência da sua mente.

Não esqueça a morte; persista no Dharma.

Não esqueça os seres sencientes; com compaixão dedique seu mérito a eles.

Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 – Butã)o, 1991






sexta-feira, 10 de abril de 2015

As Quatro Nobres Verdades

"As Quatro Nobres Verdades, monges, são reais, infalíveis, e não o contrário. Portanto, elas são chamadas de nobres verdades...porque são benéficas, porque pertencem aos fundamentos da vida santa, que conduz ao desencantamento, a dissipação, a cessação do sofrimento, à paz, ao conhecimento direto, à iluminação, ao Nirvana. É por isso que eu as declarei." 
Buda Shakyamuni
As Quatro Nobres Verdades são um dos mais fundamentais ensinamentos e o centro da doutrina do budismo. Referem-se ao sofrimento (dukkha), sua natureza, sua origem, sua cessação e o caminho que conduz a essa cessação. Constituem o primeiro ensinamento de Buda após sua iluminação.

A Realidade do Sofrimento (Dukkha):
"Esta é a nobre verdade do sofrimento. Muitas vezes a primeira Nobre Verdade proferida por Buda Shakyamuni após sua iluminação é traduzida como "A vida é sofrimento". A primeira Nobre Verdade diz respeito à dukkha, que não tem uma tradução literal, mas sim é todo um conjunto de idéias.
Assim é possível expressar que nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimentos; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento.
De uma maneira geral, dukkha diz respeito ao nosso condicionamento de vida dentro de experiências cíclicas, onde nos alternamos entre boas experiências (felicidade) e más experiências (sofrimento). Todos os seres buscam a felicidade e procuram se afastar do sofrimento, no entanto nessa busca de felicidade e dentro da própria felicidade encontrada estão as sementes de sofrimentos futuros.
As experiências são impermanentes, as idéias, os conceitos, os pensamentos, todos são impermanentes, mudam. Por isso, dentro da experiência de felicidade existe a causa de uma experiência de sofrimento, pois ela também é impermanente e irá mudar.
A Realidade da Origem do Sofrimento (Samudaya):
"Esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir."
A Realidade da Cessação do Sofrimento (Nirodha):
"Esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele."
A Realidade do Caminho (Magga) para a Cessação do Sofrimento:
"Esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta."
foto: 3 estátuas gigantes de Chenrezig, Sakyamuni e Guru Rinpoche. Swayambhunath Temple - Kathmandu - Nepal

Mara - Ilusão

Para o Budismo, Mara é o oposto de Buda, ou seja, uma vez que Buda representa a iluminação, Mara é a ilusão. Isto é personificado como o demônio Mara que teria tentado impedir Siddhartha Gautama de alcançar a iluminação e também vive no interior de cada pessoa tentando mantê-la adormecida na ilusão Maya do mundo.
Os 4 maras são forças obstrutoras e criadoras de obstáculos no caminho espiritual.
São condicionamentos da mente destituídos de qualquer existência intrínseca e surgidos a partir da ignorância básica e auto-centramento.

Há duas classificações dos 4 maras: uma de acordo com o sutrayana e uma de acordo com o tantrayana.
De acordo com o sutrayana:
1. O mara dos agregados (skhandamāra em sânscrito, tib. phung po’i bdud).
Representa nossa fixação a forma, sensações, cognições, marcas de hábito e estados mentais como reais, permanentes e existentes de forma independente.
2. O mara das emoções aflitivas (kleśamāra em sânscrito, tib. nyon mongs kyi bdud).
Representa o padrão habitual de nos relacionarmos com o mundo e com nós mesmos através das emoções aflitivas tais como o orgulho, inveja, aversão e raiva, desejo e apego, ignorância, aquisitividade e assim por diante.
3. O mara senhor da morte (mṛtyumāra em sânscrito, tib. ‘chi bdag gi bdud).
Representa a morte em si como também nosso medo da mudança, impermanência e da própria morte.
4. O mara dos filhos dos deuses (devaputramāra em sânscrito, tib. lha’i bu’i bdud).
Representa a avidez pelo prazer, conforto, paz e bem estar.
De acordo com o tantrayana:
1. O mara tangível (tib. thogs bcas kyi bdud).
Representa a atração ou aversão para com fenômenos físicos, objetos tangíveis, fundada na apreensão mental errônea das coisas como sendo reais per se.
2. O mara intangível (tib. thogs med kyi bdud).
Representa a atração e aversão para com fenômenos mentais, objetos intangíveis, fundada também na ignorância da dualidade que apreende e se fixa a separatividade entre sujeito e objeto.
3. O mara da exultação (tib. dga’ brod kyi bdud).
Representa a expressão externa de prazer baseada em um auto-centramento orgulhoso e fundado em um apego a reputação e a fama ordinárias que, por sua vez, distrai a mente de sua verdadeira natureza.
4. O mara da arrogância (tib. snyems byed kyi bdud).
Representa um tipo específico de orgulho, um considerar-se especial em relação aos demais, melhor que os outros, baseado no auto-centramento e no egoísmo ilusório. Esta apreensão a um ego é a fonte de todos os outros três maras como também de todas as confusões da existência cíclica. Quando não houver mais este ego auto-centrado baseado na ignorância com respeito a verdadeira natureza de si e das coisas, não haaverão mais maras, demônios obstaculazadores ou forças obstruturas.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Os budistas celebram em 8 de abril o nascimento do Buda Shakyamuni (Príncipe Sidarta Gautama) que há aproximados 565 A.C. nascia na Índia antiga

Siddhartha Gautama, Buda Shakyamuni , o “escolhido/aquele que despertou de um sono profundo”, aquele que possui o esclarecimento espiritual, foi um mestre que revelou a doutrina budista e seus ensinamentos.
Note que, o nome Buda, termo derivado do páli buddha, significa "desperto, iluminado, o que compreendeu, o que sabe" e portanto, não compreende somente o profeta fundador, mas um título da filosofia budista para indicar pessoas iluminadas com avançado esclarecimento espiritual. Nesse sentido, a filosofia budista possui muitos budas, entretanto, Siddhartha Gautama é o mais conhecido, o fundador da filosofia budista, o "Supremo Buda" Sammāsambuddha .

Os budistas são acusados de ateísmo, na realidade não pronunciam a palavra Deus porque sabem Deus está em cada um de nós, está em tudo e em todos… Tudo é Deus. Deus não se encontra numa possibilidade externa, mas na possibilidade do interno de cada um de nó, por ser tudo isto segundo a concepção de cada praticante.

Pode ser uma Filosofia de Vida de emprego bem prático que não impede que você professe outra religião ou credo, muito pelo contrário nos dá condições através das quatro nobres verdades, do nobre caminho óctuplo, da compreensão sobre os doze elos e outros meios hábeis, de sermos melhores cidadãos, melhores profissionais, melhores homens e mulheres.

De acordo com o budismo, durante a sua iluminação, Sidarta compreendeu as causas do sofrimento e os caminhos necessários para eliminá-lo.

Estas descobertas tornaram-se conhecidas como as Quatro Nobres Verdades, que são o coração dos ensinamentos budistas. Com a realização dessas verdades, um estado de suprema liberação, ou nirvana, é acreditado ser possível ao alcance de qualquer ser. O Buda descreve o nirvana como um estado perfeito de paz mental livre de toda ignorância, inveja, orgulho, ódio e outros estados aflitivos. Nirvana é também conhecido como o fim do ciclo samsárico, em que nenhuma identidade pessoal ou limites da mente permanecem.
De acordo com a história do Āyācana Sutta (Samyutta Nikaya VI.1) - uma escritura, escrita em páli, e outros canônes, imediatamente após a sua iluminação, o Buda debateu se deveria ou não ensinar o darma aos outros.
Ele estava preocupado que os humanos, tão fortemente influenciados pela ignorância, inveja e ódio, poderiam nunca reconhecer o caminho, que é profundo e difícil de ser compreendido.
No entanto, segundo o mito, Brahmā Sahampati tê-lo-ia convencido a ensinar a doutrina, argumentando que pelo menos alguns iriam entendê-lo. O Buda, após isso, concordou em ensinar o darma. Sidarta percorreu o país pelos 45 anos seguintes, difundindo-a.
Os budistas celebram em 8 de abril o nascimento do Buda Sakyamuni (Príncipe Sidarta Gautama) que há aproximados 565 A.C. nascia na Índia antiga.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Visão, Meditação e Ação

Um caminho completo tem de ter visão, meditação e ação. Por favor, tomem nota disto, isto é muito importante.
Percebi que no Ocidente há muitos métodos sem qualquer visão. Parece ser toda uma pletora de métodos, várias meditações, música da Nova Era, re-nascimento, re-morte…
Lembrem-se, estes são bons como métodos. Não estou criticando o método em si, mas vocês têm de ter uma visão. Se não tiverem uma visão, ele não os conduzirá a muitos lugares; pode curar alguns ferimentos ou temporariamente matar a dor com algum analgésico.
A visão é muito importante. A visão determina a meditação e a ação.
Então, como obtemos esta visão? Através do estudo. E através da investigação daquilo que estudamos.
Isto é algo realmente extraordinário sobre o caminho que o Buda Shakyamuni ensinou. Ele nos deu a liberdade de questionar. Vocês podem perguntar questões, podem argumentar, podem analisar dentro de sua capacidade de lógica e de senso comum. Então, devem estudar e finalizar a visão, e baseados nisso, vocês obtêm confiança no caminho. Então, vocês escolhem muitos métodos.
Neste ponto, poderíamos dizer que a nossa visão é ter renúncia. O que queremos dizer com renúncia? Quando assistimos um filme, isso é uma renúncia genuína.
Por quê? Porque conforme assistimos o filme, apesar de todos os tipos de coisas acontecerem na tela, sabemos que é apenas um filme, é tudo de mentira.
Pode haver relacionamentos amorosos, ou suspense; podemos até mesmo ser levados às lágrimas, mas em algum lugar dentro de nossa mente, sabemos que isto é apenas um filme.

Quando sentimos vontade de ir ao toalete durante o filme, por exemplo, podemos ter a coragem de levantar e ir. Não é uma grande coisa, não estamos realmente presos. É por isso que chamamos isto de renúncia, temos a visão correta quanto a isto.
Já que sabemos do aspecto fútil da vida, há uma renúncia genuína.

Por outro lado, neste grande filme que chamamos de nossas vidas, poucos de nós temos este tipo de coragem.
Claro que a renúncia não significa que, já que percebemos que isto é um filme, devemos sair do cinema e fazer um grande voto de nunca mais assistirmos um filme novamente.
Simplesmente perceber que isto é um filme mudou toda a nossa atitude diante dele. Não temos de parar de assistir. Podemos ainda assistir, mas agora, por causa deste conhecimento, não nos prendemos; ele não se tornou uma grande coisa. Esse é um tipo de pequena iluminação.
Isto é o que precisamos, mas perceber que isto é um filme é bem difícil.
Nós sempre ficamos paralisados. Sempre terminamos pensando que é real.
E quando nos sentamos aqui, totalmente absortos no filme, rindo, chorando, completamente perdidos nele, de alguma forma, por causa de nosso bom karma, por causa de nosso mérito, a pessoa ao nosso lado nos dá um tapinha no ombro e diz, “Não se preocupe. É apenas um filme”. Essa pessoa é o nosso professor.
Ter essa oportunidade de sentar próximo de alguém que realmente tem a sabedoria e a bondade de nos dizer isto, é muito difícil também.
Precisamos ter muito mérito. Por exemplo, assim que esta pessoa nos diz que isto é apenas um filme, a pessoa atrás de nós poderia tossir, e então podemos perder a oportunidade de ouvir isto. Coisas assim acontecem todo o tempo. Isso é simplesmente falta de mérito.Obtemos este mérito através da lembrança da visão, de novo e de novo; através de lembrança de verificar em quais destas oito armadilhas estamos caindo; através de todos os tipos de meditações diferentes.
Então, agora eu diria, entender o aspecto fútil de nossa vida é a visão.
Então, torna-se realmente divertido. Assistir um filme, sabendo que é um filme, e ainda experienciando toda a emoção, é divertido. Porque temos controle. A qualquer hora que não tenhamos controle, a qualquer hora que algum outro tiver o controle, não é divertido. Nesta hora temos o controle. Sabemos que é de mentira.
Bem agora, em nossa vida diária, não temos controle, não temos divertimento.
Pensamos que tudo o que está acontecendo também é verdade.
Mas sempre temos uma expectativa, temos esperanças e medos. E esses nos levam a desapontamentos. E até mesmo se acontecer de conseguirmos o que esperamos, então a expectativa não pára. Ele se multiplica. Agora, as expectativas são reforçadas, obtivemos o que queríamos, então esperamos mais, temos até mais expectativas.
Quando acordamos, por exemplo, verificamos: “Estamos em boa condição? Estamos felizes? Estamos bem?” Estamos bem, estamos felizes, estamos bem.
Então, formamos uma expectativa sábia: “Isto não durará, isto nunca durou antes, isto mudará”. E efetivamente a nossa felicidade durará mais por causa disso. E então, quando estivermos atravessando dificuldades, quando tivermos todos estes problemas, todas estas dores de cabeça, pensamos: “Isto não durará. Muitas vezes tive problemas no passado, mas eu os atravessei, eles não duraram, e isto será o mesmo”.
Todos têm isto. Os problemas presentes, os problemas que estamos atravessando bem agora, são os maiores problemas, não são? E pensamos que estes serão nossos problemas definitivos e de mais longa duração, mas isso não é verdade. Os problemas que tivemos há cinco anos atrás não são nada se comparados aos que temos agora, e em cinco anos, os problemas de hoje serão insignificantes.
Penso que é bom apreciar a nossa existência. Enquanto estivermos assistindo o filme, enquanto estivermos passando pelas nossas vidas diárias neste mundo, é bom ter apreciação. Podemos desenvolver a apreciação de nos sentarmos bem aqui neste mesmo minuto.
Meditação é gom em tibetano. Realmente, significa acostumar-se com algo.
A meditação é acostumar-se com algo. Agora, há a meditação shamatha que muitos, muitos mestres nos aconselharam a fazer. Concordo com isso porque o shamatha assenta a fundação.
A meditação shamatha é simplesmente fazer nossa mente ser trabalhável, flexível. Bem agora, nossa mente é como um pedaço de madeira, rígido. Shamatha faz nossa mente ser flexível, de modo que possamos fazer o que quer que gostemos.
Bem agora, digamos que vocês estão raivosos. Agora, se eu pedisse que vocês, por favor, parassem de estar raivosos, vocês não podem.
Ou, se eu pedisse que vocês ficassem com raiva bem agora, vocês também não podem. Por quê? Porque não temos controle nobre nossa mente. Algo tem de vir de uma cerca causa e condição têm de estar lá, e apenas então podemos mudar nossa raiva. Não temos controle sobre ela. Shamatha nos dá esse controle, essa flexibilidade.
Poderíamos chamar isto de “meditação na ação”. Penso que isto é uma prática bem importante, mas às vezes também é bem difícil. Por quê? Novamente, o velho culpado, nossas expectativas.
Se olharmos para elas, até mesmo o modo como andamos é baseado em expectativas.
Temos um certo jeito de andar, de modo que sejamos louvados, de modo que não sejamos criticados, de modo que ganhemos algo, de modo que não percamos algo, de modo que consigamos atrações, de modo que não sejamos ignorados.
Tudo, o modo como caminhamos, o penteado que temos, a camiseta que colocamos nesta manhã… Fazemos isto por causa da expectativa. Não há autenticidade. E quanto não há autenticidade, nos tornamos bem fracos de novo. Nos tornamos vítimas de nossas próprias expectativas e das dos outros.
Dzongsar Khyentse Rinpoche

terça-feira, 7 de abril de 2015

Budismo e o ego

O caminho budista é basicamente uma má notícia do ponto de vista do ego.
Quanto mais praticamos e estudamos o budismo, mais chocante ele se torna para o nosso ego, mais ele irá contra o nosso egoísmo. Então, devemos pensar muito cuidadosamente sobre o que é que nós queremos. Não é muito tarde, ainda podemos sair dele.
Vamos falar sobre estes ganhos mundanos, pessoalmente, tenho muito deste problema.


Atisha Dipankara, um dos maiores eruditos budistas da Índia, tinha um modo maravilhoso de colocar isto. Ele disse: “Oito coisas fazem uma pessoa ficar fraca”.
Ele estava se referindo aos oito dharmas mundanos, ou oito armadilhas nas quais caímos:
1. Querer ser elogiado;
2. Não querer ser criticado;
3. Querer ganhar;
4. Não querer perder;
5. Querer prazer;
6. Não querer dor;
7. Querer ser reconhecido;
8. Não querer ser ignorado.
Estes são muito importantes. Devemos memorizá-los, de modo que de tempos em tempos podemos verificar se estamos caindo em uma destas armadilhas, ou até mesmo em todas elas. Eu faço isso. Isso é o núcleo básico da prática, verificar se esta caindo em qualquer uma destas armadilhas. São fáceis de lembrar: elogio e crítica; ganho e perda; prazer e dor; reconhecimento e ser ignorado.
Penso que todos vocês sabem do que estou falando: como gostamos de ganhar, como não gostamos de perder; o quanto amamos a atenção; o quanto não gostamos de ser ignorados… Todas estas são armadilhas. Se cairmos em uma destas armadilhas, nos tornaremos fracos.
Eu caio nestas oito armadilhas todo o tempo. Não quero perder amigos, quero ser louvado, não quero ser criticado, quero ganhar discípulos, quero ter atenção, não quero ser ignorado. Então, o que faço? A fim de obter o que quero e de evitar o que não quero, eu termino massageando o ego de outras pessoas.
Idealmente, se eu fosse um professor de verdade, eu deveria estar lhes dizendo o que vocês precisam ouvir, o que pode ser bem doloroso. Se eu realmente assumir seriamente o meu papel de amigo espiritual, isto irá ferir o seu ego. A linha de fundo é que o caminho espiritual é ir além do desejo do ego. Peço desculpas por dizer isto, mas este é o único caminho.
Atisha Dipankara nos dá um modo maravilhoso de treinar, chamado lojong. Lojong é uma palavra tibetana que significa “treinamento da mente”. O treinamento é basicamente lembrar de nos perguntarmos em qual destas armadilhas estamos caindo.

As pessoas nesta sociedade moderna parecem ser atraídas para coisas novas e originais. Mas aqui, não estamos procurando as invenções de alguém, estamos olhando para o Dharma puro e autêntico, as palavras do Buda.
Vivemos em um mundo onde somos atormentados pela constante insegurança.
A espiritualidade tornou-se um negócio, então os professores espirituais como eu sempre sentem a necessidade de gerar mais negócios.

Dada esta insegurança, sabendo do ponto fraco das pessoas, é bem fácil vender espiritualidade. Alguns de vocês podem ser homens ou mulheres de negócios.
Então, estou certo de que vocês sabem o que nos leva a vender coisas.
Primeiro, você diz às pessoas que há algo que elas devem ter, algo que elas não têm. Então, você lhes diz que o lugar para comprar é aqui, de mim. Eu tenho o que você precisa.
Buda disse:
Não confie na pessoa, mas confie nos ensinamentos.
Não confie nas palavras, mas confie no significado.
Este é um grande conselho. Quando entramos no caminho espiritual, é importante sermos muito cuidadosos.
Há duas abordagens básicas para o caminho espiritual.
Idealmente, nossa intenção de praticar o caminho espiritual deve ser o atingimento da iluminação. É isso. Parada completa.
Mas, por causa de nossos padrões habituais, há uma abordagem diferente, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
No Oriente, o budismo tornou-se algo como uma religião.
As pessoas praticam o budismo para obter vida longa, prosperidade, para melhorar seus negócios, por ganho pessoal, para dissipar certos espíritos e assim por diante. Então, as pessoas não têm a meta da iluminação. Eles têm a meta de decorar esta vida.
Não é melhor no Ocidente. No Ocidente, o Dharma também não é realmente dedicado à iluminação. Aqui, as pessoas praticam o Buddhadharma principalmente para se acalmarem, para se curarem, para relaxarem… para a assim chamada “automelhoria”.
O Buda não ensinou o Dharma para estes tipos de ganhos mundanos.
Talvez pensemos, já que somos pessoas espirituais, não estamos procurando por ganhos materiais.
Mas ainda estamos procurando por algum tipo de ganho mental.
Queremos ter uma vida feliz.
Ambos são considerados ganhos mundanos.
Se tivermos esse tipo de motivação, o buddhismo é um caminho que devemos evitar.
Dzongsar Khyentse Rinpoche

Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos.