Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Se você está numa praia e enche a mão de areia.
Esse tanto de areia em relação à areia da praia é a proporção de felizardos que têm contato direto com os ensinamentos budistas.
Se você abre a mão e deixa cair a areia, os grãos que sobram são os que estão envolvidos com a escola Mahayana.
Depois de bater as mãos para tirar a areia que resta, não sobra quase nada.
Esses últimos grãos, que quase não se vê, são os estudantes do budismo Vajrayana, raros e preciosos.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.

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Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.


A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




quarta-feira, 19 de março de 2008

Gnósticos, Gnosticismo e Auto-Realização

Gnósticos: Foram assim chamados os seguidores desta busca que foi incentivada por Mestre Jesus, o Cristo. Os primeiros gnósticos foram os discípulos mais internos, próximos, avançados de Jesus também chamados Ophitas: Simão (o Mago), Madalena, João, Tiago, Mateus, Marta, Tomé, Filipe, Salomé. Entre os gnósticos havia a participação ativa e não discriminada de mulheres. Outros que seguiram essa linhagem de ensinamento: Cerintho, Paulo, Menander, Saturnilo, Silas/Silvanus, Priscila, Euphrates, Marcion, Basílides, Valentino, Carpócrates, Bardesanes, Monoimus, Cerdo, Theodotus/Panteno, Ptolomeu, Heracleon, Clemente, Mani.

Gnosticismo:Movimento que, utilizando-se dos ensinamentos mais avançados e internos de Mestre Jesus,o Cristo, através do uso dos Evangelhos (alguns considerados apócrifos) e escritos de seus discípulos, espalhou-se entre os séculos I a.C. e III d.C., especialmente pela Galiléia, Síria (Antioquia), Egito, Armênia e regiões da Grécia e Palestina. Havia uma ampla difusão destes textos (alguns secretos) naquelas regiões e essa visão de mundo era bastante disseminada. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Auto-Realização:

“Homo, gnoscete ipsum”
"Te advirto, quem quer que sejas,
Oh, tú! Que desejas sondar os Mistérios da Natureza.
Como esperas encontrar outras excelências,
Se ignoras as de tua própria casa?
Em ti, está oculto o tesouro dos tesouros.
Oh, homem! Conhece a Ti mesmo
E conhecerás o Universo e os Deuses"
(Templo de Apollo em Delfos)

Auto-realização, sendo definida (dentro da Gnosis) como "o desenvolvimento completo e harmonioso de todas as infinitas possibilidades no interior do ser humano". A importância da auto-realização consta da antiga advertência, colocada na entrada do oráculo de Delfos.

Auto-realização não é algo que se aprende em livros; alcança-se apenas pela experiência pessoal, que leva a um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa e Crística, pela via do coração. É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

"Mas, o Reino está dentro de vós, e também fora de vós. Se vos conhecerdes, sereis conhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza, e vós mesmos sereis essa pobreza". Master Jesus, o Cristo - Evangelho Gnóstico de Tomé

O que toda religião deveria dar a seus seguidores é a percepção da Verdade, a experiência de Deus e não meros dogmas...O que Mestre Jesus, o Cristo percebeu, nós também devemos experimentar. Ele não ensinou que deveríamos adorá-lo como uma personalidade mas, sim, experimentar o que ele vivenciou em sua união com Deus. Isso só pode ser alcançado pela meditação e pela obediência às leis de Deus.Adorar a Jesus, porque é Jesus não basta.Temos que abraçar os ideais universais que pregou e lutar para sermos iguais a ele.

Neo-Pentecostalismo, sua trajetória no Brasil - O Nefasto Fundamentalismo Religioso

Na época da Reforma Protestante do Século XVI tivemos grupos minoritários com ênfase maior nas emoções e em revelações particulares, que eram, então, chamados de “entusiastas”.
Grupos de “entusiastas” também apareceram nos avivamentos dos séculos seguintes.
Um fenômeno particular de “glossolalia” (falar em “línguas estranhas”).

O “pentecostalismo” como movimento sistemático tem o seu nascedouro na cidade de Los Angeles, na Califórnia, em 1906. No Brasil fundaria, em 1910, como dissidência da Igreja Presbiteriana Italiana, no bairro do Brás, em São Paulo-SP , a Congregação Cristã no Brasil. Ex-batistas, fundam, em 1911, como dissidência da Primeira Igreja Batista de Belém-PA, a Assembléia de Deus. Em um segundo momento do pentecostalismo ocorre nos anos 1950 com a chegada, vinda, dos EUA, da “Cruzada Nacional de Evangelização”, que depois fundaria a Igreja do Evangelho Quadrangular, e a criação da primeira grande denominação pentecostal nativa, a Igreja Evangélica “o Brasil para Cristo”, liderada pelo missionário de origem pernambucana, mas radicado em São Paulo , Manuel de Melo . Essas duas denominações deslocaram a ênfase da glossolalia para a “cura divina”.

Nos anos 1960 surge um terceiro momento com o “Movimento de Renovação Espiritual”, com ênfase na contemporaneidade de todos os “dons espirituais” , e que irá dividir várias denominações (Batistas Brasileiros vs. Batistas Nacionais; Metodistas vs. Metodistas Wesleyanos, Congregacionais da “União” vs. Congregacionais da “Aliança” ; Presbiterianos do Brasil e Presbiterianos Independentes vs. Presbiterianos Renovados).

Foi um momento de efervescência religiosa, mas, por outro lado, muito triste, com os evangélicos em uma acirrada briga sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo, com “tradicionais” e “renovados” quase se vendo como inimigos, com os primeiros “proibindo” o Espírito Santo de operar alguns dons, e os segundos “exigindo” do Espírito Santo que o fizesse....

Nos anos 1980, entre Anglicanos, Luteranos e Católicos Romanos surge, primeiro nos Estados Unidos e na Europa, e depois também no Brasil, como quarto momento, o “Movimento Carismático”, com ênfases e práticas semelhantes aos anteriores, mas sem querer provocar rupturas ou fundar novas denominações, mas de se constituir em uma corrente interna de suas igrejas, das quais concordava com as demais doutrinas. O Movimento Carismático continua crescendo na Igreja Romana, mas, depois de um período inicial de maior impacto, tem arrefecido entre Luteranos e Anglicanos. No Anglicanismo teve uma presença maior entre evangélicos na Inglaterra, e entre anglo-católicos nos EUA, daí no velho mundo ser meio anti-litúrgico, enquanto nos EUA tem sido compatibilizado com uma liturgia mais elaborada. Na África os Anglicanos (bem como os Metodistas, Presbiterianos e Luteranos) têm outra história, decorrente do chamado “Avivamento do Leste Africano” , dos anos 1920, que ficou dentro das denominações históricas, com ênfase em santidade e evangelismo.

Hoje, com o amadurecimento das novas gerações, esses conflitos estão em grande parte superados, com a crença disseminada entre os “tradicionais” da contemporaneidade dos dons espirituais, e da inclusão de maior espontaneidade litúrgica e do valor das emoções na experiência de fé; enquanto “renovados” redescobrem o valor da Tradição e da Teologia, que é necessário equilíbrio e moderação em tudo, e que mais importante do que os dons é o fruto. Nas igrejas pentecostais mais antigas há uma busca para se romper com o isolacionismo, conhecendo a realidade e atuando na sociedade, além de se combater exageros de emocionalismo e de legalismo, valorizando-se mais o estudo das Sagradas Escrituras do que as “revelações privadas”, em um acercamento maior ao conjunto dos evangélicos, superando-se a mentalidade sectária...

Os anos 1990 foram marcados por um quinto momento (questionado pelos quatro anteriores), o chamado “Neo-Pentecostalismo” ou, para alguns autores, mais apropriadamente, “Pós-Pentecostalismo” , com a Teologia da Prosperidade e a Batalha Espiritual, em suas formas mais elitizadas, como a Igreja Renascer em Cristo, ou em sua versão popular, com a Igreja Universal do Reino de Deus. Esse mesmo período foi marcado pela crescente fragmentação da maior denominação pentecostal, as Assembléias de Deus, e pelo divisionismo escandaloso do protestantismo brasileiro em um sem número de “comunidades” e de “ministérios” de nomenclatura as mais exóticas (Igreja do Cuspe de Cristo, Igreja Bola de Neve, Igreja Jesus Vem e Você Fica etc.)

As reuniões seguem conforme a "inspiração" ou criatividade do condutor, palmas, louvores intermináveis, momento do perdão, choros, onde se invoca o Espírito Santo com cantos, frases repetidas, orações em vozez altíssimas, gritos, orações em línguas, etc.....é o momento mais lamentável das reuniões, onde as pessoas ao comando do coordenador fazem de tudo: caem no chão umas por cima das outras, correm, gritam, pulam , ficam com os movimentos incontroláveis como bêbadas, têm visões, mensagens, etc. etc. etc.

O ambiente é este , de histeria e sentimentalismo de último grau, e é lógico com uma boa medida de hipnose e fingimento. É claramente visto que a maioria das pessoas forçam o chamado "repouso no Espírito" para não frustrar o condutor, que manda e desmanda na mente e nos movimentos das pessoas como que se ele estivesse ungido por uma força sobre natural, de forma que ele pudesse fazer o que bem entender com a pessoa: senta, deita, rola, repousa, ora em linguas... e como um "subordinado" a pessoa obedece e ainda por cima gosta...

"Pentecostal é Esquizofrenia do Evangelho" ( Pastor Caio Fabio)

http://www.youtube.com/watch?v=rJdbtz_GLD4

http://www.youtube.com/watch?v=THk-pBuJ9wU

http://www.youtube.com/watch?v=1uozTCAAxgQ

Teologia da Prosperidade









  • "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. " Mateus 24:24
  • "E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. " Mateus 19:24
  • "Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, o há de odiar a um e amar ao outro, o há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas." Lucas 16:13
O IBGE trouxe uma constatação chocante para teologia da prosperidade no Brasil. No censo de 2006 foi comprovado que os evangélicos são os que mais contribuem financeiramente com a sua religião, apesar disso são percentualmente os religiosos mais pobres do País, ou seja na prática, essa teologia não funciona tão bem como se propaga......

Sociologicamente se fala de neo-pentecostalismo como da "religião dos pobres". Com isso alude-se não só às pessoas que o iniciaram mas também ao fato de que entre os pobres a fé cristã costuma ser entendida e vivida de maneira diferente da das classes acomodadas. Os pobres não possuem livros, e mesmo que os tivessem não disporiam de tempo e de preparação para estudá-los. Isso leva a uma religião que dá pouca importância ao fator intelectual e muita ao emocional, aos sentimentos.

O neo-pentecostalismo globalmente representa esse tipo de cristianismo desinteressado da doutrina e centrado no emocional, na vivência.
Por isso são tão importantes, nele, os milagres, os sinais como o falar em línguas (glossolalia - do grego γλώσσα, "glóssa" [língua]; λαλώ, "laló" [falar]) ou dom de línguas), as curas, os exorcismos....

"Só não é abastado quem não quer" ????

A Teologia da Prosperidade ou Confissão Positiva teve sua origem na década de 40 nos Estados Unidos, sendo reconhecida como doutrina na década de 70, quando se difundiu pelo meio evangélico. Possuía um forte cunho de auto-ajuda e valorização do indivíduo, agregando crenças sobre cura, prosperidade e poder da fé através da confissão da "Palavra" em voz alta e "No Nome de Jesus" para recebimento das bênçãos almejadas; por meio da Confissão Positiva, o cristão compreende que tem direito a tudo de bom e de melhor que a vida pode oferecer: saúde perfeita, riqueza material, poder para subjugar Satanás, uma vida plena de felicidade e sem problemas.

Em contrapartida, dele é esperado que não duvide minimamente do recebimento da bênção, pois isto acarretaria em sua perda, bem como o triunfo do Diabo. A relação entre o fiel e Deus ocorre pela reciprocidade, o cristão semeando através de dízimos e ofertas e Deus cumprindo suas promessas......

A dinâmica Benção, Diabo, Posse, e, em outro extremo, a vontade de Deus, é que a Teologia da Prosperidade corrobora com o anseio de acomodação ao mundo de certas lideranças, com a possibilidade de mobilidade social para alguns fiéis e com a manutenção de um status já adquirido para outros, sem o sentimento de culpa. Em vez de ouvir num sermão que "é mais fácil um camelo atravessar um buraco de agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mateus 19,24 e Marcos 10,25), agora a novidade reside na possibilidade de desfrutar de bens e riquezas, sem constrangimento e com a aquiescência de Deus.

"Nós ensinamos as pessoas a cobrar de Deus..."


Aquilo que está escrito. Se Ele não responder, a pessoa tem de exigir, bater o pé, dizer 'tô aqui, tô precisando", de um líder de igreja neo-pentecostal.
Para os afortunados, esta abordagem traz alívio; para os pobres, o direito de possuir como filho de Deus. Segundo o líder de uma grande igreja neo-pentecostal, Jesus veio pregar aos pobres para que estes se tornassem ricos.

Arrependimento e redenção, tema central no Cristianismo Ortodoxo, e as dificuldades nesta vida para o justo de Deus são temas raramente tratados.
Por isso, na busca da bênção, o fiel deve determinar, decretar, reivindicar e exigir de Deus que Ele cumpra sua parte no acordo; ao fiel compete dar dízimos e ofertas. A Deus cabe abençoar. Ao estabelecer esta relação de reciprocidade com Deus, o que ocorre é que Ele, Deus, fica na obrigação de cumprir todas as promessas contidas na Bíblia na vida do fiel. Torna-se cativo de sua própria Palavra. Ainda, esta doutrina busca confrontar Deus e diminuir sua soberania, pois é o fiel quem define qual seja a vontade de Deus e não o contrário.

"Pedagogia do Medo"

Medo, porque a satanização dos acontecimentos desenvolve estruturas emocionais no fiel que em tudo vê não a mão de Deus, ou a responsabilidade de seus atos sobre o curso da sua história, mas do Diabo, que acaba por tornar-se um referencial de comportamentos socioculturais.

Para a cura das doenças, solução para o casamento, prosperidade financeira e tantos outros problemas é necessário o exorcismo, que trará o milagre e a libertação.....

A relação que se estabelece agrega um forte simbolismo ao dinheiro: o fiel propõe trocas com Deus para conseguir a bênção desejada.
Cabe ao fiel demonstrar revolta diante de Deus e "de dedo em riste" exigir que as promessas bíblicas se cumpram...As doações em dinheiro ou bens são presentes colocados no altar de Deus, logo, para uma grande bênção, um valioso presente!

A fé é um instrumento de troca; uma mercadoria, e nesta relação "toma lá, dá cá", a imagem de Deus torna-se mais próxima e trivializada, em oposição à doutrina difundida pelo protestantismo histórico e pelo catolicismo tradicional, a partir da qual reverência e submissão são enfatizadas.

O adepto é conclamado a concorrer por melhores condições num mundo de extrema desigualdade social. E ainda tem de assumir uma responsabilidade a mais: a de ter sucesso, senão sua vida pode estar comprometida com as forças malignas ou com sua própria incapacidade de gerenciar suas possibilidades. Há muitas oportunidades para aqueles que vivem nos bolsões de pobreza? É onde se encontram muitas igrejas neo-pentecostais. Mas, mesmo assim, é preciso "sacrificar" diante de Deus e, de preferência, em dinheiro....

O movimento neo-pentecostal exerceu, desde suas origens, forte atração sobre as camadas pobres, inaugurando uma prática religiosa singular, diferenciando-se da ética tradicional tanto do catolicismo como do protestantismo histórico.
Neste movimento, os poderes sagrados se encontram distribuídos de forma horizontalizada, levando à rotinização do carisma; a soberania de Deus é compartilhada pelos fiéis; o Diabo se vê cotidianamente confrontado pelos membros da comunidade; e, o ideal de pobreza e humildade, impresso nos Evangelhos, é rejeitado em favor de uma nova ética, em que a felicidade e o bem estar são esperados já nesta vida, baseada na Teologia da Prosperidade.

Segundo esta doutrina, aqueles que não logram sucesso em seus empreendimentos devem procurar respostas de caráter individual, e não social ou político....O problema não está na prosperidade, mas na teologia.
Para a teologia da prosperidade, o crente "deve morar em mansão, ter carrões, muito dinheiro e nunca ficar doente. Quando isso não acontece, é porque ele está sem fé, em pecado ou debaixo do poder de Satanás".

Ora, se formos avaliar a vida espiritual de uma pessoa pela casa onde mora ou pelo saldo bancário, temos que concluir que muitos politicos e empresários corruptos, jogadores de futebol e artistas têm uma comunhão com Deus fora do comum. E isso não é verdade!!!!

O que podemos observar é que, a prosperidade funciona para os líderes destas Igrejas neo-pentecostais....
A Bíblia não ensina a fazer-mos uma barganha com Deus, não somos ensinados a ter que dar tanto para receber tanto. Deus não se condiciona aos nossos caprichos, quando nos abençoa é pela sua misericórdia e tudo que recebemos é por sua infinita graça, aliás os movimentos da fé, conhecem pouco acerca da doutrina da graça, uma doutrina tão defendida pelos reformadores, o Deus Todo Poderoso, que conhece tudo e que faz infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, está sendo trocado por, um gênio da lâmpada, que só é buscado quando precisam de algum favor...

Pense agora em você que está lendo esta postagem,
se Deus atendesse todos os seus pedidos,
será que você estaria lendo este postagem hoje,
será que você ainda desejaria ser um crístico?

Entretanto, quando se faz uma pesquisa, por mais elementar, o que se constata é que as promessas da teologia da prosperidade não se cumprem, e, de fato, nem o poderiam, quando as regras da exegese e da hermenêutica são respeitadas, percebe-se, não há respaldo bíblico.

Espertezas....

Assim, quem tem fé tem tudo, quem não tem fé não tem nada. Antes, ter fé em Cristo colocava o sujeito na estrada da solidariedade, hoje, nesse tipo de pregação, o coloca no barranco da arrogância.

Toda “esperteza” está justificada e incentivada. Não é de estranhar que ética seja um artigo em falta na vida e no “shopping center” de fé desses “ministros” neo-pentecostais.....
Ainda assistimos um bocado de gente tentando salvar as aparências, tentando defender os seus lideres de suas próprias mentiras e deslizes éticos e morais; um mundo marcado pela ignorância e esquizofrenia......

Precisamos, finalmente, ver Jesus, o Cristo e a nós mesmos; precisamos, em meio a tanta desinformação encontrar o ensino, em meio a tanto engano recuperar a esperança. Necessitamos de comunidade e de identidade, de abraço e de paciência, de paz e de alento, de fraternidade e de exemplo, de doutrina, de conhecimento, de sabedoria e de vida abundante....

Huberto Rohden - Conversa Evangelho Gnóstico de Tomé

O homem profano vive numa permanente embriaguez das coisas do ego material-mental-emocional.
E por isto não tem sede das coisas espirituais do Eu.
São cegos para a Verdade, porque só enxergam as ilusões.
Todo o homem entra neste mundo sem nada, mas não deve sair do mundo sem nada.
A razão-de-ser da nossa encarnação terrestre é adquirirmos algo que não nos foi dado, crearmo-nos mais do que Deus nos creou.
De Deus recebemos a nossa alma como carta branca; mas não lhe podemos devolver como carta branca.
Se devolvermos a Deus o que de Deus recebemos, seremos iguais àquele "servo mau e preguiçoso" da parábola dos talentos, que devolveu o mesmo talento que recebera.

A nossa missão terrestre é realizarmos pelo poder creativo do livre arbítrio valores que Deus não nos deu, mas para cuja creação nos deu potencialidade creativa.
O homem deve atualizar as suas potencialidades creadoras; isto é ser "servo bom e fiel e entrar no gozo do seu Senhor".
Quanto ao corpo, sim, sairemos do mundo assim como no mundo entramos, sem nada.
O corpo nos foi emprestado como embalagem pêlos nossos pais e pela natureza. Devolveremos à natureza o que da natureza recebemos.
Mas temos de restituir a Deus o que de Deus recebemos mais aquilo que creamos com o nosso livre arbítrio, porque o homem não é apenas uma creatura creada, como os animais, mas uma creatura creadora.

Quem pode, deve; e quem pode e deve e não faz, crea débito, e todo débito gera sofrimento. O homem é uma creatura potencialmente creadora, e seu dever é fazer-se uma creatura atualmente creadora. É esta a grande Verdade insinuada pelas palavras de Jesus, o Cristo.

Já no início da Era Cristã, lamentava o grande Orígenes, de Alexandria, que muitos falassem do Cristo e poucos se cristificam.
Muitos sabem que existe uma fonte de águas vivas, poucos bebem dessa água. Este mesmo fenômeno, aliás, se repete no mundo inteiro: quase toda a Ásia conhece a sabedoria de Buda, de Krishna, de Lao-Tse: muitos admiram as "quatro verdades nobres", a Bhagavad Gita, o Tao Te King, e poucos descem à profundeza dessas fontes de sabedoria vivenciando-a.

Quase todo o ocidente, europeu e americano, se diz cristão: muitos lêem os Evangelhos, fazem sermões, conferências e escrevem poesias sobre os ensinamentos de Jesus, mas quantos orientam a sua vida pelas grandes verdades do Cristo?

O Evangelho, como se vê, é puro auto-conhecimento, que culmina em auto-realização. Todos os grandes Mestres da humanidade, do Oriente e do Ocidente, são unânimes em pôr o auto-conhecimento acima de qualquer alo-conhecimento.

O homem deve iniciar a sua verdadeira realização, o Reino de Deus. Interno e externo, aqui e agora, harmonizando a sua consciência mística e sua vivência ética com a Divindade.
Quem só conhece o Universo, mas ignora a si mesmo, conhece muitos nadas: mas quem se conhece a si mesmo, conhece sua alma, que é também a alma do Universo.
O homem e o cosmos são concêntricos, o centro de ambos é Deus. Realizar-se é conscientizar Deus em si mesmo e conscientizar Deus no Universo. Realizar-se é Universificar-se.

O homem intelectual, escreve Einstein, descobre aquilo que é, mas o homem espiritual realiza em si aquilo que deve ser, aquele é um descobridor de fatos, este é um creador de valores. Valor é Realidade eterna, fatos são reflexos passageiros. Do substantivo latino factum veio o adjetivo facticium, que mais tarde deu ficticium; quer dizer que os fatos são fictícios e não reais.

"O cristianismo é uma afirmação do mundo que passou pela negação do mundo".
Albert Schweitzer