Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Se você está numa praia e enche a mão de areia.
Esse tanto de areia em relação à areia da praia é a proporção de felizardos que têm contato direto com os ensinamentos budistas.
Se você abre a mão e deixa cair a areia, os grãos que sobram são os que estão envolvidos com a escola Mahayana.
Depois de bater as mãos para tirar a areia que resta, não sobra quase nada.
Esses últimos grãos, que quase não se vê, são os estudantes do budismo Vajrayana, raros e preciosos.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.

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Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.


A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Pra que servem obstáculos

Assolados por aflições, descobrimos o Dharma
E encontramos o caminho da liberação.
Obrigado, forças malignas!
Quando tristezas invadem a mente, descobrimos o Dharma
E encontramos felicidade duradoura.
Obrigado, tristezas!
Através do dano causado por espíritos, descobrimos o Dharma
E encontramos destemor.
Obrigado, fantasmas e demônios!
Através do ódio das pessoas, descobrimos o Dharma
E encontramos benefício e felicidade.
Obrigado, aqueles que nos odeiam!
Através da adversidade cruel, descobrimos o Dharma
E encontramos aquilo que não muda.
Obrigado, adversidades!
Através daqueles que nos forçam, descobrimos o Dharma
E encontramos o significado essencial.
Obrigado a todos que nos impelem!
Dedicamos o mérito a todos vocês, para retribuir sua gentileza.
Longchenpa
Patrul Rinpoche (Tibet, 1808-1887)
“As Palavras do Meu Professor Perfeito“

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Budismo Tibetano

O caminho essencial de todos os veículos ilimitados do Dharma, alguns dos quais brevemente descritos aqui, é desenvolver a renúncia aos sofrimentos do samsara. A base para essa renúncia é seguir o código de conduta agrupado em qualquer um dos sete conjuntos de votos da auto-liberação [sânsc. pratimoksha].

O Renascimento Humano Precioso e a Impermanência

Medite sobre as dificuldades de receber um renascimento humano precioso e sobre se esta condição excelente de tempo livre continuará. Pense sobre o quão difícil será obter no futuro uma outra forma humana. Bem agora, nós a temos e nosso renascimento tem tanto significado que é tão preciosa quanto uma jóia que realiza desejos. Mas esta vida não durará. É incerto se morreremos velhos, jovens ou com meia idade. As circunstâncias e condições para a morte são muitas, mas as condições para manter a vida são poucas.

Os dias, os meses e as quatro estações, os amigos, os parentes e os inimigos, e assim por diante, tudo muda e termina. Pensando de novo e de novo sobre todas estas mudanças, por favor se lembre da impermanência.

Karma

Você não deveria pensar que após a morte apenas se dissolverá no meio do espaço. Nem deveria pensar que os humanos necessariamente renascem como humanos, ou os cavalos como cavalos. Todos os seres sencientes são levados por suas ações [sânsc. karma] em muitos lugares e formas diferentes nas quais se pode renascer na existência cíclica: em reinos altos ou baixos; com prazeres grandes ou pequenos; com propriedade e poder [ou não]; com um corpo bom ou ruim. Neste samsara há muitos karmas e resultados diferentes. Todas estas várias aparências e aspectos da existência surgem devido aos diferentes atos de virtude, não-virtude ou de alguma combinação dos dois. Estes atos pode ser condensados nas dez ações virtuosas ou não-virtuosas. O resultado das ações virtuosas e não-virtuosas amadurece de quatro modos diferentes:

Como o resultado amadurecido;

Como uma experiência de acordo com a causa;

Como uma atividade de acordo com a causa; e

Como o resultado ambiental [pessoal ou coletivo].

Ações virtuosas amadurecem apenas em seus próprios resultados específicos.

Se você não tiver feito a ação [karma], não poderá encontrar seu resultado, mas os resultados de todas as ações que você fez durante o tempo não desaparecerão por si mesmos. É certo que o resultado virá e que ele virá para aquele que criou o karma.

Todos os fenômenos vistos em sua experiência são o resultado do karma. Você pode experienciar o resultado de suas ações kármicas durante a mesma vida, na próxima vida ou em qualquer vida após esta. Há resultados kármicos que estão certos de amadurecer e outros que são incertos. Por favor consulte os Sutras e seus Comentários para explicações mais detalhadas de todos os vários aspectos da ação [karma] e de seus resultados. A prática de adotar e rejeitar as causas e resultados [apropriados ou desapropriados, respectivamente] é o coração do Buddhadharma, e as Quatro Nobres Verdades e a Lei da Originação Interdependente são os pontos essenciais e profundos do Dharma.

Existência Cíclica e Sofrimento

Através da força do karma, as seis classes de seres sencientes vagam, perdidos através dos três reinos superiores e dos três reinos superiores.

Nas Três Esferas da Existência, não há qualquer coisa, nem mesmo um átomo, que não sejam condicionados e, como resultado, o sofrimento do sofrimento, o sofrimento da mudança e o sofrimento que permeia a existência condicionada atormentam os seres renascidos aqui. Em particular, cada reino é afligido com sofrimentos específicos.

Ações não-virtuosas resultam em sofrimentos, enquanto as ações virtuosas maculadas causam renascimento nos reinos superiores se especialmente na Concentração Mundana sem oscilar, que o leva para os reinos mais altos, os Reinos Sem Forma. Mas até mesmo estes seres, que estão nesses estados altos, devem renascer de novo porque não abandonaram a ignorância [a raiz do samsara]. Eles cairão nos estados inferiores em seus próximo renascimento. Isto é assim porque permanecer nesta existência cíclica é como permanecer em um fogo, ou em um ninho de cobras venenosas. Não deseje ou rogue por felicidade samsárica. Ao invés disso, por favor desenvolva uma renúncia sonora às causas do sofrimento, sempre desejando ser livre do ciclo de renascimentos.

O Mestre Espiritual

A raiz da entrada no caminho para o nirvana é o mestre espiritual. Permaneça próximo dele e confie nele. Escolha um mestre que tenha se domado ouvindo muitos ensinamentos. Ele deveria ser hábil na prática da lei do caminho [tib. tsültrim / tsul trim, disciplina ou moralidade] e na bodhichitta, deveria ter uma visão pura da realidade e ter grande compaixão. Dele deveria ter a habilidade de cortar as dúvidas dos outros. Então, depois de receber a iniciação e o samaya tântrico [votos e compromissos sagrados] deste lama, você deveria fazer o que ele diz.

Conforme sua fé e devoção aumentam, boas qualidades serão realizadas. Portanto, permaneça próximo de um lama excelente, estimando a oportunidade de servi-lo.

A fala e os conselhos do lama são o mesmo que o néctar da imortalidade. Quando mais você tiver ouvido, nenhum [de seus conselhos] deveria ser visto em vão. Então, sem abandonar qualquer um deles, adote-os em sua própria prática. Pense e medite sobre seus conselhos porque nenhum benefício virão de simplesmente ouvi-lo, assim como a água não pode saciar sua sede a menos que você a beba. Por esta razão, você deveria permanecer em um lugar isolado e recluso.

O Refúgio

Tomar refúgio é o fundamento do caminho e de todos os votos. Ele distingue os buddhistas dos não-buddhistas, fornecendo-nos a proteção de todos os deuses e humanos. Ele nos faz atingir a acumulação de todas as coisas boas e auspiciosas nesta vida e nas futuras. Deveríamos depositar nossas mentes com as Três Jóias do refúgio: Buddha, o professor; Dharma, o protetor; e Sangha, o libertador.

Quando tomar refúgio, não se iluda simplesmente falando enfaticamente as palavras, mas sim desenvolva uma confiança real nos objetos de refúgio.

Então, cuidadosamente guarde todos os compromissos do refúgio.

A Bodhichitta

A prática principal do Mahayana é a bodhichitta, que é a essência do leite batido do Dharma sagrada. Se não há bodhichitta, a sua prática, seja ela do Sutra ou do Tantra, será "sem essência" como uma bananeira. Não apenas isso, você também deveria lembrar que, onde quer que o espaço permeie, há seres sencientes [que estão procurando pela felicidade]. Os próprios renascimentos, tomados seqüencialmente, são sem início, e então teremos renascido por incontáveis vezes. Cada ser senciente foi nossa mãe e pai inumeráveis vezes, e assim, a quantidade de benefício que recebemos deles é inconcebível. Portanto, deveríamos meditar sobre o amor e sobre a grande compaixão para todos os seres senciente: inimigos, amigos, parentes e estranhos. Desenvolva o equilíbrio que é livre de manter alguns próximos, com desejos, e outros distantes com, raiva. Pensando com um bom coração sobre os benefícios dos outros, você deveria usar seu corpo, fala e mente para praticar a virtude e sempre fazer preces especiais e nobres.

S.S. Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö རྫོང་གསར་མཁྱེན་བརྩ་ཆོས་ཀྱི་བློ་གྲོས་

Que todos os seres possam se beneficiar!

A Maneira Adequada de Ouvirmos o Ensinamento Espiritual

A atitude.
A vasta atitude da bodhichitta [Mahayana]: É para o bem-estar dos outros que vou ouvir o Dharma profundo e colocá-lo em prática. Conduzirei todos os seres, meus pais, atormentados pelas misérias dos seis reinos da existência, ao estado búddhico onisciente, liberando-se de todos os fenômenos kármicos, padrões habituais e sofrimentos de cada um dos seis reinos.
A vasta habilidade nos meios [Vajrayana]:

Não considere:
O lugar onde o Dharma está sendo ensinado,
O mestre,
A assembléia,
Os ensinamentos e
O tempo como sendo comuns e impuros. Conforme você ouve, claramente mantenha as cinco perfeições na sua mente:

O lugar perfeito é a cidadela da expansão absoluta, chamada Akanishtha, o Insuperável;
O mestre perfeito é Samantabhadra, o dharmakaya;
A assembléia perfeita consiste de bodhisattvas e divindades, masculinas e femininas, da linhagem da mente dos conquistadores e da linhagem dos símbolos dos vidyadharas.

Ou você pode pensar que o lugar onde o Dharma está sendo ensinado é o Palácio da Luz de Lótus da Gloriosa Montanha Cor-de-cobre, o mestre que ensina é Padmasambhava de Uddiyana e nós, a audiência, somos os oito vidyadharas, os vinte e cinco discípulos, dakas e daknis. Ou considere este lugar perfeito como a terra pura oriental, Alegria Manifesta, onde o mestre perfeito Vajrasattva, o sambhogakaya perfeito, está ensinando à assembléia de divindades da família Vajra e aos bodhisattvas, masculinos e femininos.

Igualmente, o lugar perfeito onde o Dharma está sendo ensinado pode ser a terra pura oriental, Alegre, o mestre perfeito pode ser o Buddha Amitabha e a assembléia pode ser de bodhisattvas e divindades, masculinos e femininos, da família Padma.

Em qualquer que for o caso, o ensinamento é o do Mahayana e o tempo é a roda da eternidade, sempre girando. Estas visualizações são para nos ajudar a entender como as coisas são na realidade. Não é que estamos temporariamente criando algo que não existe realmente.

Conduta
O que evitar:
Os três defeitos do pote:
Não ouvir os ensinamentos é como um pote virado para baixo.
Não ser capaz de reter o que você ouviu é como um pote com um furo.
Misturar emoções negativas com o que você ouviu é como um pote como veneno dentro.
As seis máculas: Orgulho, falta de fé, falta de esforço, distração externa, tensão interna e desencorajamento, estas são as seis máculas.Evite os seis:
Acreditar orgulhosamente que se é superior ao mestre que está explicando o Dharma;
Não acreditar no mestre e em seus ensinamentos;
Falhar em se aplicar no Dharma;
Ser distraído por eventos externos;
Focalizar seus cinco sentidos muito decididamente para o interior; e
Ser desencorajado se, por exemplo, um ensinamento for muito longo.

Os cinco modos errôneos de lembrar:
Evite se lembrar das palavras mas se esquecer do significado;
Ou se lembrar do significado mas se esquecer das palavras.
Evite se lembrar tanto das palavras quanto do significado mas sem ter o entendimento;
Lembrá-los fora de ordem; ou
Lembrá-los incorretamente.

O que fazer
As quatro metáforas:
Você deve considerar a você mesmo como alguém que está doente;
O Dharma como o remédio;
Seu amigo espiritual como um médico hábil; e
A prática diligente como o modo de se recuperar.

Algumas pessoas se comportam:
Como se o seu mestre espiritual fosse um almiscareiro;
Como se o Dharma fosse o almíscar;
Como se eles mesmos fossem os caçadores; e
Como se a prática intensa fosse o modo de matar o almiscareiro, como uma flecha ou uma armadilha. Eles não praticam os ensinamentos que receberam e não sentem gratidão diante do mestre. Eles usam o Dharma para acumular más ações enquanto são dragados como um fardo pesado para os reinos inferiores.

As seis perfeições transcendentes:
Prepare o assento do mestre, coloque almofadas sobre o assento, ofereça uma mandala, flores e outras coisas; esta é a prática da generosidade.
Limpe o lugar ou sala depois de tirar cuidadosamente a poeira com água e evite toda conduta desrespeitosa; esta é a prática da disciplina.
Evite causar mal aos seres, mesmo ao menor dos insetos, e suporte o calor, o frio e todas as outras dificuldades; esta é a prática da paciência.
Deixe de lado todas as visões errôneas sobre o mestre e o ensinamento e ouça alegremente com fé genuína; esta é a prática da diligência.
Ouça às instruções do mestre sem distração; está é a prática da concentração.

Pergunte questões para limpar quaisquer hesitações e dúvidas; esta é a prática da sabedoria.
utros modos de conduta: Tome o assento mais baixo, cultive o suporte dignificado da disciplina completa. Com seus olhos transbordando de alegria, beba das palavras como um néctar e esteja completamente concentrado. Este é o modo de ouvir o ensinamento espiritual.

Patrul Rinpoche (1808-1887)
“As Palavras do Meu Professor Perfeito”
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Budismo Tibetano Vajrayana


S.S. Dudjom Rinpoche, entre S.S. Chatral Rinpoche e S.S. Dilgo Khyentse Rinpoche, Preciosos Mestres do Budismo Tibetano Vajrayana.

Externamente, esta era de caos e conflitos entra em erupção;
Internamente, a exaustão engolfa corpo e mente;
Secretamente, pensamentos vívidos inundam a mente consciente.
O praticante que transcende esses três
Mantém uma mente feliz e é… ah, tão contente!


Dudjom Rinpoche (Tibet, 1904 – França, 1987)

Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

As Quatro Nobres Verdades, Sidarta Gautama, o Senhor Buddha Shakyamuni

As Quatro Nobres Verdades, são um elemento central da doutrina do budismo. Estas verdades referem-se ao sofrimento (dukkha*), sua natureza, sua origem, sua cessação e o caminho que conduz a essa cessação.
*Dukkha”, a palavra usada nos sutras, na verdade é mais próxima de termos de uso comum no mundo moderno como “inquietação”, “mal estar”, “desconforto” e “insatisfação”
As Quatro Nobres Verdades estão entre as diversos conhecimentos que Sidarta Gautama, o Senhor Buddha Shakyamuni realizou durante sua iluminação.
As Quatro Nobres Verdades aparecem diversas vezes ao longo dos mais antigos textos budistas, no Cânone Páli.
Os primeiros ensinos e a compreensão tradicional no budismo são que as Quatro Nobres Verdades são ensinamentos avançados para aqueles que estão prontos a elas. Considera-as como um ensinamento prejudicial para as pessoas que não estão prontas.
O objetivo de Buddha em vida era descobrir a verdade e alcançar a real e estável felicidade.
Diz-se que ele alcançou este objetivo meditando debaixo da árvore bodhi próximo ao rio Neranjana. As Quatro Nobres Verdades são a conclusão de seu entendimento sobre a natureza do "sofrimento", sobre a causa fundamental de todo o sofrimento, sobre a fuga do sofrimento e sobre esforço que uma pessoa pode fazer para alcançar a felicidade.
"As Quatro Nobres Verdades, monges, são reais, infalíveis, e não o contrário. Portanto, elas são chamadas de nobres verdades."
Buddha também disse que as ensinou...
"porque são benéficas, porque pertencem aos fundamentos da vida santa, que conduz ao desencantamento, a dissipação, a cessação do sofrimento, à paz, ao conhecimento direto, à iluminação, ao Nirvana. É por isso que eu as declarei."
As Quatro Nobres Verdades constituem o primeiro ensinamento proferido pelo Buddha após sua verdadeira iluminação.
1°) A Realidade do Sofrimento (Dukkha):
Esta é a nobre verdade do sofrimento. Muitas vezes a primeira Nobre Verdade proferida por Buddha Shakyamuni após sua iluminação é traduzida como "A vida é sofrimento", ou "Existe sofrimento", sempre indicando a natureza sofrida da vida.
Em um primeiro momento esse ensinamento pode parecer demasiado pessimista e deprimente. Mas isso se deve à tradução simplista do termo.
A primeira Nobre Verdade diz respeito à dukkha, que não tem uma tradução literal, mas sim é todo um conjunto de idéias. Assim é possível expressar que nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimentos; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento."
De uma maneira geral, dukkha diz respeito ao nosso condicionamento de vida dentro de experiências cíclicas, onde nos alternamos entre boas experiências (felicidade) e más experiências (sofrimento).
Todos os seres buscam a felicidade e procuram se afastar do sofrimento, no entanto nessa busca de felicidade e dentro da própria felicidade encontrada estão as sementes de sofrimentos futuros.
Podemos pensar da seguinte maneira: sofremos porque não temos algo; sofremos porque conseguimos algo e temos medo de perder; sofremos porque temos algo que parecia bom, mas agora não é tão bom assim; e sofremos porque temos algo que queremos nos livrar e não conseguimos.
Podemos ver então que mesmo que tenhamos sucesso na nossa experiência de felicidade, ela mesmo pode se tornar causa de uma experiência de sofrimento.
Além disso, as experiências são impermanentes, as idéias, os conceitos, os pensamentos, todos são impermanentes, mudam.
Por isso, dentro da experiência de felicidade existe a causa de uma experiência de sofrimento, pois ela também é impermanente e irá mudar.
2°) Realidade da Origem do Sofrimento (Samudaya):
Esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensoriais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir.
3°) A Realidade da Cessação do Sofrimento (Nirodha):
Esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele."
4°) A Realidade do Caminho (Magga) para a Cessação do Sofrimento:
Esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta."
Que todos os seres possam se beneficiar!

O Nobre Caminho Óctuplo, Sidarta Gautama, o Senhor Buddha Shakyamuni

O nobre caminho óctuplo é um treinamento para erradicar a ganância, o ódio e a ilusão, vistos como as raízes do sofrimento. Também é conhecido como o "caminho do meio" porque é baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos.
Essas oito práticas foram descritas pelo Senhor Buddha, o Desperto.
"Agora, bhikkhus, esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta."

No simbolismo budista, o nobre caminho óctuplo é frequentemente representado pela roda do dharma, cujos oito aros representam os oito elementos do caminho. O Nobre Caminho foi delineado pelo Tathagata já no seu primeiro discurso após a iluminação, o "Discurso do colocar a roda em movimento".
1°) Compreensão correta: Compreensão de acordo com as Quatro Nobres Verdades de maneira a entender as coisas como elas realmente são:
2°) Pensamento correto: O pensamento da renúncia, de desenvolver as nobres qualidades, não tendo má vontade em relação aos outros, não querendo causar o mal (nem em pensamentos).
3°) Fala correta: Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosas. Falar a verdade, ter uma fala construtiva, harmoniosa, conciliadora.
4°) Ação correta: Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria.
5°) Meio de vida correto: um modo de vida equilibrado, nem perdulário nem mesquinho e que não cause mal a outros seres. Inclui ter uma profissão que não esteja em desacordo com os princípios.
6°) Esforço correto: Abandonar estados prejudiciais e as causas para futuros estados prejudiciais. Cultivar estados benéficos que tenham surgido e condições para futuros estados benéficos.
7°) Atenção correta: Desenvolver completa consciência de todas as ações do corpo, fala e mente para evitar atos insanos, através da contemplação da natureza verdadeira de todas as coisas.
8°) Concentração correta: Estabilidade e foco mental.
Que todos os seres possam se beneficiar!