Budismo é a tradição formada a partir das práticas ensinadas por Sidarta Gautama 563 ou 623 a.C. em Lumbini, Nepal, na época Índia, conhecido como Buda Shakyamuni "sábio dos Shakyas", é a figura-chave do budismo há pelo menos 2.500 anos.

De acordo com a Tradição Hindu, Buda é um Avatar de Vishnu (Deus Supremo), baseados nas escrituras Upanishads, Vishnu e Bhagavad Purana. A palavra Buda vem de Bodh, que significa despertar.

Ao despertar, se iluminar Buda pensa que isso não poderia ser compartilhado, porém Brahma teria solicitado que ele ensinasse o que havia conquistado, porque alguns seres poderiam reconhecer o que ele reconheceu.

Os ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral, ensina as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo. A prática central de quase todas as linhas budistas é a meditação, método e resultado para uma familiarização e entendimento sobre a própria mente, práticas para controle do ego, e o despertar para iluminação. Buda dizia que seu ensinamento ia contra o sistema, ao contrariar os infinitos desejos egoístas do homem, "Atingi esta Verdade que é profunda, difícil de ver, difícil de compreender, compreensível somente aos sábios, os homens submetidos pelas paixões e cegos pela obscuridade não podem ver essa Verdade, que vai contra o sistema, porque é sublime, profunda, sútil e difícil de compreender". A filosofia sobre o caminho e os resultados variam conforme a escola.

A transmissão do Dharma do Buddha no Tibet ocorreu em dois períodos principais. Houve a primeira difusão do Dharma, por volta de 600 d.C, que foi imensamente potencializada, pelo Guru Rinpoche Padmasambhava. Essa primeira propagação do Dharma no Tibet, das traduções das escrituras em sânscrito para a língua tibetana, e ensinamentos e transmissões dadas por Guru Rinpoche, veio a formar a “Antiga Tradição” (tib. nyingma), Escola Nyingma.

Outros Mestres da Índia como o Pandita Atisha e o tibetano Tsongkapha vieram posteriormente ensinar no Tibet e formaram os pilares da segunda propagação do Dharma no Tibet, e que deu origem a “Nova Tradição” (tib. sar ma) através das Escolas Gelug. As escolas do budismo tibetano, baseadas nas transmissões das escrituras indianas para o platô tibetano, são achadas tradicionalmente no Tibet, Butão, norte da Índia, Nepal, Mongólia.

A maioria dos praticantes nesses países podem ser classificados como vajrayanas, que é um conjunto de escolas budistas esotéricas. A Tradição Vajrayana, é a fonte conhecida para se praticar o budismo original indiano, que foi praticamente erradicado de onde se originou, utiliza meios hábeis como o caminho acelerado possibilitando a iluminação. O nome vem do sânscrito e significa "veículo de diamante", possuem como modelo principal a figura do Lama. O objetivo da prática é se tornar um Bodhisattva.

Se você está numa praia e enche a mão de areia.
Esse tanto de areia em relação à areia da praia é a proporção de felizardos que têm contato direto com os ensinamentos budistas.
Se você abre a mão e deixa cair a areia, os grãos que sobram são os que estão envolvidos com a escola Mahayana.
Depois de bater as mãos para tirar a areia que resta, não sobra quase nada.
Esses últimos grãos, que quase não se vê, são os estudantes do budismo Vajrayana, raros e preciosos.

Ser budista.

Tenha confiança em seu próprio potencial espiritual, em sua habilidade de encontrar seu próprio caminho único.

Aprenda com outros resolutamente e use o que julgar útil, mas também aprenda a confiar em sua própria sabedoria interior.

Tenha coragem. Esteja desperto e consciente.

Lembre-se que o budismo não é sobre ser budista, ou seja, obter uma nova etiqueta de identidade.

Nem é sobre colecionar conhecimentos cerebrais, práticas e técnicas.

De maneira última, é sobre abandonar todas as formas e conceitos, se tornar livre e despertar.

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Gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental.


A palavra "Gnosis" geralmente é traduzida por "conhecimento", mas a Gnose não é, primordialmente, um conhecimento racional; a língua grega distingue entre o conhecimento científico (ele conhece matemática) e, reflexivo (ele se conhece), experiência que é Gnose, percepção direta daquilo que é, percepção interior, um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo.

A Sabedoria ultrapassa o intelecto, através da intuição, contempla. A Sabedoria faz com que a Verdade seja inteligível. O intelecto usa a razão e o conhecimento discursivo.

Gnose é usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna, maravilhosa, pela via do coração.


Gnose é uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

Nós Gnósticos usamos de explicações metafísicas e 'mitologicas' para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixamos de relacionar esse mundo externo e mitologico a processos internos que ocorrem no homem. Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

GNOSTICISMO: Movimento que provavelmente se originou-se na Ásia Menor. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Índia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos do Helenismo, Zoroastrismo, do Hermetismo, do Hinduísmo, do Budismo Tibetano, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo. Possuíam uma linguagem técnica característica e ênfase na busca da sintonia interior com essa Gnosis, essa Sabedoria Divina, sem intermediários, um conhecimento do Divino por experiência própria.

Enquanto existir uma luz na individualidade mais recôndita da natureza humana, enquanto existirem homens e mulheres que se sintam semelhantes a essa luz, sempre haverá Gnósticos no mundo


"Não escrevo para aqueles que estão imbuídos de preconceitos, que compreendem e sabem tudo, mas que no entanto não Sabem nada, pois eles já estão satisfeitos e ricos, mas sim para os simples como eu, e assim me alegro com meus semelhantes."

Jacob Boehme




terça-feira, 10 de outubro de 2017

Os Oito Versos que Transformam a Mente


Ofereça o ganho e a vitória aos outros.
Tome a perda e a derrota para si mesmo.

Goste ou não desse ensinamento, você só pode dispensá-lo se não quiser alcançar o Estado de Buda.


Os oito versos são:
1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.
2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.
3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.
4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.
5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.
6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.
7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.
8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.
As oito preocupações mundanas são:
1. Desejar elogios
2. Rejeitar críticas
3. Desejar o prazer
4. Rejeitar a dor
5. Desejar o ganho
6. Rejeitar a perda
7. Desejar a fama
8. Rejeitar ser ignorado

Sua Santidade o 14° Dalai Lama

Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos sagrados.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Budismo Tibetano རྙིང་མ་ Nyingma Vajrayana.बज्रयान

A Escola Antiga (tib. Nyingma-pa] se formou a partir das primeiras tradições budistas introduzidas no Tibet.
Apesar de ter surgido como uma escola distinta apenas no século XV, suas origens remontam ao século VIII, com a chegada dos budistas indianos Padmasambhava, Vimalamitra, Vairochana e Shantarakshita.
O mostéiro Samye (tib. Sam yas), fundado em 779, foi o primeiro centro monástico do Tibet e iniciou a difusão dos ensinamentos das tradições que formariam a escola Nyingma.
Segundo essas tradições, o Buddha Samantabhadra (tib. Küntuzangpo / Kun tu bzang po) transmitiu ensinamentos da Grande Perfeição (tib.Dzogchen) ao Buddha Vajrasattva (tib. Dorje Sempa), e este para o indiano Garab Dorje .
O indiano Vimalamitra (séc. VIII) levou esses ensinamentos da Índia ao Tibet, onde foram sintetizados pelo tibetano Longchenpa (1308-1364).
Segundo ele,
As aparências da realidade são a sabedoria do caminho,
E paz presente, livre das projecções e dos afastamentos,
É o vazio instantâneo da pureza primordial [tib. trekchö / khregs chod].
A claridade espontânea deles, que é a sabedoria pura,
É o caminho directo [tib. thögel / thod rgal];
A união deles, a sabedoria pura,
É o caminho secreto da essência interior.
Quando todas as elaborações são pacificadas,
A sabedoria pura aparece normalmente.
O grande mestre desta escola foi Padmasambhava (tib. Pemajungne séc. VIII), também conhecido como o Mestre Precioso (tib. Guru Rinpoche / gu ru rin po che). Padmasambhava teria nascido (sânsc. sambhava) em um lótus (sânsc. padma), no país de Oddiyana, atual Kashimira entre o Afeganistão e o Paquistão.
Padmasambhava tornou-se um grande adepto (sânsc. mahasiddha) do budismo Vajrayana e viajou ao Tibet com a função de pacificar "as divindades e demónios" do local e de introduzir os ensinamentos budistas.
A escola Nyingma classifica esses ensinamentos ensinamentos em nove veículos (sânsc. yana):
Sharavaka-yana (o caminho dos ouvintes);
Pratyekabuddha-yana (o caminho dos realizadores solitários);
Bodhisattva-yana (o caminho dos seres da iluminação);
Kryia-tantra-yana (o caminho dos tantras de acção);
Charya-tantra-yana (o caminho dos tantras de actuação);
Yoga-tantra-yana (o caminho dos tantras de união);
Maha-yoga-yana (o caminho da grande união);
Anu-yoga-yana (o caminho da suprema união);
Ati-yoga-yana (o caminho da Grande Perfeição).
Na escola Nyingma, o Dzogchen, a Grande Perfeição, é visto como o ensinamento supremo do budismo.
Os ensinamentos Dzogchen não são uma filosofia, nem uma doutrina religiosa, nem uma tradição cultural.
Compreender a mensagem dos ensinamentos significa descobrir a própria condição, despida de todas as decepções e falsificações que mente cria.
O próprio significado do termo tibetano Dzogchen, Grande Perfeição, refere-se ao verdadeiro estado primordial de todo indivíduo e não a uma realidade transcendental.
No Dzogchen, também existe a transferência no corpo de arco-íris.
O corpo de arco-íris é a realização suprema do Dzogchen.
(Chögyal Namkhai Norbu Rinpoche)
Em minha vida, testemunhei quatro pessoas alcançando o corpo de arco-íris na hora da morte; elas não moravam em mosteiros, mas viviam com suas famílias. Quando tinha vinte e dois anos, presenciei um homem alcançar o corpo de arco-íris, e a maioria das pessoas sequer sabia que ele fazia prática espiritual. Não é o corpo que alteramos para nos tornarmos iluminados — é a mente.
(Chagdud Tulku Rinpoche, Portões da Prática Budista)
Além da transmissão oral (tib. kama / bka' ma) de ensinamentos, esta escola também utiliza a transmissão através de tesouros (tib. terma), escondidos principalmente por Padmasambhava e sua consorte, Yeshe Tsogyal (757-817).
Os tesouros da terra (tib. sater) podem ser manuscritos, relíquias, objetos e até elementos naturais, guardados em locais secretos e descobertos na época apropriada por pessoas especiais, tertöns, profetizados por aqueles que esconderam os tesouros. Em outra categoria, tesouro do espaço (tib. longter / klong gter), os ensinamentos ficariam guardados secretamente na própria mente dos tertöns, surgindo na época apropriada.
Os termas são escrituras que foram deliberadamente escondidas e descobertas em sucessivos momentos apropriados por mestres realizados, através do seu poder iluminado.
Os termas são ensinamentos que representam uma profunda, autêntica e poderosa forma tântrica do treinamento budista.
Centenas de tertöns, os descobridores dos tesouros de Dharma, encontraram milhares de volumes de escrituras e objetos sagrados, escondidos na terra, na água, no céu, nas montanhas, nas rochas e na mente.
Praticando estes ensinamentos, muitos de seus seguidores alcançaram o estado de iluminação completa, o estado búdico.
"Várias escolas do budismo no Tibet têm termas, mas a escola Nyingma tem a tradição mais rica.".
Tulku Thondup Rinpoche, Hidden Teachings of Tibet
Os primeiros tertöns foram Sangye Lama e Drapa Ngösho (séc. XI). Nyang Rel Nyima Öser (1124-1192), Chökyi Wangchug (1212-1270) e Rigdzin Gödem (1337-1409) foram os "três grandes tertöns", considerados emanações da mente, fala e corpo de Padmasambhava.
Posteriormente, apareceram Örgyen Lingpa (1323-1360), Sangye Lingpa (1340-1396), Pema Lingpa (1346-1405), Karma Lingpa (séc. XIV), Ratna Lingpa (1403-1479), Terdag Lingpa (1634/1646-1714), Jigme Lingpa (1729-1798), Pema Ösel Mongag Lingpa (1820-1892) e Chögyur Dechen Lingpa (ou Shigpa Lingpa, 1829-1870).
Um dos tesouros mais conhecidos, revelado por Karma Lingpa, é o livro da Liberação através do Ouvir no Estado Intermediário (tib. Bardo Thödröl), mais conhecido no ocidente como o "Livro Tibetano dos Mortos".
Ainda hoje, existem muitos termas a serem descobertas, revitalizando e atualizando constantemente os ensinamentos da escola Nyingma.
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

“Oito coisas fazem uma pessoa ficar fraca”, Atisha Dipankara

Vamos falar sobre ganhos mundanos, pessoalmente, tenho muito deste problema. Atisha Dipankara, um dos maiores eruditos budistas da Índia, tinha um modo maravilhoso de colocar isto.
Ele disse: “Oito coisas fazem uma pessoa ficar fraca”. Ele estava se referindo aos oito dharmas mundanos, ou oito armadilhas nas quais caímos:
Querer ganhar;
Não querer perder;
Querer ser reconhecido;
Não querer ser ignorado.
Querer ser elogiado;
Não querer ser criticado;
Querer prazer;
Não querer dor;
Estes são muito importantes. Devemos memorizá-los, de modo que de tempos em tempos podemos verificar se estamos caindo em uma destas armadilhas, ou até mesmo em todas elas.
Eu faço isso. Isso é o núcleo básico da minha prática, verificar se estou caindo em qualquer uma destas armadilhas.
São fáceis de lembrar: elogio e crítica; ganho e perda; prazer e dor; reconhecimento e ser ignorado.
Então, devemos verificar se caímos em qualquer uma destas armadilhas.
Eu caio em todas elas, especialmente na primeira, querer ser elogiado.
Sempre gosto de ser elogiado, essa é a minha maior fraqueza.
Estou certo de que isto acontece com muitos de nós; palavras pequenas, superficiais, inúteis e ridículas de louvor podem nos fazer realmente, realmente fracos.
O mesmo acontece com a crítica; algumas palavras ridículas e insignificantes de crítica podem nos ferir para sempre.
Penso que todos vocês sabem do que estou falando: como gostamos de ganhar, como não gostamos de perder; o quanto amamos a atenção; o quanto não gostamos de ser ignorados…
Todas estas são armadilhas. Se cairmos em uma destas armadilhas, nos tornaremos fracos.
Eu caio nestas oito armadilhas todo o tempo. Não quero perder amigos, quero ser louvado, não quero ser criticado, quero ganhar discípulos, quero ter atenção, não quero ser ignorado.
Então, o que faço? A fim de obter o que quero e de evitar o que não quero, eu termino massageando o ego de outras pessoas.
Idealmente, se eu fosse um professor de verdade, eu deveria estar lhes dizendo o que vocês precisam ouvir, o que pode ser bem doloroso.
Se eu realmente assumir seriamente o meu papel de amigo espiritual, isto irá ferir o seu ego.
A linha de fundo é que o caminho espiritual é ir além do desejo do ego.
Peço desculpas por dizer isto, mas este é o único caminho.
Então, se quisermos ser praticantes espirituais, se quisermos ser fortes, precisamos nos exercitar, por assim dizer.
O treinamento é basicamente lembrar de nos perguntarmos em qual destas armadilhas estamos caindo.
Dzongsar Khyentse Rinpoche
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos.
photo Master Atisha in Pelkor Chode Monastery Gyantse Shigatse Tibet by  God Anubys

“Assim eu ouvi…”

Os sutras (textos sagrados do budismo) sempre começam com Ananda (discípulo e primo de Buda) dizendo, “Assim eu ouvi…”
Isto é muito significativo, nos diz muito.
Ananda, que se lembrava de todas as palavras do Buda, não clamou que os ensinamentos viessem dele próprio.
Ele disse claramente que está simplesmente repetindo as palavras que ouviu do Buda Shakyamuni.
Hoje em dia, todos querem ser originais, especialmente os gurus.
Li livros de gurus modernos que afirmam que seus ensinamentos são a sua própria descoberta.
De alguma forma, as pessoas nesta sociedade moderna parecem ser atraídas para coisas novas e originais.
Mas aqui, não estamos procurando as invenções de alguém, estamos olhando para o Dharma puro e autêntico, as palavras do Buda.
Vivemos em um mundo onde somos atormentados pela constante insegurança.
A espiritualidade tornou-se um negócio, então os professores espirituais como eu sempre sentem a necessidade de gerar mais negócios.
Dada esta insegurança, sabendo do ponto fraco das pessoas, é bem fácil vender espiritualidade.
Alguns de vocês podem ser homens ou mulheres de negócios.
Então, estou certo de que vocês sabem o que nos leva a vender coisas.
Primeiro, você diz às pessoas que há algo que elas devem ter, algo que elas não têm. Então, você lhes diz que o lugar para comprar é aqui, de mim. Eu tenho o que você precisa.
O Buda disse:
"Não confie na pessoa, mas confie nos ensinamentos.
Não confie nas palavras, mas confie no significado."
Este é um grande conselho. Quando entramos no caminho espiritual, é importante sermos muito cuidadosos.
Há duas abordagens básicas para o caminho espiritual.
Idealmente, nossa intenção de praticar o caminho espiritual deve ser o atingimento da iluminação. É isso. Parada completa.
Mas, por causa de nossos padrões habituais, há uma abordagem diferente, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
No Oriente, o budismo tornou-se algo como uma religião.
As pessoas praticam o budismo para obter vida longa, prosperidade, para melhorar seus negócios, por ganho pessoal, para dissipar certos espíritos e assim por diante.
Então, as pessoas não têm a meta da iluminação.
Eles têm a meta de decorar esta vida.
Não é melhor no Ocidente. No Ocidente, o Dharma também não é realmente dedicado à iluminação.
Aqui, as pessoas praticam o Buddhadharma (ensinamentos do Buda) principalmente para se acalmarem, para se curarem, para relaxarem… para a assim chamada “auto-melhoria”.
O Buda não ensinou o Dharma para estes tipos de ganhos mundanos.
Talvez pensemos, já que somos pessoas espirituais, não estamos procurando por ganhos materiais.
Mas ainda estamos procurando por algum tipo de ganho mental.
Se tivermos esse tipo de motivação, o budismo é um caminho que devemos evitar.
O caminho budista é basicamente uma má notícia do ponto de vista do ego.
Quanto mais praticamos e estudamos o budismo, mais chocante ele se torna para o nosso ego, mais ele irá contra o nosso egoísmo.
Então, devemos pensar muito cuidadosamente sobre o que é que nós queremos. Não é muito tarde, ainda podemos sair dele.
Dzongsar Khyentse Rinpoche
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos sagrados!

Mestre Dzogchen, SS Chatral Rinpoche, Sangye Dorje བྱ་བྲལ་སངས་རྒྱས་རྡོ་རྗེ

"Chatral Sangye Dorje", significa " Buda Indestrutível que abandonou todas as atividades mundanas".
Rinpoche era um dos detentores do Longchen Nyingthig, a linhagem que descende de Jigme Lingpa para Jigme Gyalwe Nyugu e daí para Patrul Rinpoche.
Ele foi entronizado como o regente-vajra de Sua Santidade Dudjom Rinpoche e passou esta linhagem para o tulku de Dudjom Rinpoche, que vive no Tibet central.
Foi detentor também da linhagem da Dakini Sera Khandro.
Comprometido com a vida de um yogi asceta errante, conhecido por sua grande realização e estrita disciplina, aclamado como um dos mais realizados yogis dos ensinamentos Dzogchen.
Rinpoche foi famoso por seu compromisso com o caminho budista, estudou com os grandes professores, incluindo Suas Santidades Dudjom Rinpoche e Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö, e a famosa Dakini Sera Khandro.

"Repentinamente perdemos um guardião que diligentemente protegia, de modo geral, o Dharma de Buda, em particular o Vajrayana, e em especial o Budismo Tibetano e a linhagem Nyingma.
O termo Chatral traz a conotação de um iogue ascético que tudo abandona.
De modo usual, os nomes são dados como rótulos.
Mas, no caso deste alguém que agora entra no parinirvana, o nome Chatral não era meramente. Ele era o epítome e a corporificação do verdadeiro significado da palavra chatral.
Em toda a longa duração de sua vida, que foi mais de 102 anos, este foi um homem que fez muito, se relacionou com alguns dos maiores seres, e se tornou o mestre dos mestres, inclusive ensinando e se tornando o guru de Yongzin Gyaltsab Radreng Rinpoche, que foi o homem que encontrou Sua Santidade o 14° Dalai Lama Tenzin Gyatso.
Mesmo assim este mesmo homem mal pode dizer que tem um monastério, instituto ou centro de Dharma. Ao redor dele, parafernálias como telhados banhados a ouro e tronos não são encontrados. Ele foi um Chatral no real sentido da palavra.
Mas não se engane: muitos Lamas como eu próprio, que fazem barulho, que exibem imagens destoantes, e que viajam por todo canto do mundo, não realizaram quase nada se comparado a este homem que parece que nunca fez nada exceto manter seu assento de meditação sempre quente.
Mas se ele manifestou ação, este foi o homem que usou 99.99% do que tinha salvando a vida de animais. Sendo assim, para seres ignorantes como nós, tentar expressar as grandes qualidades deste ser iluminado é como tentar medir a largura e a profundidade do céu.
Mesmo assim, se eu for expressar um ponto do pouco que eu conheci deste homem, é isto: o Dharma de Buda apresenta muitos desafios, inclusive todos os charlatães que prejudicam completamente a imagem do Dharma.
Eles podem ser superados por aqueles que parecem fazer a coisa certa, que parecem ser serenos, apropriados, morais, e que nunca incomodam ninguém.
Mas então isso nos leva a um outro desafio ainda mais difícil de superar. Porque fazer as coisas de modo apropriado, correto e com moral, e com o fardo de não incomodar ninguém, nos faz ser vítimas do politicamente correto e nos torna hipócritas.
Na minha limitada vida tenho visto muito poucos seres anti-hipocrisia, e ele foi um deles. Era sempre sincero, não havia negociação, e obviamente ele nunca trocou uma simples palavra de Dharma por dinheiro. Repetidas vezes ele se recusou a fazer reverência aos poderosos.
Ele fez um monte de hipócritas como nós estremecer. Só de saber que estava vivo e respirando, em algum lugar entre Siliguri e Pharping, fazia nossos corações tremerem.
Mesmo embora nós não conseguíssemos vê-lo, especialmente mais pro fim de sua vida, tive mais de 20 pedidos de entrevista recusados, sua mera presença nesta terra arrasava a hipocrisia.
Para expressar nossa homenagem, devoção e súplica, possamos nós, discípulos deste homem, manter em nossas vidas a prática de libertar seres vivos."
Dzongsar Khyentse Rinpoche

"Faça todo o esforço para não matar qualquer ser vivo: pássaros, peixes, gazelas, vacas e até mesmo pequenos insetos. Ao invés disto, ocupe-se de salvar a vida deles oferecendo proteção em face de todos os perigos. O benefício desta ação está além da imaginação. Esta é a melhor prática para a sua própria longevidade. E o mais grandioso ritual para os vivos ou mortos. É a minha principal prática para beneficiar os outros. Ela dissipa todos os obstáculos e adversidades externos e internos.Sem esforço e espontaneamente, traz condições favoráveis. E, quando inspirada pela nobre mente de bodhichitta e selada com preces puras de dedicação e aspiração irá levá-lo à completa iluminação e à realização do seu bem-estar e o dos outros. Disto você não precisa ter qualquer dúvida!"
S.S. Rinpoche Chatral
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos sagrados.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

COMPAIXÃO SELETIVA


Muitos lamentando a morte (e devemos orar por todos mortos) no atentado na Espanha, porém quase nenhum pelo povo venezuelano, sírio ou africano que são mortos todos os dias.
Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?
O ocidente bombardeia os muçulmanos porque os muçulmanos cometem atentados no ocidente, ou os muçulmanos cometem atentados no ocidente porque o ocidente bombardeia os muçulmanos?????
“Ouviste o que foi dito: olho por olho e dente por dente (A lei de Talião). Eu porém vos digo: não resistais ao mal. Antes, àquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda. E àquele que quer pleitear contigo para tomar-te a túnica, deixa-lhe também a veste. E se alguém te obrigar a andar uma milha, caminha com ele duas. Dá ao que te pede e não voltes às costas ao que te pede emprestado”. Mestre Jesus, o Cristo
Não resistir ao mal, não retaliar é a atitude correta para quem busca a paz e a harmonia que levam a iluminação.
Essa mesma instrução foi dada pelo Senhor Buda "o ódio não cessa com o ódio. O ódio só cessa com amor" e “Cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem.”.
Mestre Jesus disse: “Amai os vossos inimigos e orai por eles”. Ele deixa subentendido que aqueles que nos perseguem estão fazendo isso porque desconhecem a operação da lei de causa e efeito.
Por isso, o discípulo é instruído, em primeiro lugar a não revidar e não odiar, mas também, a compreender o seu comportamento insensato e orar para que ele possa mudar.
Esse realmente é um estado muito elevado de consciência.
Todos nós sabemos que esta instrução é de muito difícil aplicação.
Quem não sabe que quando nos insultam a nossa primeira reação é de responder à altura?
Quando nos agridem, normalmente a nossa primeira atitude é de revidar.
Porém, que a verdadeira atitude espiritual é de não resistir ao mal.
Em nossa história moderna temos os exemplos de Mahatma Ghandi, na Índia, e Martin Luther King, nos Estados Unidos, que lideraram grandes movimentos populares, com base nesse preceito de resistência pacífica, conseguindo importantes mudanças, vencendo injustiças sociais em seu tempo.
E a razão para esta orientação é que tudo o que acontece na nossa vida é o resultado da grande lei de Causa e Efeito.
Por isso, devemos entender que nenhum homem é, na verdade, nosso inimigo.
Todos os homens que caracterizamos como amigos e inimigos, são nossos instrutores.
Alguns nos instruem de maneira agradável, outros, de forma bem mais desagradável.
Mas esses também, os que agem de forma agressiva para conosco, são agentes do carma.
Na verdade nada ocorre por acaso.
Portanto, a maneira sábia para um discípulo terminar um ciclo de agressão é não revidando o mal com o mal.
O homem comum, quando se sente agredido, fica enfurecido e revida, e com isso sofre duplamente.
Primeiro porque recebeu o que lhe era devido em virtude de um débito cármico anterior mas, ao receber a quitação, revida e cria um novo débito cármico e, com isso, continua preso à roda do samsara, como dizemos no budismo, continua prisioneiro do carma.
Somente através de não retaliação é que se quebra essa roda aparentemente sem fim, que é a prisão em que o homem vive no samsara.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Nyingma རྙིང་ མ antiga escola de budismo tibetano

Nyingma རྙིང་ མ་, ou antiga escola de budismo tibetano, é o nome dado aos seguidores dessa tradições original dos ensinamentos do Buda em tibetano que foram realizadas até a Tempo do tradutor indiano Smrtijñanakirti no final do século X.
Nyingma literalmente significa "antiga". Foi a primeira escola do budismo a se desenvolver no Tibet por volta do século VII/VIII DC, através do mestre Padmasambhava པདྨཱ་ཀ་ར་, པདྨ་འབྱུང་གནས་, conhecido como Guru Rinpoche, conhecidos como "Escola da Tradição Antiga", Ngagyur Nyingma, distinguindo-os das "Escolas Novas", Sarma , como o Kadam , Kagyü , Sakya e eventualmente Geluk ,
Central para a tradição Nyingma é a figura extraordinária de Padmasambhava , པདྨཱ་ཀ་ར་, པདྨ་འབྱུང་གནས་ Guru Rinpoche , o grande guru que introduziu o budismo no Tibet no século VIII.
Convidado pelo rei Trisong Detsen sob o conselho do grande Khenpo indiano Shantarakshita , Padmasambhava disse ter ficado no Tibet por mais de meio século.
Diz-se que ele é o segundo Buda porque o próprio Siddhartha Gautama havia previsto que um segundo iluminado viria para completar e expandir os ensinamentos Vajrayana que ele havia dado de forma muito restrita.
De qualquer forma, os ensinamentos de Guru Rinpoche པདྨཱ་ཀ་ར་, པདྨ་འབྱུང་གནས་ realmente completam e expandem os de Buda Shakyamuni, em nenhum momento havendo contradição.
Desta forma Guru Rinpoche པདྨཱ་ཀ་ར་, པདྨ་འབྱུང་གནས་ é visto como o próprio Buda nas tradições do budismo tibetano, especialmente na escola Nyingma. Ele desenvolveu inúmeros métodos de remoção de obstáculos, alguns transmitidos na sua época, outros escondidos (Termas གཏེར་མ། ) para que no futuro pudessem ser usados pelos seres que tivessem a conexão apropriada com ele.
E, assim, a partir dos anos e séculos, inúmeros tesouros (Termas གཏེར་མ། como são chamados os ensinamentos e práticas deixados por Guru Rinpoche པདྨཱ་ཀ་ར་, པདྨ་འབྱུང་གནས་) foram sendo descobertos e utilizados .
Especialmente na nossa época, onde estamos tão vulneráveis a emoções perturbadoras e destrutivas, seus métodos são extremamente importantes e úteis.
Seus tesouros conduzem o praticante desde à remoção de obstáculos em sua vida até à iluminação total, onde ele então será plenamente capaz de beneficiar todos os seres e também conduzi-los à iluminação.
Devido a essa linhagem de transmissão, o relacionamento com um mestre espiritual é de extrema importância.
Nas tradições tibetanas, o mestre é o Lama e confiar e seguir seus ensinamentos é fundamental.
É dito que é raríssimo se alcançar a iluminação sem o relacionamento com um mestre, o Lama.
Sem esse relacionamento, é muito comum o aluno se perder em meio a confusão de suas emoções, ideias e conceitos, ficando ainda mais perdido na roda do samsara.
Desta maneira, sem as bençãos da transmissão de um Lama devidamente realizado, não devemos estudar profundamente os ensinamentos desta linhagem, sendo o ideal se procurar um mestre qualificado que possa transmiti-los.
Os ensinamentos de Nyingma são divididos em Ring gyü e Nyé gyü de Terma.
Particular para a escola Nyingma é a divisão dos ensinamentos em nove 'yanas' ou veículos.
Os tantras especiais dos Nyingmapas são os três tantras internos de Mahayoga , Anuyoga e Atiyoga ou Dzogchen .
Alguns deles aparecem no Kangyur , a "Palavra de Buda", mas há uma coleção separada, o Nyingma Gyübum , "Tantras Collected of the Nyingmapas".
O Chefe Supremo da Nyingmapa é uma posição que foi estabelecida, principalmente para fins administrativos, apenas no exílio na Índia.
No Tibet, ninguém serviu de chefe desta escola.
Primeiro, este título foi dado por Sua Santidade o XIV Dalai Lama a Sua Santidade Dudjom Rinpoche . Em seguida, passou para Sua Santidade Dilgo Khyentse Rinpoche.
No Brasil, tivemos a oportunidade de receber estes ensinamentos aqui no continente sul-americano uma base para práticas, retiros e transmissões.
Os ensinamentos de Guru Rinpoche པདྨཱ་ཀ་ར་, པདྨ་འབྱུང་གནས་ chegaram até nós principalmente através da imigração do Lama tibetano Chagdud Tulku Rinpoche, que se exilou do seu país natal, o Tibet, juntamente com milhares de tibetanos e o próprio Dalai Lama, após a invasão e ocupação comunista chinesa em 1950-51.
Para milhões de praticantes ao longo dos séculos, Padmasambhava continua a ser a fonte de sua realização, e a inspiração que inspira vida no coração da prática.
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Budismo Tibetano Vajrayana

O caminho essencial de todos os veículos ilimitados do Dharma, alguns dos quais brevemente descritos aqui, é desenvolver a renúncia aos sofrimentos do samsara. A base para essa renúncia é seguir o código de conduta agrupado em qualquer um dos sete conjuntos de votos da auto-liberação [sânsc. pratimoksha].
O Renascimento Humano Precioso e a Impermanência
Medite sobre as dificuldades de receber um renascimento humano precioso e sobre se esta condição excelente de tempo livre continuará. Pense sobre o quão difícil será obter no futuro uma outra forma humana. Bem agora, nós a temos e nosso renascimento tem tanto significado que é tão preciosa quanto uma jóia que realiza desejos. Mas esta vida não durará. É incerto se morreremos velhos, jovens ou com meia idade. As circunstâncias e condições para a morte são muitas, mas as condições para manter a vida são poucas.
Os dias, os meses e as quatro estações, os amigos, os parentes e os inimigos, e assim por diante, tudo muda e termina. Pensando de novo e de novo sobre todas estas mudanças, por favor se lembre da impermanência.
Karma
Você não deveria pensar que após a morte apenas se dissolverá no meio do espaço. Nem deveria pensar que os humanos necessariamente renascem como humanos, ou os cavalos como cavalos. Todos os seres sencientes são levados por suas ações [sânsc. karma] em muitos lugares e formas diferentes nas quais se pode renascer na existência cíclica: em reinos altos ou baixos; com prazeres grandes ou pequenos; com propriedade e poder [ou não]; com um corpo bom ou ruim. Neste samsara há muitos karmas e resultados diferentes. Todas estas várias aparências e aspectos da existência surgem devido aos diferentes atos de virtude, não-virtude ou de alguma combinação dos dois. Estes atos pode ser condensados nas dez ações virtuosas ou não-virtuosas. O resultado das ações virtuosas e não-virtuosas amadurece de quatro modos diferentes:
Como o resultado amadurecido;
Como uma experiência de acordo com a causa;
Como uma atividade de acordo com a causa; e
Como o resultado ambiental [pessoal ou coletivo].
Ações virtuosas amadurecem apenas em seus próprios resultados específicos.
Se você não tiver feito a ação [karma], não poderá encontrar seu resultado, mas os resultados de todas as ações que você fez durante o tempo não desaparecerão por si mesmos. É certo que o resultado virá e que ele virá para aquele que criou o karma.
Todos os fenômenos vistos em sua experiência são o resultado do karma. Você pode experienciar o resultado de suas ações kármicas durante a mesma vida, na próxima vida ou em qualquer vida após esta. Há resultados kármicos que estão certos de amadurecer e outros que são incertos. Por favor consulte os Sutras e seus Comentários para explicações mais detalhadas de todos os vários aspectos da ação [karma] e de seus resultados. A prática de adotar e rejeitar as causas e resultados [apropriados ou desapropriados, respectivamente] é o coração do Buddhadharma, e as Quatro Nobres Verdades e a Lei da Originação Interdependente são os pontos essenciais e profundos do Dharma.
Existência Cíclica e Sofrimento
Através da força do karma, as seis classes de seres sencientes vagam, perdidos através dos três reinos superiores e dos três reinos superiores.
Nas Três Esferas da Existência, não há qualquer coisa, nem mesmo um átomo, que não sejam condicionados e, como resultado, o sofrimento do sofrimento, o sofrimento da mudança e o sofrimento que permeia a existência condicionada atormentam os seres renascidos aqui. Em particular, cada reino é afligido com sofrimentos específicos.
Ações não-virtuosas resultam em sofrimentos, enquanto as ações virtuosas maculadas causam renascimento nos reinos superiores se especialmente na Concentração Mundana sem oscilar, que o leva para os reinos mais altos, os Reinos Sem Forma. Mas até mesmo estes seres, que estão nesses estados altos, devem renascer de novo porque não abandonaram a ignorância [a raiz do samsara]. Eles cairão nos estados inferiores em seus próximo renascimento. Isto é assim porque permanecer nesta existência cíclica é como permanecer em um fogo, ou em um ninho de cobras venenosas. Não deseje ou rogue por felicidade samsárica. Ao invés disso, por favor desenvolva uma renúncia sonora às causas do sofrimento, sempre desejando ser livre do ciclo de renascimentos.
O Mestre Espiritual
A raiz da entrada no caminho para o nirvana é o mestre espiritual. Permaneça próximo dele e confie nele. Escolha um mestre que tenha se domado ouvindo muitos ensinamentos. Ele deveria ser hábil na prática da lei do caminho [tib. tsültrim / tsul trim, disciplina ou moralidade] e na bodhichitta, deveria ter uma visão pura da realidade e ter grande compaixão. Dele deveria ter a habilidade de cortar as dúvidas dos outros. Então, depois de receber a iniciação e o samaya tântrico [votos e compromissos sagrados] deste lama, você deveria fazer o que ele diz.
Conforme sua fé e devoção aumentam, boas qualidades serão realizadas. Portanto, permaneça próximo de um lama excelente, estimando a oportunidade de servi-lo.
A fala e os conselhos do lama são o mesmo que o néctar da imortalidade. Quando mais você tiver ouvido, nenhum [de seus conselhos] deveria ser visto em vão. Então, sem abandonar qualquer um deles, adote-os em sua própria prática. Pense e medite sobre seus conselhos porque nenhum benefício virão de simplesmente ouvi-lo, assim como a água não pode saciar sua sede a menos que você a beba. Por esta razão, você deveria permanecer em um lugar isolado e recluso.
O Refúgio
Tomar refúgio é o fundamento do caminho e de todos os votos. Ele distingue os buddhistas dos não-buddhistas, fornecendo-nos a proteção de todos os deuses e humanos. Ele nos faz atingir a acumulação de todas as coisas boas e auspiciosas nesta vida e nas futuras. Deveríamos depositar nossas mentes com as Três Jóias do refúgio: Buddha, o professor; Dharma, o protetor; e Sangha, o libertador.
Quando tomar refúgio, não se iluda simplesmente falando enfaticamente as palavras, mas sim desenvolva uma confiança real nos objetos de refúgio.
Então, cuidadosamente guarde todos os compromissos do refúgio.
A Bodhichitta
A prática principal do Mahayana é a bodhichitta, que é a essência do leite batido do Dharma sagrada. Se não há bodhichitta, a sua prática, seja ela do Sutra ou do Tantra, será "sem essência" como uma bananeira. Não apenas isso, você também deveria lembrar que, onde quer que o espaço permeie, há seres sencientes [que estão procurando pela felicidade]. Os próprios renascimentos, tomados seqüencialmente, são sem início, e então teremos renascido por incontáveis vezes. Cada ser senciente foi nossa mãe e pai inumeráveis vezes, e assim, a quantidade de benefício que recebemos deles é inconcebível. Portanto, deveríamos meditar sobre o amor e sobre a grande compaixão para todos os seres senciente: inimigos, amigos, parentes e estranhos. Desenvolva o equilíbrio que é livre de manter alguns próximos, com desejos, e outros distantes com, raiva. Pensando com um bom coração sobre os benefícios dos outros, você deveria usar seu corpo, fala e mente para praticar a virtude e sempre fazer preces especiais e nobres.
S.S. Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö རྫོང་གསར་མཁྱེན་བརྩ་ཆོས་ཀྱི་བློ་གྲོས་
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos.!